Bolsonaro anuncia salário de fome de R$ 1.100; DIEESE afirma que mínimo deveria ser R$ 5.289,53

O presidente Jair Bolsonaro anunciou hoje (30), em redes sociais, a assinatura de uma medida provisória (MP) que elevará o salário mínimo para R$ 1.100, com vigência a partir de 1º de janeiro. O valor atual é de R$ 1.045. Mas o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) afirma que o valor do salário mínimo deveria ser ao menos R$ 5.289,53 (projeto do mês de novembro).

“O valor de R$ 1.100,00 se refere ao salário mínimo nacional. O valor é aplicável a todos os trabalhadores, do setor público e privado, e também para as aposentadorias e pensões”, escreveu o presidente, desconsiderando a volta da hiperinflação e o aumento no preço da cesta básica.

Segundo o DIEESE, o salário mínimo de R$ 5.289,53 daria para arcar com as necessidades de saúde, alimentação, moradia, transporte e lazer –-fazendo cumprir a Constituição Federal de 1988.

Já o mínimo de R$ 1.100, anunciado por Bolsonaro, é o que podemos chamar de salário de fome.

O papo furado do governo é que o aumento do salário mínimo impactaria nas contas públicas, mas, quando o Estado é para servir bancos e rentistas, Bolsonaro afirma que é para proteger a economia [de alguns privilegiados, por óbvio].

Em meados de dezembro, o Congresso havia aprovado a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021, fixando o salário-mínimo de fome em R$ 1.088. Na proposta aprovada pelos parlamentares, não houve aumento real no salário, tendo sido feita apenas a correção com base na previsão da inflação acumulada no ano, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Ao arredondar para R$ 1.100, doze reais a mais, o presidente Jair Bolsonaro finge que aumentou o salário mínimo. Porém, o DIEESE calcula que o valor correto deveria ser R$ 5.289,53.

Resumo da ópera: os trabalhadores brasileiros estão sendo “roubados” pela quadrilha que governa atualmente.