Deu chabu na venda da vacina da Índia para o Brasil, segundo a imprensa hindu

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O governo da Índia não confirma a entrega de 2 milhões de doses de vacina para o Brasil; no começo deste mês, a venda de imunizantes pelo país hindu já havia gerado controvérsias

O jornal Hindustan Times, de Nova Déli, afirmou nesta quinta-feira (14) que o Brasil “parece ter se precipitado” ao anunciar oficialmente o envio de uma aeronave para transportar dois milhões de doses da vacina Covid-19.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia, segundo o jornal, deixou claro que as decisões sobre o fornecimento a países estrangeiros levarão mais tempo.

O Hindustan Times, citando uma fonte anônima governamental, disse que os suprimentos contratados por países estrangeiros, incluindo o Brasil, seriam fornecidos pela Índia no devido tempo, embora um prazo para isso ainda não tenha sido finalizado.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro anunciou em 8 de janeiro que ele havia escrito uma carta ao seu homólogo indiano Narendra Modi para agilizar o embarque de dois milhões de doses da vacina Covishield da AstraZeneca produzida pelo Serum Institute of India.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Anurag Srivastava, disse que é muito cedo para discutir as exportações de vacinas, já que o programa de imunização da Índia está programado para ser lançado no sábado.

“Você deve se lembrar que o primeiro-ministro já havia declarado que a capacidade de produção e distribuição de vacinas da Índia será usada para o benefício de toda a humanidade no combate a esta crise”, disse Srivastava.

“Como você deve saber, o processo de vacinação está apenas começando na Índia. É muito cedo para dar uma resposta específica sobre o fornecimento para outros países, pois ainda estamos avaliando os cronogramas de produção e entrega. Tomaremos decisões a esse respeito no devido tempo, isso pode levar algum tempo.”

No começo deste janeiro, a venda de vacina da Índia para o Brasil já havia gerado controvérsia e desmentido por parte do governo brasileiro.

Bolsonaro afirma que avião parte na noite desta sexta-feira em busca da vacina na Índia

Apesar da não confirmação das vacinas pelo governo indiano, o Ministério da Saúde (MS) informou garantiu que o avião da companhia aérea Azul vai decolar em direção à Índia para buscar 2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 nesta sexta-feira (15) à noite.

A volta da aeronave ao Brasil estava marcada para o sábado (16), pelo Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Mas, com a alteração no voo, ainda não há informações sobre a data e hora do retorno da aeronave.

“A data de retorno do avião ao Brasil, com a carga de vacinas estimada em 15 toneladas, ainda está sendo avaliada de acordo com o andamento dos trâmites da operação de logística feita pelo Governo Federal em parceria com a Azul”, diz a nota do ministério da Saúde.

Ao chegar ao país, a vacina ainda precisa aguardar o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que as doses comecem a ser aplicadas. A agência se reúne no domingo (17) para analisar o pedido de uso emergencial apresentado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira da AstraZeneca e da Universidade de Oxford no Brasil.

De acordo com o Ministério, a vacina será distribuída aos estados em até cinco dias após o aval da Anvisa para, assim, dar início à imunização em todo o país, de forma simultânea e gratuita.

A pasta disse ainda que, além do apoio da Azul, conta também com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas por meio das companhias Gol, Latam e Voepass, para a logística de transporte gratuito do imunizante.

A segurança no transporte das doses pelo Brasil será realizada pelas Forças Armadas, em ação conjunta com o Ministério da Defesa.

Aeronave

O avião que partirá em direção à Índia é um Airbus A330neo, maior aeronave da frota da companhia e estará equipado com contêineres específicos para garantir o controle de temperatura das doses que, de acordo com as recomendações do fabricante, é de menos de 80 graus Celsius (°C).

Nesta quarta-feira (13), a a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou as empresas aéreas a transportarem vacinas refrigeradas com gelo seco na cabine de passageiros dos aviões. O transporte só ocorrerá, entretanto, se não houver passageiros durante o voo.