FHC pede “fica” Bolsonaro enquanto o povo grita “Fora Bolsonaro”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confirma que o PSDB é um partido distante dos anseios populares e próximo aos interesses de bancos e corporações financeiras. Em em artigo publicado no Jornal O Estado de S. Paulo, neste domingo (03/01), o tucano defendeu a permanência de Jair Bolsonaro no cargo até o final –a despeito de o povo gritar nas ruas “Fora Bolsonaro”.

Para FHC, apesar dos deslizes de Jair Bolsonaro, “não é hora para o ajuste de contas” e que “a experiência mostra que é melhor esperar que o tempo escoe do que precipitar o fim de governos”, em uma clara alusão à discussão sobre um possível impeachment do presidente.

No texto, FHC disse que Bolsonaro tem “pouca imaginação e que olha o país por um espectro curto”, porém, escreveu, é “simplista” culpabilizar somente o governo federal pelas mortes causadas pela crise instalada com a pandemia do novo coronavírus.

“Sei também que é mais fácil imaginar que, ‘não fosse este governo’, a pandemia talvez não tivesse matado ou maltratado tanta gente. Será verdade? Provavelmente. Mas o vírus é soez e está dizimando as pessoas, independentemente da qualidade dos governos. Parece uma saída simples ‘culpar’ só o governo (no caso, o federal) pelos males que nos afligem”, cravou FHC.

“Não é hora, contudo, para o ajuste de contas. A experiência mostra que é melhor esperar que o tempo escoe do que precipitar o fim de governos. Mais um pouco – se o povo não insistir nas antigas preferências e se tivermos a sorte de existir alguém que abra um caminho mais promissor – haverá novas eleições.”, pontuou.

Para o tucano, a desigualdade é um dos grandes problemas do país.

“Talvez o maior problema do País seja a desigualdade. E ela se naturalizou. Podemos até vê-la e fazer comentários gerais a seu respeito. Mas no dia a dia, como o problema vem de longe, acabamos por, implicitamente, aceitá-la. E essa talvez seja a maior dificuldade para obter o que, em geral, mais desejamos: que o País continue crescendo economicamente.”, afirmou.

“Na cultura tradicional, é como se crescimento equivalesse a melhor distribuição de renda. Existe, é claro, uma relação entre a prosperidade econômica e o bem-estar geral. Mas é enganoso crer que basta a economia crescer para as “questões sociais” se resolverem.”, emendou.

O ex-presidente desejou respeito às leis e às pessoas em 2021.

“Menos desigualdade, maior prosperidade. Mais respeito às leis e às pessoas. É o que desejo neste novo ano de 2021.”, concluiu.

Repercussão do artigo “Fica Bolsonaro”, de FHC

Orlando Silva (PCdoB-SP) – “Sobre o artigo de FHC no @Estadao de hoje, a sensação é que sobrou espaço e ele foi preenchendo com o que lhe veio à cabeça. Mil assuntos tratados com a profundidade de um pires.”

Ricardo Pereira, professor e jornalista – “FHC volta a defender permanência de bolsonaro até o fim do mandato, mesmo com o miliciano cometendo comprovados crimes de responsabilidade. É fácil dizer isso morando em Paris, distante de um desgoverno que diante de mais de 190 mil mortes por covid trabalha contra a vacina.”

Paulo Pimenta (PT-RS) – “Golpista contra Dilma, FHC abre 2021 defendendo a continuidade de Bolsonaro.”

Wadih Damous (PT-RJ) – “O cinismo de Fernando Henrique Cardoso é escandaloso. Defende a permanência do flagelo Jair Bolsonaro na presidência porque é melhor do que precipitar o fim de governos. Com Dilma ele não teve o mesmo raciocínio e foi um dos articuladores do golpe. Um poço de cinismo!”