‘O Queiroz pagava as minhas contas, e daí?’, pergunta o presidente Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro chamou para si o ‘Caso Queiroz’ ao confessar que o ex-assessor Fabrício Queiroz pagava suas contas, ao justificar os depósitos de R$ 89 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

“O Queiroz pagava conta minha também. Ele era de confiança. Está com esse processo agora. Desde que estourou o processo eu não tenho conversado com ele. Agora, ele está sendo injustiçado também, por quê?”, afirmou Bolsonaro em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, do programa Brasil Urgente, na TV Bandeirantes.

“Tem que ser investigado e dar a devida pena se for o culpado. E não prender esposa… Quebraram o sigilo de 90 pessoas, não tem cabimento isso. Parece que o maior bandido da face da terra é o senhor Flávio Bolsonaro”, disse o presidente, referindo-se ao filho, que é senador pelo Republicanos do Rio.

Jair Bolsonaro ainda aproveitou a entrevista para desabafar ao jurar que não houve relatórios elaborados pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para a defesa do senador Flávio Bolsonaro.

“A pressão em cima meu filho é para me atingir. Não é só em cima do meu filho, é em cima de esposa, de ex-mulher, outros filhos, parentes meus, amigos que estão do meu lado. Você vê essa questão da Abin. Estive com o General Heleno, perguntei se alguma coisa foi feita e ele falou ‘não'”, jurou o presidente.

Quanto aos R$ 89 mil depositados por Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente disse que não dá R$ 750 por mês em dez anos.

“Vamos apurar? Vamos. Mas cada um com a sua devida estatura. E não massacrar o tempo todo como massacram a minha esposa, como eu falei desde o começo, que aquele cheque do Queiroz, ao longo de dez anos, foram para mim. Não foram para ela. Divide aí, Datena, R$ 89 mil por dez anos. Dá em torno de R$ 750 por mês. Isso é propina? Pelo amor de Deus”, minimizou Jair Bolsonaro.

Ao confessar que o Queiroz pagava suas contas, Bolsonaro chama para si o processo. Porém, por conta do cargo, o presidente só poderá ser investigado depois que deixar o Palácio do Planalto porque o delito não ocorreu no curso do atual mandato.

Portanto, a declaração de Bolsonaro na entrevista a Datena foi uma linha de defesa milimétricamente calculada.

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