Fila por comida em SP é o retrato do governo da fome de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro faz um governo da fome, da miséria e do desemprego. Dito isso, a fila por comida em São Paulo assusta quem olha, pois não é só sem tetos e moradores de rua que recorrem a um prato de comida. Pelo contrário. Já há gente de classe média nessa fila.

Reportagem da BBC Brasil ficou impressionada com a quantidade de pessoas que se aglomeram, todos os dias, em fila para receber refeição distribuída por padres franciscanos no largo São Francisco, no centro de São Paulo.

A fila por comida dobra o quarteirão no largo e nem sempre as pessoas respeitam a regra de usar a máscara contra o coronavírus –além da aglomeração óbvia.

Porém, a iniciativa dos padres do Núcleo de Prevenção e Informação de combate ao “Corona Vírus” –como dizem os religiosos paulistanos– é uma denúncia explícita do perverso modelo econômico neoliberal de Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes.

O governo privilegiou durante a pandemia os bancos em detrimento da produção e do emprego enquanto reservou o desemprego, a fome, a miséria e o desespero para os trabalhadores brasileiros.

A fila da fome em São Paulo, mostrada pela BBC, é apenas a ponta do iceberg dessa miséria aprofundada com a carestia, o aumento dos alimentos nos supermercados, e o desalento.

Bolsonaro ainda contribuiu com desespero e com a fome ao reduzir o auxílio emergencial para R$ 300 e, no começo do ano, o fim da ajuda poderá deixar 21 milhões de pessoas sem o que comer. É o desespero, caro leitor. É a fome.

A promessa da Renda Cidadã, que extinguirá o Bolsa Família, poderá ainda tirar milhões de pessoas do programa e vitaminar outro substituto somente para fins eleitorais, ou seja, vai tirar dos pobres para entregar aos mais pobres enquanto os ricos continuarão rindo da sua cara.

‘Não é só o pessoal de rua’

O padre José Mario Ribeiro sai da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Tatuapé, na Zona Leste da capital, ao lado de outros 12 voluntários, para entregar 1400 marmitex na praça da Sé, no centro. Segundo ele, hoje o número de refeições é sete vezes maior que no início do ano.

“Não é mais só o pessoal de rua. A gente está percebendo que muitas pessoas passam para buscar por estarem desempregadas e estarem com fome. Ontem mesmo um senhor me disse que trabalhou o dia inteiro sem comer e que estava nos esperando para pegar uma marmita que seria a única refeição dele”, disse o padre em entrevista à BBC News Brasil.

“Antes da pandemia, a gente doava cerca de 400 a 500 marmitas. Se a gente fizer 2 mil hoje, acaba tudo”, completou o padre.

Mais de 3 mil refeições por dia

“A gente tinha um público 100% de população de rua, mas ele foi mudando. Hoje há muitas pessoas que vivem em ocupações, gente que tem casa e não tem condição de comprar uma refeição. São pessoas que faziam bico e não tem mais, que não tem mais carteira assinada. Tem pessoas desesperadas imaginando como vão sobreviver quando terminar o auxílio emergencial”, afirmou o Frei João, da Tenda Franciscana.

O religioso disse que o início da pandemia, em março, marcou o começo de uma explosão de pessoas em busca de comida no centro de São Paulo.

A 300 metros da Praça da Sé, padres franciscanos e voluntários distribuem todos os dias na hora do almoço 1200 refeições e outras 1200 no jantar no largo São Francisco. Além de outras 300 marmitex no Glicério e 400 refeições no chamado Chá do Padre.

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