Como Bolsonaro e Guedes confiscaram o bife do prato dos brasileiros

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O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, também fazem mal à segurança alimentar. Graças à depressão econômica que eles promovem, o consumo de carne bovina caiu ao patamar de 20 anos atrás. Ou seja, a marcha à ré também se deu na dieta com o confisco do bife no prato dos brasileiros.

Coube à repórter Thais Carrança, da BBC News Brasil, mostrar que as carnes tiveram alta de 18% no preço durante 2020, derrubando o consumo de proteína bovina pelos brasileiros caiu no ano passado ao menor nível em mais de duas décadas.

Os veículos de comunicação da mídia corporativa brasileira —Folha, Estadão, Globo, Veja, Valor, G1, et caterva— não retratam os problemas econômicos com a profundida necessária. Os barões da imprensa jamais ganharam tanto dinheiro –ao lado dos bancos– quanto neste período de pandemia. E não é com cliques em seus portais, audiência no rádio e TV ou com venda de “jornais impressos”. Pelo contrário. Eles faturam com a especulação econômica, por óbvio.

Segundo a reportagem da BBC News, a perspectiva para 2021 é de que os preços da carne de boi continuem em alta, como resultado da oferta restrita de gado no país e forte demanda da China. Isso num cenário de menor disponibilidade de renda dos brasileiros, com desemprego recorde, avanço da pandemia e fim do auxílio emergencial.

Diante desse quadro, a expectativa de analistas é de uma nova queda no consumo interno de carne bovina esse ano, o que deve levar o acesso à proteína preferida pelos brasileiros a níveis anteriores à década de 1990.

Preço da carne de segunda foi o que mais subiu

No ano passado, o preço das carnes subiu 17,97%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), bem acima da alta de 4,52% da inflação em geral.

Dos cortes bovinos analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas o nobre filé-mignon teve queda de preço em 2020, de 6,28%. Já a picanha (17,01%), o contrafilé (12,71%) e a alcatra (5,39%) ficaram mais caros no ano passado.

As carnes de segunda, mais consumidas pela população de baixa renda, cujos rendimentos foram impulsionados pelo auxílio emergencial em 2020, foram as que mais subiram, com alta de 29,74% da costela, aumento de 27,67% do músculo e avanços de 26,79% e 20,75%, respectivamente, do cupim e do acém.

A alta das carnes nos supermercados acompanhou o aumento do preço do boi no campo.

A arroba do boi gordo fechou 2020 cotada a R$ 267,15, uma alta de 29% em relação ao final de 2019, segundo o Cepea da Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo).

Somente nos primeiros 15 dias de 2021, o preço do boi gordo já subiu 7,77%.

Consumo é o menor desde pelo menos 1996

Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 quilos por habitante em 2020, uma queda de 5% em relação aos 30,7 quilos por habitante de 2019, ano em que o consumo já havia recuado 9%.

A dúzia de ovo encolheu e o preço espichou

A caixa de ovos só traz, atualmente, 10 unidades, enquanto o preço dessa proteína alternativa espichou nos últimos anos.

Em 2016, a dúzia de ovo custava R$ 4,87. O levantamento é do Nepes (Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais) tendo como base o estado de Mato Grosso do Sul.

Ou seja, no governo Bolsonaro a quantidade de ovos numa dúzia diminuiu e o preço dobrou enquanto o salário mínimo não teve aumento real algum.