Haddad sobre Bolsonaro ganhar prêmio de corrupto do ano: “Reconhecimento tardio e parcial”

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O ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ironizou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que nesta quarta-feira (30) foi eleito a ‘Pessoa Corrupta do Ano de 2020’ pela Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP).

“Muito injusto o prêmio ‘corrupto do ano’ para Bolsonaro. Por que ‘do ano’? A família passou 28 anos desviando recursos públicos. Reconhecimento tardio e parcial”, escreveu o petista no Twitter.

A OCCRP é uma plataforma de jornalismo investigativo independente que analisa e reporta casos de crime organizado e corrupção em países da Europa Oriental, Ásia Central e América Central.

“Eleito após o escândalo ‘Lava Jato’ como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a Amazônia”, descreveu o site oficial da organização como justificativa para o título de ‘Pessoa Corrupta do Ano de 2020’ para o presidente brasileiro.

Segundo o texto do OCCRP, Bolsonaro venceu ‘por pouco outros dois líderes populistas’. Seriam eles Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia. “Ambos os finalistas também lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de Justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia”.

Ainda são citadas as ligações de Bolsonaro com pessoas acusadas de participação em esquemas de desvio de dinheiro, como seu filho, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella.

O senador Flávio Bolsonaro foi denunciado no dia 4 de novembro pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A acusação é de desvio de recursos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Para o órgão, Flávio era o líder, na época em que foi deputado estadual, de uma organização criminosa que coletava parte dos salários de funcionários do parlamentar.

Já Crivella, segundo acusação do MPRJ, integrava uma organização criminosa que recebia propinas de empresas que tinham valores a receber da prefeitura. Ele foi preso no último dia 22.

“Quando personalidades dos órgãos jurídicos e anticorrupção do país investigaram seu filho Flávio, Bolsonaro tentou minar as investigações mudando o chefe da Polícia Federal”, diz a plataforma. A suposta interferência na PF, com a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral do órgão, foi motivo de conflito entre o presidente e o então ministro da Justiça Sergio Moro, que deixou o cargo em abril deste ano.

“A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo”, declarou o editor da OCCRP, Drew Sullivan, no texto.

Já receberam o título de ‘Pessoa Corrupta do Ano’ pela organização nomes como Nicolás Maduro (2016) e Vladimir Putin (2014).