Bolsonaro quer sabotar a vacinação; oposição fala em impeachment já

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O presidente Jair Bolsonaro quer exigir um termo de responsabilidade de quem for vacinado no Brasil. Além disso, ele também pretende tornar o imunizante não obrigatório. Especialistas dizem que o mandatário sabota o plano de vacinação nacional.

A medida poderá vir na Medida Provisória que será editada nesta terça-feira (15), que ainda abrirá crédito de R$ 20 bilhões para a compra de vacinas contra a Covid-19.

A proposta do governo para a vacinação gerou protestos de autoridades sanitárias, pois eles alegam que nenhum país do mundo se comportou assim –exigindo termo de responsabilidade.

“Extremamente infeliz e irresponsável essa fala do presidente quanto a uma medida provisória que vai exigir de indivíduos que tenham interesse em se vacinar contra a Covid assinatura de um termo de responsabilidade”, disse o advogado Paulo Almeida, diretor-executivo do Instituto Questão de Ciência (IQC).

Almeida disse que não é necessário a assinatura desde que a vacina tenha aprovação, seja extraordinária, seja regular de registro de autoridades sanitárias competentes. Segundo ele, isso vai diminuir a cobertura vacinal em função da pessoa que quando for à UBS tomar a sua vacina tenha que assinar um termo.

“Eventualmente vai fazer com que várias pessoas desistam de tomar vacina por excesso de burocracia”, acredita o diretor-executivo do IQC.

O governo federal entregou no sábado (12) ao Supremo Tribunal Federal um plano de imunização com previsão de 108 milhões de doses para grupos prioritários.

A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o programa nacional de imunizações, afirmou que parece que o presidente não quer que a vacina aconteça no país. “Ele está jogando contra a população que quer buscar a vacinação”, disse. “O presidente coloca que a vacina não é importante, que a vacina vai fazer mal a saúde e que a população não deve se vacinar.”

Impeachment de Bolsonaro voltou à pauta

Apesar de todos os elementos para a abertura de um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) se nega a fazê-lo. “Botafogo”, como é conhecido, rechaça a acusação de ele esteja sendo omisso. “O impeachment de Bolsonaro tiraria foco da covid”, escusa-se.

Maia mente. O processo de impeachment não é aberto na Câmara porque os bancos e a velha mídia não deixam. Eles estão ganhando muito dinheiro [público, é claro] nesse ambiente turvo.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que convence o argumento de Maia de que o impeachment de Bolsonaro vai tirar o foco da pandemia.

“Se continuar com Bolsonaro, é que não haverá foco mesmo, pois é ele quem está levando o Brasil à catástrofe ao não enfrentar à covid-19 e garantir vacinação”, criticou a petista.

Gleisi afirmou que o Brasil tem a estrutura do SUS (Sistema Único de Saúde) pronta pra vacinar a população contra a covid-19, mas ainda não há plano de vacinação, vacinas, seringas e nem agulhas suficientes pra vacinar os brasileiros. “Falta o básico, afinal, a intenção desse governo é sucatear o SUS e privatizar a saúde.”

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