Alô, alô, Terezinha! Quem fiscaliza a farra com a venda [doação] dos ativos da Petrobras?

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É Natal e parece que existe uma farra continuada na Petrobras, que segue liquidando e doando os ativos sem fiscalização alguma. Não se ouve mias falar da venda a preço de banana da estatal, que foi fatiada e desvalorizada pelo vendedor (Estado) –para facilitar a vida do comprador.

Por exemplo, a Liquigás, subsidiária de gás GLP, teve sua aquisição concluída hoje pelo consórcio formado por Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás Butano. A transação de R$ 4 bilhões dá origem ao monopólio do mercado nacional de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A indústria de GLP abastece 95% dos domicílios brasileiros e está presente em 100% do território nacional.

Na sexta-feira (18), a Petrobras comunicou a venda da totalidade das suas ações (50%) de emissão da BSBios Indústria e Comércio de Biodiesel Sul Brasil S/A (BSBios), um negócio de R$ 319 milhões, que ainda carece de aprovação da Assembleia Geral da subsidiária Petrobras Biocombustível S.A. (PBio).

Um dia antes, na quinta-feira (17), a Petrobras informou que assinou contrato para venda de campos terrestres na Bahia. São quatorze campos terrestres de exploração e produção, denominados Polo Recôncavo, pelo valor de US$ 250 milhões.

No dia 9 último, a petrolífera estatal disse que finalizou a venda de 100% de suas participações em quatro campos terrestres, localizados na Bacia do Tucano, no interior do estado da Bahia, para a Eagle Exploração de Óleo e Gás Ltda (Eagle).

No começo deste mês (03/12), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que o programa de desinvestimentos da Petrobras “está contribuindo para desenvolver uma nova indústria de petróleo no Brasil, mais vibrante, e também para a criação de duas novas indústrias – a de refino e a de gás natural”. Talvez essa vibração ocorra somente para o lado do comprador das fatias da empresa, a preço de banana, porque os combustíveis continuam disparando para o consumidor brasileiro.

A Petrobras também acelera a venda das refinarias, o que deixará o País refém do refino no estrangeiro e isso, estrategicamente, é um tiro mortal na soberania nacional.

A diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras, Anelise Lara, comunicou a venda de oito, do total de 13, das refinarias administradas pela estatal. Segundo ela, os desinvestimentos da Petrobras recairão sobre a metade da sua capacidade de refino e a transição energética, que demandará novos produtos, como o diesel renovável e o BioQAV.

Como entreguismo pouco é bobagem, a Petrobras também deu início à venda de 50% de sua participação nas concessões de Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul, denominadas em conjunto como Polo Marlim, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos.

Em tempo de Natal, a pergunta é: quem está fiscalizando de perto toda essa bilionária farra na Petrobras, qual seja, essa doação, do patrimônio público?