PT eleva a temperatura e pede para o STF anular condenação de Lula

O Partido dos Trabalhadores (PT) está aproveitando a intromissão do ex-ministro Sérgio Moro no Supremo Tribunal Federal –e no Congresso– para pedir à Corte a anulação da condenação do ex-presidente Lula.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), assumiu a linha de frente da campanha pela suspeição do ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro, no caso tríplex, que levou Lula à prisão –mesmo sem provas e sem condenação transitada em julgado.

“Moro prendeu Lula, retirou-o da eleição, foi fundamental para eleger Bolsonaro e virou ministro dele. Impossível não reconhecer sua suspeição. É hora do Supremo Tribunal Federal mostrar que não protege juízes que descumprirem a lei. #AnulaSTF

Deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), no Twitter

A hashtag #AnulaSTF foi uma das mais comentadas e compartilhadas nas redes sociais nesta terça-feira (13).

A temperatura se elevou hoje pela revelação do site The Intercept Brasil de que o procurador Deltan Dallagnol, ex-chefe da Lava Jato, agiu nos bastidores para indicar a juíza substituta de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Gravíssima denúncia do @TheInterceptBr de lobby de Deltan p/ emplacar juiz do agrado no lugar de Moro. Essa interferência em outro poder é inadmissível e mais um abuso de autoridade. CNMP vai fazer vistas grossas de novo ou vai apurar a politização do MP?”

Gleisi Hoffmann, reportando à gravíssima denúncia do Intercept.

Os procuradores da força-tarefa em Curitiba quiseram garantir alguém de seu time enquanto Moro assumiu o cargo de Ministro da Justiça, no governo de Jair Bolsonaro, que ele acabara de ajudar a vencer a eleição de 2018.

Segundo áudios obtidos pelo Intercept, o Ministério Público Federal do Paraná interferiu em outro poder, no caso o Judiciário, para fazer lobby por um juiz de seu agrado na Lava Jato.

A Lava Jato acabou convencendo o TRF4 indicar o juiz federal Luiz Antônio Bonat no lugar de Sérgio Moro, mas a ideia de um triunvirato sugerida por Deltan não prosperou.

Segundo o Intercept, a força-tarefa ‘empurrou” o atual juiz da Lava Jato para impedir que o catarinense Julio Berezoski Schattschneider assumisse o cargo deixado por Moro. Julio era considerado “um cara horrível” por Deltan Dallagnol.

A sucessão do então anunciado ministro da Justiça, na Lava Jato, se deu pelo critério da antiguidade. Bonat tem 64 anos.

Além dessa bronca divulgada pelo The Intercept Brasil, há também essa do “André do Rap”. A TV Globo quer aproveitar um fato legal, previsto na lei, para retomar a agenda punitivista. A emissora tenta encetar a campanha do ex-ministro Sergio Moro rumo à Presidência da República, em 2022. Para dar palanque a ele, no entanto, os Marinho têm que subir nas costas do STF e do Congresso.

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