Lula livre, um ano à espera de justiça

O dia 8 de novembro de 2019 marca a saída do ex-presidente Lula da prisão no Paraná. E para lembrar a data, neste domingo, Lula participou hoje como convidado de honra de uma live especial com algumas pessoas que estiveram os 580 dias em vigília na porta da PF.

Durante os quase dois anos em que ficou preso, Lula foi acompanhado fielmente por uma coletividade de movimentos populares, partidos e militantes que não arredaram o pé até ver o ex-presidente fora da prisão.

Além de Lula, também participaram do programa os presidentes dos partidos que formam o Comitê Lula Livre: PT, PCdoB, PSOL e PCO. As equipes que se revezavam nas tarefas de comunicação, saúde, segurança, entre outras na Vigília vão fazer relatos dos processos que viveram.

“A essa altura todo mundo já deveria ter entendido que minha prisão não teve nada a ver com um processo jurídico… Nunca entendi aquilo como uma prisão, sempre soube que era um interdito pra que eu não fosse candidato. Pra impedir o povo de me eleger presidente”, disse Lula.

Lula não deixou passar despercebido dos brasileiros a dobradinha política entre o apresentador Luciano Huck, da Globo, e o ex-ministro Sérgio Moro.

“Agora tentam preparar uma chapa Huck/Moro… Cada hora inventam uma coisa. A única coisa que eles não admitem voltar é o PT e o Brasil da inclusão social”, afirmou. “Basta ver meu habeas corpus que está há dois anos esperando julgamento. Porque politicamente pra eles não é conveniente”, completou o ex-presidente.

Uma vigília inédita

Desde o momento da prisão de Lula, a Vigília Lula Livre se instalou nos arredores da Polícia Federal em Curitiba, marcada por enfrentamentos desde o primeiro dia, quando foram recebidos violentamente pela Brigada Militar. Diariamente saudaram Lula três vezes ao dia com os famosos “Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite, presidente Lula”. O próprio ex-presidente declarou que esta atitude simples era um alento e lhe dava forças para seguir batalhando por sua liberdade.

Após 580 dias de resistência numa experiência inédita no país e no mundo, Lula foi solto e assim que colocou os pés fora da sede da Superintendência da Polícia Federal reafirmou que continuaria a luta por sua liberdade plena e a restituição de seus direitos políticos.

Desde então, a campanha Lula Livre ganhou a consigna #AnulaSTF que tem mobilizado ativistas no Brasil e no mundo para que o Supremo Tribunal Federal anule os processos contra o ex-presidente baseado na suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.

Assista ao vídeo –reencontro da Vigília Lula Livre

Lula recebe carta de membros da Vigília Lula Livre

08 de novembro de 2020

Estimado presidente Lula,

Hoje completamos um ano de uma das grandes vitórias populares no Brasil. Sua saída da prisão de Curitiba representou a derrota do cárcere, da ira elitista, patrimonialista e antinacional das elites brasileiras.

Mais que isso, significou uma primeira derrota de um governo que vê a mensagem de Lula – de soberania nacional, de defesa dos trabalhadores –, como uma grande ameaça e contraponto.

É uma vitória ainda limitada das forças populares, afinal queremos Lula Livre por inteiro, com a anulação dos processos, com todos os seus direitos políticos reconquistados e com o fim da perseguição iniciada com a Lava Jato.

Está aqui é mais uma simples carta, presidente. Mais uma.

Durante 580 dias, foram inúmeros textos, mensagens de megafone, comunicados da Vigília Lula Livre com você, com a América Latina e com o mundo. Na garganta, no grito, na corda do violão, no palco de improviso.

Aquele pequeno cruzamento de ruas, no alto da chamada república de Curitiba, fez dela a república popular, ponto de encontro de milhares de lutadores e lutadoras de todo o país que passaram por lá, trazendo abraços, solidariedade, calor humano.

Aquela esquina da vigília em um bairro pacato, a partir da sua prisão política, virou um dos centros da luta e da resistência contra o golpe no País. A Vigília foi também um desenho da democracia participativa que ainda queremos construir. Rodas de Conversa, refeições coletivas todos os dias, doações, debates, cultura, apresentações e ações.

Não há ainda livro capaz de registrar tudo o que aconteceu diariamente naquele pequeno congresso popular da legítima resistência. A pluralidade e cores dos atos inter-religiosos de todos os domingos é o reflexo do País que devemos ser, sem intolerância, sem machismo, racismo, LGBTfobia e sem toda essa perseguição ao nosso povo que vemos nos dias de hoje.

Às vezes lotada de gente nos dias de ações, ou então com bravos militantes no cotidiano, de domingo a domingo, a cada bom dia, boa tarde e boa noite presidente Lula, a Vigília Lula Livre foi uma experiência organizativa da classe trabalhadora brasileira. Ficará para a História das lutas de nosso povo.

A Vigília aprendeu com as suas mensagens, com o seu ânimo mesmo numa situação tão desfavorável. Com a capacidade de persistência e crença na luta política. E a Vigília também ensinou que a solidariedade é o principal valor dos revolucionários. É o mesmo valor que temos visto nas ações de solidariedade em cada periferia desse país em tempos de profunda crise. Não é a direita, não é o neofascismo que está em cada bairro contribuindo para amenizar a fome ou ajudando a organizar o povo. Somos nós, os filhos da Vigília, uma geração de militantes que enfrenta e tem diante de si os desafios de uma crise de destino da nação. São os movimentos populares e sindicais ali presentes os portadores da mensagem de necessária reforma agrária e soberania alimentar para nosso povo.

Uma geração que cresceu em um País extremamente desigual, mas que viu desde 2003 o seu governo apontar um sentido de futuro. Uma perspectiva.

Hoje vivemos um período de ataques contra os trabalhadores e trabalhadoras, de tentativa de retirar o papel do Estado nos investimentos públicos, e de ataques contra a democracia. E mesmo assim, sua mensagem a cada quinta-feira, nos dias de visitas de personalidades, era uma mensagem nítida, e estimuladora sobre a necessidade de retomada de um projeto de País, cujos empregos e indústria estavam sendo destruídos por Fake news, Lava Jato e pelo neofascismo.

A sua tenacidade, de quem suportou finais de semana sem uma única visita, em situação de solitária, que encarou dolorosas perdas de entes queridos, foi inspiradora para crescer as vozes de indignação também em outros países.

Vemos a retomada da democracia na Argentina e na Bolívia, a resiliência do povo chileno há um ano nas ruas até a aprovação de uma necessária Constituinte.

Companheiro Lula, estamos novamente ombro a ombro. A pandemia nos impõe o necessário distanciamento social, mas os nossos sonhos seguem cada vez mais próximos. O que parece distante, pode ficar perto. O que é derrota, pode virar um contra-ataque, o que parece solidão, pode dar lugar ao reencontro dos companheiros.

Os milhares de militantes que passaram pela Vigília Lula Livre estão dispostos para reconstruir o Brasil.

O que era visto como uma prisão e um longo período de inverno, abriu a chance do sol naquele 8 de novembro de 2019. Aqueles abraços e choros do dia 8 de novembro, seguem em nós como sementes para reconquistarmos um País desenvolvido e justo com aqueles que mais precisam, para construirmos o Brasil de nossos sonhos.

Um forte abraço dos companheiros e companheiras da Vigília Lula Livre

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