Eleições 2020: Partidos de esquerda lançam documento que cobra debates na TV

Os partidos de esquerda – PT, PSOL PDT, PCdoB, PSB e Rede – divulgaram um manifesto conjunto intitulado ‘Democracia derrotada’, que denuncia a ausência dos debates entre candidatos a prefeito na TV. No texto, publicado na Folha do São Paulo, neste domingo (25), os dirigentes questionam se “o interesse coletivo” ficou “à mercê da vontade política” das emissoras que detêm concessões públicas.

“Ao longo dos anos, os debates têm se mostrado momentos essenciais para o eleitor conhecer melhor os candidatos e definir seu voto”, aponta o manifesto, que é assinado por Carlos Lupi (PDT), Carlos Siqueira (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Juliano Medeiros (PSOL), Luciana Santos (PCdoB) e Pedro Ivo (Rede). “Por meio deles, dribla-se o artificialismo da propaganda eleitoral no rádio e na TV e dos sites e perfis de redes sociais dos candidatos, expondo-os a situações reais de conflito de ideias. Neste momento em que a campanha nas ruas está reduzida em razão da pandemia e que vivemos o fenômeno avassalador das fake news, tal espaço ganha importância ainda maior.”

Os dirigentes também denunciam o pretexto falacioso usado pelas emissoras para suspender os debates – a pandemia de Covid-19. “Todos os canais de TV, com algumas diferenças, mantiveram suas grades de programação, recorrendo inclusive a entrevistas e debates em plataformas digitais. Por que seria diferente justamente na campanha eleitoral?”, questionam.

Em 1º de outubro, a Band realizou a primeira rodada de debates eleitorais, reunindo candidatos às prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e entre outras capitais e municípios. Na sequência, porém, emissoras como Globo e Record cancelaram a realização de seus debates, que já tinham datas agendadas com as campanhas.

O documento diz que a vitória de Jair Bolsonaro e da extrema-direita nas eleições presidenciais de 2018 foi favorecida por sua ausência nos encontros televisivos entre candidatos. “Bolsonaro, ciente do seu péssimo desempenho e do impacto que isso teria no eleitorado, criou escusas para não participar dos debates e manter a liderança nas pesquisas. Hoje sabemos o quanto isso custou caro para a nossa democracia”, afirmam os dirigentes partidários.

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“Agora, candidatos e candidatas em situação semelhante sequer precisarão se expor a essa polêmica. Ficam dispensados de fazer o confronto democrático de ideias e propostas e de ter de responder, ao vivo, às denúncias que precisam explicar”, assinala o texto.

Segundo os partidos, “a ausência de debates também favorece os concorrentes já conhecidos pela população, que contam com o aparato da máquina pública e o apoio de grandes empresários. Ao não confrontarem seus opositores, escapam de ter que justificar números negativos de suas gestões, metas não alcançadas ou investimentos em projetos inócuos”.

Nos municípios com uma quantidade elevada de candidatos, os dirigentes propõem a realização de debates em dias alternados: “Basta, por exemplo, dividir os debates em dois dias e sortear os participantes para cada um, como já tem sido feito, com sucesso, por muitas emissoras no Brasil afora”.

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