Em editorial, Folha “chuta a boca” de Bolsonaro, mas continua apoiando o governo

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O jornal Folha de S. Paulo quer ser governo, mas não quer o ônus do presidente Jair Bolsonaro.

Em editorial, o jornalão paulistano não economiza adjetivos para qualificar o presidente: estúpido, assassino, irresponsável, delinquente, moleque, sabotador, patife, homicida.

Na guerra das vacinas, a Folha tomou as dores do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e chama Bolsonaro de “sabotador” de medidas sanitárias.

Os xingamentos da Folha é para engabelar o setor médio porque, na calada da noite, a publicação continua bolsonarista no que é essencial: a economia.

O que une a Folha e Bolsonaro chama-se Paulo Guedes, representante dos bancos e dos especuladores no governo.

Bolsonaro e Guedes destruíram a economia bem antes da pandemia, mas, até agora, a Folha segue apoiando a criminosa política econômica do governo.

Defendo a vacinação já, a exemplo da Folha, mas reprovo o projeto neoliberal em curso e a “República dos Bancos” sustentados com recursos da União.

Já a velha mídia defende a vacina, mas que o dinheiro de todos nós vá para as burras de banqueiros e rentistas.

Os veículos de imprensa da mídia corporativa brasileira, hoje, especulam com a notícia porque eles funcionam como braços de fundos de investimentos (PagSeguro, Ton, Pactual, Empiricus, XP Investimentos, etc.).

Portanto, o discurso malcriado da Folha não convence a mim. O jornalão defende a continuidade das desgraças atuais para o País, excetuando na questão da vacina.

Folha, Bolsonaro e Guedes marcham juntos para retirar direitos dos trabalhadores, desinvestir recursos públicos para “sobrar” o orçamento aos bancos, privatizar estatais, acabar com a aposentadoria e pensões, reduzir salários e precarizar a mão de obra, enfim, promover o desemprego de metade da população economicamente ativa.

A Folha “chuta a boca” de Bolsonaro, mas não quer deixar de ser governo. Ela sonha com um Rodrigo Maia da vida na Presidência da República, mais refinado, porém com as mesmas canalhices econômicas de Guedes e Bolsonaro. Ou seja, uma troca de seis por meia dúzia.

Abaixo, leia a íntegra do editorial da Folha:

Vacinação já

Passou de todos os limites a estupidez assassina do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia de coronavírus. É hora de deixar de lado a irresponsabilidade delinquente, de ao menos fingir capacidade e maturidade para liderar a nação de 212 milhões de habitantes num momento dramático da sua trajetória coletiva. Chega de molecagens com a vacina!

Mais de 180 mil pessoas morreram de Covid-19 no Brasil pela contagem dos estados, subestimada. A epidemia voltou a sair do controle, a pressionar os serviços de saúde e a enlutar cada vez mais famílias. Trabalhadores e consumidores doentes ou temerosos de contrair o mal com razão se recolhem, o que deprime a atividade econômica. Cego por sua ambição política e com olhos apenas em 2022, Bolsonaro não percebe que o ciclo vicioso da economia prejudica inclusive seus próprios planos eleitorais.

O presidente da República, sabotador de primeira hora das medidas sanitárias exigidas e principal responsável por esse conjunto de desgraças, foi além. Sua cruzada irresponsável contra o governador João Doria esbulhou a confiança dos brasileiros na vacina. Nunca tão poucos se dispuseram a tomar o imunizante, segundo o Datafolha.

Com a ajuda do fantoche apalermado posto no Ministério da Saúde, Bolsonaro produziu curto-circuito numa máquina acostumada a planejar e executar algumas das maiores campanhas de vacinação do planeta. Como se fosse pouco, abarrotou a diretoria da Anvisa com serviçais do obscurantismo e destroçou a credibilidade do órgão técnico.

Abandonada pelo governo federal, a população brasileira assiste aflita ao início da imunização em nações cujos líderes se comportam à altura do desafio. Não faltarão meios jurídicos e políticos de obrigar Bolsonaro e seu círculo de patifes a adquirir, produzir e distribuir a máxima quantidade de vacinas eficazes no menor lapso temporal.

O caminho da coerção, no entanto, é mais acidentado e longo que o da cooperação entre as autoridades federais, estaduais e municipais. Perder tempo, neste caso, é desperdiçar vidas brasileiras, o bem mais precioso da comunidade nacional.

Basta de descaso homicida! Quase nada mais importa do que vacinas já —e para todos os cidadãos.

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