Papa Francisco abençoa casamento gay em filme no Festival de Cinema de Roma

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O Papa Francisco afirmou em um filme que entra em cartaz nesta quarta-feira (21), na Itália, que os homossexuais precisam ser protegidos por leis de união civil. Foi a forma mais clara que Francisco já usou para falar de direitos dos LGBTIs.

O casamento gay e a união civil entre homossexuais foi transformado em plataforma política de movimentos de extrema direita e muitos líderes se aproveitam desse tabu para pregar o ódio, a exemplo do que ocorre no Brasil e alguns países mais atrasados do mundo. Nesse debate, há mais hipocrisia que vã filosofia pode imaginar.

“As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso”, diz ele no documentário “Francesco”.

“O que precisamos criar é uma lei de união civil. Dessa forma eles são legalmente contemplados. Eu defendi isso”, ele afirmou.

A fala do papa surge na metade do filme. Ele discorre sobre temas com os quais se importa, como o ambiente, pobreza, migração, desigualdade racial e de renda e pessoas mais afetadas por discriminação.

Sobre o filme Francesco

Racismo, mudança climática, migração, abuso sexual, polarização política, relações entre judeus cristãos e muçulmanos … o novo documentário “Francesco” do diretor Evgeny Afineevsky, um judeu americano de origem russa, é apresentado hoje no Festival de cinema em Roma, mas já se fala em uma (quase) novidade, a abertura do Papa às uniões civis entre homossexuais.

Numa entrevista ao diretor, o Pontífice afirma em espanhol: “Os homossexuais têm direito a permanecer em família, são filhos de Deus. Ninguém pode ser expulso de uma família e por isso não se pode tornar a sua vida infeliz. que temos que fazer é uma lei de convivência civil, eles têm o direito de estarem legalmente protegidos”.

A abertura de Bergoglio às uniões civis gays não é, de fato, inteiramente nova. Em várias ocasiões, este Papa, ao reiterar que o casamento é a união entre um homem e uma mulher, não condenou a homossexualidade. Sobre as uniões civis, em todo caso, Francisco confirma no documentário uma posição aberta a respeito de várias conferências episcopais – a começar pela norte-americana – e do próprio Vaticano.

Assista ao vídeo com o anúncio do filme “Francesco”:

União civil e casamento gay, tudo a ver

O Papa Francisco já demonstrou ter interesse em dialogar com católicos LGBTIs, mas geralmente suas mensagens são a respeito de acolher esses fiéis.

Ele já deu sinais velados que poderiam ser interpretados como uma opinião favorável à união civil.

Quando Cristina Kirchner era a presidente da Argentina, o país legalizou o casamento gay. Na época, ele ainda não era o papa, mas, sim, o cardeal Jorge Mario Bergoglio.

Segundo um texto de 2014 da agência “Religion News Service” (RNS), Bergoglio chegou a dizer que estava aberto a aceitar a união civil como uma alternativa ao casamento entre pessoas do mesmo gênero.

Entretanto, união civil (para os homens e para os bens) e casamento (para Deus) são sinônimos e praticamente a mesma coisa. A Igreja Católica só deu mais um passo para reconhecer a realidade: a existência de relacionamentos entre homens e homens, mulheres e mulheres e até o “poliamor” –que é a possibilidade do multirrelacionamento consentido entre as partes.

Estreia do documentário Francesco

O filme foi exibido no Festival de Roma nesta quarta-feira. No domingo (25), ele deverá passar nos EUA pela primeira vez durante o Savannah Film Festival.

O diretor Evgeny Afineevsky acabou as gravações em junho de 2020. O filme fala de temas como a pandemia, racismo e abuso sexual. Há temas geopolíticos também, como a guerra na Síria e na Ucrânia.

Segundo o jornal argentino “La Nación”, o filme mostra um italiano gay que vive em Roma. Ele tem três filhos, e relata que uma vez escreveu ao papa e pediu para enviar suas crianças à paróquia, mas que tinha receio de que as crianças fossem discriminadas.

O homem afirma que o Papa Francisco o incentivou a mandar os filhos à Igreja e nunca disse qual era a opinião dele sobre a família formada por pais gays e que, apesar de a doutrina não ter se alterado, a maneira de lidar com o tema mudou radicalmente.