Alencar Furtado, deputado cassado pela ditadura, aos 95, morre por Covid-19

Deputado cassado pela ditadura militar, o advogado José Alencar Furtado morreu nesta segunda-feira (11/01), aos 95 anos, por complicações da Covid-19.

“Faleceu Alencar Furtado. Com ele falece parte do Paraná progressista. Um abraço comovido a esposa e filhas”, divulgou nota de pesar o ex-senador Roberto Requião (MDB).

Militante da Esquerda Democrática, uma dissidência udenista que originaria o Partido Socialista Brasileiro, Alencar foi um dos fundadores do PSB no Ceará. Transferindo-se para o estado do Paraná, ele foi advogado junto à prefeitura de Paranavaí (Noroeste do estado, a 500 km de Curitiba).

Após o golpe militar, que depôs João Goulart em 1964, Alencar Furtado ingressou no MDB e foi eleito suplente de deputado estadual em 1966 e presidente do diretório regional da legenda (1969-1970).

José Alencar Furtado foi eleito deputado federal em 1970 e 1974. Chegou ao posto de líder de bancada, sendo parte do grupo dos chamados “autênticos” do MDB. No entanto, teve o seu mandato parlamentar cassado em 30 de junho de 1977. Privado de seus direitos políticos, elegeu o filho Heitor Alencar Furtado para ocupar seu lugar em 1978.

De volta à cena política após a decretação da anistia pelo presidente João Figueiredo, foi reeleito deputado federal em 1982 pelo PMDB. Todavia, o assassinato de seu filho naquele mesmo ano abalou-o profundamente.

Após a eleição de Tancredo Neves para presidente da República, Alencar Furtado acabou por entrar em colisão com o seu partido ao disputar a presidência da Câmara dos Deputados contra Ulysses Guimarães em 1985.

No pleito de 1986 disputou o governo do Paraná pelo PMB, em chapa com o então pedetista Jaime Lerner, mas foi derrotado por Álvaro Dias, do PMDB.