Manaus se fecha e prova que não existe imunização de rebanho para Covid-19

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Em setembro passado, alguns estudos sugeriram que Manaus atingiu imunidade de rebanho contra covid-19, porém, três meses depois, um decreto estadual recrudesceu e proibiu a abertura do comércio não essencial por 15 dias, o que motivou protesto neste sábado (26) na capital amazonense.

Há três meses, Manaus era a cidade que supostamente tinha alcançado a imunidade de rebanho, o que os cientistas explicavam pela elevada taxa de mortalidade na região e a rápida queda no número de novas transmissões. Mas o aumento de casos e mortes por Covid-19 fez o governo agir neste fim de ano.

O decreto estadual que proíbe a abertura do comércio não essencial por 15 dias, em vigor neste sábado, visa frear alta de casos e internações por Covid-19, segundo governo.

Até esta sexta-feira (25), mais de 5,1 mil pessoas morreram com a doença no estado, e quase 600 encontravam-se internadas. A média móvel de mortes por Covid-19 do Amazonas, nesta sexta, apresentou alta.

Segundo o governo, o hospital referência para tratamento da doença, Hospital Delphina Aziz, tem quase 100% de ocupação de leitos clínicos e UTI.

Comerciantes protestam contra o fechamento

Lojistas manauaras foram às ruas na manhã de hoje contra o fechamento de serviços essenciais. Entre palavras de ordem, caminhada e hino nacional, eles exigiram a suspensão do decreto estadual.

Somado ao protesto dos comerciantes, que querem faturar neste fim de ano, os manifestantes também se levantaram contra o aumento salarial de mais de 50% aprovado pela Câmara Municipal de Manaus para o novo prefeito e vice. Os vereadores também aprovaram o aumento do próprio salário, além de secretários e subsecretários, a partir de 2022.

Na verdade, o “aumentão” que os políticos de Manaus se deram –como presente de Natal– é o mesmo que prefeito, vereadores e secretários municipais se deram em São Paulo. O prefeito Bruno Covas (PSDB) sancionou aumento de 46% de aumento para eles, enquanto os trabalhadores sofrem com o desemprego e os que estão empregados terão um reajuste abaixo da inflação a partir de 1º de janeiro de 2021.

Amazonas teme novo colapso na saúde

O estado do Amazonas viveu o pior período da doença entre abril e maio, quando o sistema público de saúde entrou em colapso com quase 100% dos leitos de UTI ocupados. Na época, a capital também sofreu com colapso no sistema funerário, e teve corpos enterrados em valas comuns.

Três meses após flexibilização da quarentena, entre junho e setembro, o governo voltou a fechar estabelecimentos por conta de alta no número de internações pela doença. Foi proibida a abertura de bares, flutuantes, praias, entre outros locais de recreação.