Europa se fecha novamente enquanto Brasil se abre como uma flor. Quem está certo e quem está errado?

Compartilhe agora

Com o entusiasmo das redes de televisão e jornalões, o Brasil vai se abrindo como uma flor para a covid-19. O ambiente de normalidade é pregado por editorialista nestas vésperas de eleições municipais, no qual, contraditoriamente, as emissoras de radiodifusão se recusam realizar debates entre candidatos a prefeito alegando perigo de infecção.

Prefeitos, candidatos a reeleição, e a mídia corporativa fazem esforço para convencer pais, alunos e professores à retornarem às aulas presenciais mesmo sem a vacinação em massa –como querem os sindicatos dos trabalhadores na educação, a exemplo da APP-Sindicato, um dos maiores do país.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 5,27 milhões de infectadas ante 40 milhões em todo o mundo desde o início da propagação do vírus.

Ainda de acordo com as autoridades sanitárias brasileiras, desde março, o Brasil acumula 154.837 mortes até esta terça-feira (20/10).

É nesse quadro que os barões da mídia incentivam a reabertura total no Brasil.

A Europa se fecha para a covid

Enquanto isso a Europa se fecha novamente diante de 2,5 milhões de novos casos reportados nos últimos sete dias, o número mais elevado de sempre no contexto desta doença.

Com mais de 8 mil mortes registadas no mesmo período, a Europa volta aos números de meados de maio, no que diz respeito ao número de mortes.

Veja a situação por país:

Reino Unido

O País de Gales decidiu bloquear, a partir de sexta-feira e durante duas semanas, grande parte dos setores da economia, para combater a segunda onda de Covid-19, ficam de fora os essenciais.

Mark Drakeford, o primeiro-ministro galês, explicava que se trata do bloqueio “mais curto possível, mas ele terá que ser visível e profundo para ter o impacto” de que precisam “sobre o vírus”.

Isto apesar de o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, continuar a resistir aos apelos para fazer o mesmo na Inglaterra.

Bélgica

Em toda a Bélgica, bares e restaurantes estão encerrados durante um mês. O toque de recolher obrigatório, da meia-noite às cinco da manhã, entrou em vigor esta segunda-feira (19).

Henrique Martins, proprietário de um restaurante em Bruxelas diz que “as pessoas não são disciplinadas. Em alguns outros países elas se comportam bem e veem a luz ao fundo do túnel, mas aqui as pessoas não são disciplinadas”, reitera. O último relatório dá conta de mais de nove mil infetados em 24 horas, no país, e 21 mortes.

“Somos a região mais afetada em toda a Europa. Estamos muito perto de um tsunami […] onde não mais se controla o que está acontecendo. Hoje, ainda conseguimos controlar os acontecimentos, mas com enorme dificuldade e estresse”, disse o ministro da Saúde belga, Frank Vandenbroucke.

Sérvia

Em Belgrado, o exército reabriu um hospital de campanha, no interior do principal complexo desportivo da capital, para responder ao crescente número de casos.

O país tinha taxas relativamente baixas de infeção, em comparação com os Estados vizinhos, mas agora enfrenta um novo surto.

Polônia

Na Polônia o número de novos casos tem vindo a diminuir, os últimos dados dão conta de mais de sete mil contra os mais de nove mil de sábado.

Na quinta-feira, o governo tinha pedido às pessoas para “ficarem em casa” e fazerem trabalho remoto.

O uso de máscaras é obrigatório, inclusive nas ruas, de Varsóvia e de outras grandes cidades.

Há alunos, de vários graus de ensino, incluindo o universitário, que estão tendo aulas à distância.

Quem está certo, quem está errado?

O Brasil se abre nestas vésperas de eleições gerais quando 147 milhões de brasileiros irão às urnas no dia 15 de novembro.

Enquanto se discute quem está certo e quem está errado surge outra polêmica no pátria de chuteiras: a vacinação contra a covid-19 deve ser compulsória (obrigatória) ou facultativa (não obrigatória).

O presidente Jair Bolsonaro quer deixar frouxo, aberta a opção, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá obrigar a vacinação contra o vírus –inclusive no mandatário.