Biden nomeia deputada indígena anti-Bolsonaro como secretária do Interior dos EUA

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A chapa promete esquentar para o presidente Jair Bolsonaro, a partir de 20 de janeiro de 2021, quando a deputada democrata Deb Haaland ocupar o cargo de secretária do Interior. Ela foi nomeada pelo presidente Joe Biden.

A futura secretária do Interior já criticou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro pela política ambiental. Ela será a primeira mulher de origem indígena a ocupar o posto.

“Eu serei forte por todos nós, pelo nosso planeta e por toda nossa área protegida”, disse Haaland, mostrando que Bolsonaro terá de rebolar nas questões da Amazônia e do Pantanal, bem como na invasão de terras indígenas brasileiras para a exploração de minérios.

Nos Estados Unidos, Haaland será responsável sobre as áreas ocupadas por quase 600 grupos indígenas no país e diversos parques, áreas públicas e de preservação ambiental, além das riquezas minerais.

Em artigo assinado em março do ano passado com a deputada brasileira Joênia Wapichana (Rede-RR) e publicado no “The Washington Post”, Haaland criticou as políticas ambientais de Jair Bolsonaro e de Donald Trump — presidente americano que deixa o cargo em 20 de janeiro.

“Os retrocessos dos governos de Trump e Bolsonaro são enormes e enfatizam a necessidade de solidariedade entre os povos indígenas e nossos aliados nas Américas do Norte e do Sul. Continuaremos a denunciar as tentativas dos governos Bolsonaro e Trump em danificar a santidade das terras sagradas e ignorar os direitos das comunidades afetadas”, escreveram as parlamentares, na ocasião.

Em setembro, durante debate nas eleições americana, Joe Biden disse que “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”. Ato contínuo, Bolsonaro classificou o comentário como “lamentável”, “desastroso e gratuito” e fez uma série de postagens críticas ao então candidato democrata no Twitter.

Agora, após reconhecer a vitória de Biden, o presidente Jair Bolsonaro pensa dar um “cavalo de pau” na diplomacia brasileira substituindo o atual chanceler Ernesto Araújo pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) no Ministério das Relações Exteriores. Mas há um empecilho interno, no Brasil, para a troca: a eleição na Câmara.

O MDB pode encabeçar a chapa apoiada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pela oposição ao governo. O nome do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) é o mais lembrado para enfrentar o Centrão, leia-se deputado Arthur Lira (PP-AL), na eleição de 1º de fevereiro de 2021.

Resumo da ópera: a questão Deb Haaland, a mudança na diplomacia, só será resolvida após a eleição na Câmara.

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