PT não engole o “Baleia” enfiado goela-baixo por Rodrigo Maia

Começou a dar chabu na ‘Frente Ampla‘ de Rodrigo Maia, com apoio do PT, para disputar a presidência da Câmara no dia 1º de fevereiro de 2021.

Em artigo especial, Roberto Salomão, dirigente estadual do PT no Paraná, afirma que participar desse bloco do Maia seria uma posição submissa, funesta e indefensável pela militância petista.

Segundo o ex-presidente do PT no Paraná, todas as bandeiras dos partidos de esquerda, as bandeiras históricas do movimento dos trabalhadores, juntas e embaladas para presente, “valem menos do que… os valores democráticos de Rodrigo Maia!”

Salomão recorda no texto publicado pelo Blog do Esmael que Maia, além de apoiar o golpe que derrubou Dilma, colocou em votação a reforma da previdência, reforma trabalhista, agora a reforma administrativa –eventos que retiraram direitos e foram golpes contra os trabalhadores.

O dirigente petista ainda recorda que Maia não é confiável para a oposição de esquerda, mesmo que faça um discurso anti-Bolsonaro, porque ele [Rodrigo Maia] está sentado em cima de mais de 50 pedidos de impeachment na Câmara.

Resumo da ópera: parte do PT não engole o “Baleia” [deputado Baleia Rossi, do MDB] enfiado goela-baixo por Rodrigo Maia.

Leia a íntegra do artigo:

Uma posição submissa, funesta, indefensável

Roberto Elias Salomão*

No início de 2017, estava prevista a eleição para a renovação das Mesas da Câmara Federal e do Senado. Poucos meses após o golpe que depôs uma presidenta legitimamente eleita, uma centelha correu o PT. Os militantes não aceitavam de modo algum qualquer tipo de acordo com os golpistas. Mas não era uma posição unânime: muitos dos deputados e senadores petistas esforçavam-se para negociar uma composição, sabe-se lá a troco do quê.

Em Curitiba, poucos dias antes dessa eleição, fizemos um ato, na sede do PT, que ficou abarrotada com mais de 100 militantes, de todas as correntes, afirmando posição em defesa da independência do partido e de uma verdadeira democracia. O ato terminou com o grito de guerra “petista que é petista/não vota em golpista”. Atos semelhantes ocorreram em todo o país.

Na Câmara, devido a essas manifestações da militância e à posição firme de vários companheiros deputados, a bancada fechou questão: nenhum apoio ao golpista Rodrigo Maia (ele mesmo!). No Senado, infelizmente, seis dos dez senadores do PT preferiram dar aval à eleição do golpista Eunício Oliveira.

Quatro anos depois, em decisão tomada fora das instâncias regulamentares do partido, eis que está a marca do partido no “bloco do Maia”. O PT e mais nove, mas o que conta, para nós e para os trabalhadores, é o PT. Não por acaso, Maia, que não é bobo, botou nosso partido como encabeçador da lista de seus apoiadores.

A troco do quê este apoio? Da suposta defesa do “estado democrático de direito”, para derrotar a candidatura bolsonarista. Certamente, aqueles que apoiam Maia saudarão sua eventual reeleição como uma vitória da democracia. Assim, em quatro anos, um dos articuladores do maior golpe contra os trabalhadores e a grande maioria do povo desde 1964 passa a ser um garantidor da democracia!

Deveria ser desnecessário, mas pelo jeito não é, lembrar que Maia foi copartícipe de todos os ataques contra os trabalhadores e contra a democracia desferidos por Bolsonaro (que, aliás, nem estaria sentado naquela cadeira não fosse o golpe do impeachment): reforma da previdência, reforma trabalhista, agora a reforma administrativa, todo o show de horrores deste governo (e deste Congresso). Seria muito bom avivar a memória daqueles que preferem esquecer: Maia está sentado em cima de mais de 50 pedidos de impeachment.

São duas faces da mesma moeda: a face agressiva, brutal, aparentemente descontrolada, e a face “educada”, “civilizada”, “democrática”. Só que é ilusório aceitar uma moeda desse tipo por uma das faces sem levar junto a outra.

Ainda temos um mês até a eleição na Câmara e no Senado. Dá tempo de reverter essa decisão. Mas para isso é preciso que a militância aja como há quatro anos: pondo para fora sua indignação, sua repulsa a essa posição que mancha o PT e o põe ao lado de seus inimigos históricos, em posição de submissão.

Em tempo: o PSOL não entrou no “bloco do Maia”. Independência? Não se iludam. Numa eleição que provavelmente terá dois turnos, a líder do partido já garantiu que “não faltarão” os votos do PSOL para derrotar o candidato bolsonarista.

Ou seja, o PSOL também apoiará Maia. Posição confirmada por um dos luminares do partido, Marcelo Freixo. Depois de afirmar, apenas para constar da foto, que há “enormes diferenças” entre as forças que apoiam Maia, ele faz a ressalva (e é isto que vale!): “é muito maior do que as nossas diferenças (…) a crença nos valores do Estado Democrático de Direito”. Trocando em miúdos: todas as bandeiras dos partidos de esquerda, as bandeiras históricas do movimento dos trabalhadores, juntas e embaladas para presente, valem menos do que… os valores democráticos de Rodrigo
Maia! Seria impossível expressar-se com maior clareza.

*Roberto Elias Salomão, do Diálogo e Ação Petista, é membro da Executiva estadual do PT.