“Se tiver efeito colateral não vão cobrar de mim”, diz Bolsonaro sobre vacina contra a Covid-19

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse na noite desta quarta-feira (2) que não será responsável pelos eventuais efeitos colaterais causados pelas vacinas contra a Covid-19.

“Se tiver um efeito colateral ou um problema já sabem que não vão poder cobrar de mim, porque eu vou ser bem claro”, disse o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

Bolsonaro também disse que mostrará todos os contratos firmados com os fabricantes das vacinas para que as pessoas saibam “o que estão tomando e suas consequências”.

“Cada empresa tem a sua vacina. Vamos supor que numa das cláusulas da vacina que eu vou comprar a gente vai ter que ver o que eles oferecem. Vamos supor que lá no meio está escrito o seguinte:’nos desobrigamos de qualquer ressarcimento, de qualquer responsabilidade com possíveis efeitos colaterais imediatos ou futuros’. E daí, vocês vão tomar essa vacina? Porque, em chegando, havendo essa conclusão… porque começaram alguns países a vacinar… Eu vou mostrar todo o contrato para vocês. Quem tomar vai saber o que está tomando e daí as consequências”, afirmou.

Nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 994/20 que abre crédito extraordinário de R$ 1,995 bilhão para viabilizar a compra de tecnologia e a produção da vacina de Oxford contra o novo coronavírus. A MP será analisada hoje (3) pelo Senado.

O dinheiro vai custear contrato entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, e o laboratório AstraZeneca. A empresa desenvolve uma vacina contra Covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Os recursos virão da emissão de títulos públicos (operações de crédito). Do total, R$ 1,3 bilhão corresponderá à encomenda tecnológica. Bio-Manguinhos – a unidade da Fiocruz produtora de vacinas – receberá investimentos de R$ 522 milhões.

A vacina de Oxford está em fase de testes com voluntários no Brasil e em outros países. A intenção é produzir 100 milhões de doses, com previsão de distribuição da vacina por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Vacinas em testes no Brasil

Vacina de Oxford (Reino Unido)
A vacina de Oxford contra a Covid-19 é produzida pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o estudo em 2 de junho. Os ensaios clínicos ocorrem nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador com cinco mil voluntários.

Vacina da Sinovac (China)
Aprovado pela Anvisa em 3 de julho, a vacina foi desenvolvida pela empresa Sinovac Research & Development Co. Ltd., em parceria com o Instituto Butantan. Os testes estão sendo realizados em nove mil voluntários que trabalham em instalações especializadas para Covid-19, em centros de pesquisas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Participam do estudo 12 instituições, incluindo o Hospital Universitário de Brasília da Universidade de Brasília (HUB-UnB) e o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), ambos vinculados à Rede Ebserh.

Vacina BioNTech e Wyeth/Pfizer (Alemanha/EUA)
O estudo para as vacinas desenvolvidas pela BioNTech e Wyeth/Pfizer foi aprovado pela Anvisa em 21 de julho. De acordo com a agência, o estudo envolve cerca de 29 mil voluntários, sendo 1.000 deles no Brasil, em São Paulo no Centro Paulista de Investigação Clínica, e na Bahia, na Instituição Obras Sociais Irmã Dulce.

Vacina Jansen-Cilag (Bélgica)
A aprovação mais recente para estudo clínico, 18 de agosto, é da vacina produzida pela divisão farmacêutica da Johnson-Johnson. De acordo com a Anvisa, o estudo está sendo feito com aproximadamente 60 mil voluntários, sendo sete mil no Brasil, distribuídos em diversas regiões do país, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte.

Governo divulga grupos prioritários para a vacinação

O governo federal informou na última terça feira (1°) que o plano nacional de vacinação contra a Covid-19 terá quatro fases. Confira:

1. trabalhadores de saúde, pessoas de 75 anos ou mais e idosos em instituições de longa permanência (como asilos), bem como povos indígenas;

2. idosos de 60 a 74 anos;

3. pessoas com comorbidades, condições médicas que também favorecem um agravamento do quadro a partir da covid-19;

4. professores, forças de segurança, trabalhadores do sistema prisional e pessoas privadas de liberdade.

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