Inflação em novembro é maior desde 2015, diz IBGE

A inflação de novembro ficou em 0,89% com a influência da alta nos preços dos alimentos e dos combustíveis. O percentual é mais alto do que o resultado de outubro, quando ficou em 0,86%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse é o maior resultado para um mês de novembro desde 2015. Naquele momento o indicador atingiu 1,01%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (8), pelo IBGE.

Inflação sem consumo significa que o País vive uma profunda depressão econômica. É quando há produção, mesmo que baixa, mas o consumo não existe na mesma proporção. A alta taxa de desemprego extermina a massa salarial necessária para que as pessoas comprem e vendam produtos, bens e serviços. Esse cenário combina recessão prolongada, falência de empresas e desinvestimentos públicos e privados.

A diferença entre novembro de 2015 e novembro de 2020, importante ressaltar, é que há cinco anos havia empregos e havia massa salarial para o consumo das famílias. O poder de compra foi corroído pelo movimento de golpe de Estado, que derrubou Dilma Rousseff (PT), e pelo “ajuste” do capital em cima do trabalho. Ou seja, as reformas trabalhista e previdenciária liquidaram parte da macroeconomia nacional, limitando a circulação de dinheiro, concentrando-o nas mãos de poucos.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,13% e, em 12 meses, de 4,31%, o que significa que é maior do que os 3,92% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2019, o indicador havia ficado em 0,51%.

Conforme o IBGE, faltando um mês para o fechamento do ano e com o acumulado de 4,31% em 12 meses, a inflação está dentro da meta do governo e próxima ao centro da meta, atualmente estipulada em 4,0%, com margem de 1,5% de tolerância, para mais ou para menos. O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, informou que esse acumulado ainda está influenciado pela inflação forte de dezembro do ano passado por causa das carnes. “Vamos ter que esperar para ver como vai ser o comportamento de dezembro deste ano”, apontou.

O gerente disse que o cenário de novembro é parecido com o notado nos últimos meses, em que o grupo de alimentos e bebidas continua impactando bastante o resultado. “Dentro desse grupo, os componentes que mais têm pressionado são as carnes, que nesse mês tiveram uma alta de mais de 6%, a batata-inglesa, que subiu quase 30% e o tomate, com alta de 18,45%”, disse.

Os preços de outros produtos importantes na cesta das famílias também subiram, como o arroz (6,28%) e o óleo de soja (9,24%). Após as altas, o grupo de alimentos e bebidas variou 2,54%. Outras variações positivas foram da cerveja (1,33%) e do refrigerante e água mineral (1,05%) consumidos fora do domicílio. Esses dois produtos tinham registrado queda em outubro.

Em síntese, o que o IBGE quis dizer é que o país está mergulhado na depressão econômica. Graças ao governo Jair Bolsonaro e as patifarias do ministro Paulo Guedes (Economia).

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