Ex-policial envolvido no assassinato de George Floyd é solto

O ex-policial Thomas Lane, 37, um dos quatro policiais envolvidos no assassinato do negro George Floyd, em Minneapolis no mês de maio, foi libertado da prisão após pagar fiança no valor de US$ 750 mil — mais de R$ 3,7 milhões.

Lane é um dos três agentes que participaram da ação policial que gerou a morte de Floyd. O quarto é Derek Chauvin, oficial flagrado com o joelho pressionado sobre o pescoço do afro-americano.

Todos eles foram demitidos da Polícia de Minneapolis. O vídeo da ação policial, amplamente divulgado por veículos de comunicação e nas redes sociais, chocou o mundo e desencadeou massivos protestos contra o racismo nos Estados Unidos e em diversos países.

Em um primeiro momento, a justiça havia determinado fiança no valor de US$ 1 milhão — cerca de R$ 4,9 milhões. No entando, baixou o valor sob a condição de que Lane não porte armas ou participe de qualquer atividade policial.

No último dia 4, durante uma audiência, o advogado de Lane, Earl Gray, argumentou que seu cliente é um novato que apenas obedeceu a Chauvin.

“O que meu cliente deveria fazer senão seguir as ordens de seu oficial de treinamento?”, disse. “Ele fez tudo o que achava que deveria fazer”, justificou.

O vídeo do assassinato mostra Lane e Kueng ajudando Chauvin a manter Floyd imobilizado junto ao chão. Thao aparece observando a cena entre os espectadores e os oficiais que seguravam Floyd.

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Por Milton Alves*

A campanha eleitoral nos Estados Unidos revelou a intensidade da polarização política e social que corta de ponta a ponta a sociedade norte-americana. Além dos numerosos e massivos protestos antirracistas e contra a violência policial, após a morte do negro George Floyd em maio, cresceu também nos últimos meses uma ativa militância de supremacistas brancos da extrema-direita.

Grupos como Boogaloo Boys e os Proud Boys [algo como ‘rapazes orgulhosos’] entraram em cena nas ruas e redes sociais com mensagens racistas, misóginas e de defesa de uma ‘segunda guerra civil’ para livrar os Estados Unidos do “globalismo”, “do socialismo”, “da agenda do multiculturalismo” e pela restauração de valores conservadores de uma ancestral “família patriarcal”.

No debate presidencial da última terça-feira (29), o primeiro entre o republicano Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden, a questão da violência política dos grupos supremacistas apareceu com destaque.

Trump mencionou os Proud Boys em uma pergunta sobre a necessidade de medidas para conter a violência dos grupos de supremacistas brancos armados. “Proud Boys – recuem e fiquem parados”, disse ele. Uma resposta dúbia e que gerou a comemoração nas redes sociais dos grupos milicianos, que interpretaram a afirmação como uma forma de encorajamento e estímulo.

Trump declarou também que a violência vinha exclusivamente de ativistas de extrema esquerda: “Alguém tem que fazer algo sobre a antifa e a esquerda, porque este não é um problema de direita”. Ou seja, o republicano tentou jogar a conta da violência nas ruas para Joe Biden e aos governadores democratas.

A campanha entra na reta final e em quatro semanas o eleitorado vai se pronunciar. Aliás, a votação via correios já começou, um mecanismo questionado por Trump e a extrema direita.

Os próximos dias serão decisivos para a sobrevivência política de Donald Trump, que tenta um segundo mandato abalado por uma condução errática e negacionista diante da pandemia do novo coronavírus [ele e a esposa foram contaminados] e pela forte crise econômica.

Trump apela abertamente para uma mobilização dos grupos extremistas com o objetivo de intimidar parcelas do eleitorado e provocar confusão nas ruas para pedir mais lei e ordem. É a aposta do republicano. Vai que dá certo…

A nova direita supremacista dos Estados Unidos:

Proud Boys
Grupo de extrema direita fundado em 2016 pelo canadense-britânico Gavin McInnes. De perfil racista, misógino e conservador. Atua contra os direitos civis de mulheres, negros, imigrantes e lgbtqia+. Defende a consigna trumpista “Make America Great Again”. Um traço do grupo é o uso de camisas polo pretas e amarelas da marca Fred Perry com bonés ou chapéus com palavras de ordem de exaltação da América Grande. Operam com violência contra as manifestações e protestos antirracistas.

Boogaloo Boys
Uma tribo urbana de extrema-direita nascida em redes sociais que tem provocado atos de violência em diversas regiões do país. Segundo o The Washington Post, o movimento ‘boogaloo’ tornou-se uma ameaça no mundo real nos últimos meses, quando as autoridades federais acusaram alguns de seus apoiadores de procurar criar o caos em manifestações em sua maioria pacíficas. Estudiosos de grupos extremistas apontam que o Boogaloo é mais uma ideologia de ação contra o establishment do que um movimento formal. O movimento não tem um líder, sede ou estrutura de comando, apenas páginas e sites nas redes sociais para a convocação e propaganda. A estética boogaloo é marcada pelo uso de floridas camisas havaianas e da exibição de armas de grosso calibre. Os boogaloo atuam praticamente como uma milícia nas ruas.

*Milton Alves é ativista político e social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT

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