Volta às aulas presenciais, não: professores deflagram greve segunda-feira no PR; assista ao vídeo

O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, convocou neste sábado (17), durante entrevista ao Blog do Esmael, greve dos trabalhadores na educação básica do Paraná a partir de segunda-feira (19). O movimento paredista é contra o retorno das aulas presenciais no curso da pandemia, enquanto não houver a vacinação, porém as aulas remotas e online continuarão normalmente.

Segundo o dirigente da APP-Sindicato, a greve de segunda-feira próxima será diferente porque é contra a presença física dos educadores nas escolas. “É em defesa da vida, não por salários”, explica Professor Hermes Leão. “Nós não vamos parar de trabalhador, mas iremos fazê-lo online e remotamente para evitar o contágio”, disse na entrevista.

O presidente da entidade representativa dos educadores afirmou que o governador Ratinho Junior (PSD) e o secretário da Educação, Renato Feder, não têm projeto pedagógico algum na circunstância da pandemia. De acordo com o educador, o estado tem hoje um dos maiores índice de evasão escolar do País. “É vergonhoso, são de 70 a 100 mil desistências de alunos”, criticou Hermes, que informou existir 1 milhão de estudantes matriculados na rede pública composta por 2,1 mil escolas.

Em seu site, a APP-Sindicato denuncia que o governo planeja voltar às aulas presenciais em 56 escolas de 30 municípios já nesta segunda-feira (19) e isso motivou a deflagração da greve na categoria.

“A convocação foi determinada pelo governador Ratinho Junior e pelo empresário Renato Feder, secretário da Educação e do Esporte, para a oferta de atividades extracurriculares durante a pandemia”, denunciou o presidente da APP, que informou estar estudando medidas jurídicas e políticas para embargar a “irresponsabilidade” do governo do Paraná.

Hermes Leão lembrou que o Paraná já tem cinco mil mortos pelo coronavírus e espera que esse número não aumente com a volta às aulas presenciais determinada pelo governo do estado. “A greve é em defesa da vida e foi aprovada na assembleia do dia 12 de setembro”, reforçou.

Além das medidas judiciais que estão sendo estudadas, o presidente disse que a APP-Sindicato está fazendo um “corpo a corpo” com prefeitos e deputados para não haver retomada das aulas presenciais sem a segurança necessária. Hermes Leão analisou que a retomada das aulas com protocolos excessivos, sem a vacinação, compromete o aprendizado.

“O governo deveria ter aproveitado a pandemia para estimular a leitura em família, não o fez”, criticou o dirigente do sindicato. Ele também abordou as suspeitas nas contratações da Secretaria de Estado da Educação (SEED), que, segundo ele, se transformou num balcão de negócios para ONGs e entidades do terceiro setor.

Professor Hermes Leão também lamentou a jornada triplicada de professores, que estão trabalhando no atual sistema de ensino à distância. De acordo com o presidente da APP-Sindicato, o governo implantou esse modelo sem diálogo algum com os profissionais e a comunidade escolar. “São medidas que triplicaram a jornada dos docentes e excluíram muitos estudantes que não têm acesso às tecnologias e internet”, protestou. “O aparato estatal –TV Educativa e internet por fibra óptica da Copel– deveria estar a serviço da educação e das escolas”, disse.

Assista a íntegra entrevista do Professor Hermes Leão ao Blog do Esmael:

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