Eleição em Belém vira ‘case’ de sucesso da frente de esquerda

Se o modelo de aliança da esquerda em Belém, no Pará, for reproduzida em 2022, muito provavelmente o próximo presidente da República não será o atual Jair Bolsonaro.

O case de sucesso é reconhecido até pelo Globo, que relata a epopeia eleitoral de Edmilson Rodrigues (PSOL), que lidera com 39% das intenções de voto a corrida pela Prefeitura de Belém.

De acordo com a última pesquisa do Ibope, o candidato do PSOL pode vencer já no primeiro turno do dia 15 de novembro.

A frente de esquerda na capital paraense reúne PSOL, PT, PDT, PCdoB, Rede e UP. O vice foi indicado pelos petistas.

“No meu palanque, estarão Ciro Gomes, Marina Silva e Fernando Haddad”, orgulha-se Edmilson Rodrigues.

Para o candidato do PSOL, a esquerda deveria estar unida, para ganhar cidades importantes, com mais de 100 mil habitantes, e também os pequenos municípios. “Isso geraria um campo forte da esquerda em 2022”, diz.

Esquerda x Bolsonaro

Em uma entrevista nesta quarta-feira (7) ao jornal espanhol El País TV, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse as eleições municipais de 2020 nada têm com as eleições presidenciais de 2022. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, resumiu a principal estrela do PT.

O próprio jornal O Globo, dos Marinho, alertou esta semana que –até para a disputa deste ano– Lula está vivinho da Silva. Não é à toa que horas depois, numa operação política no Supremo Tribunal Federal (STF), as ações penais que corriam na Segunda Turma foram transferidas para o plenário daquela corte.

O que isso significa? Ora, a Segunda Turma estava para desempatar o julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso do tríplex.

Se o colegiado reconhecesse a falta de imparcialidade do ex-magistrado da Lava Jato, Lula, que é o impetrante do habeas corpus, recuperaria seus direitos políticos e disputaria 2022. No entanto, com a decisão de ontem, o STF pode sentar em cima do processo por mais alguns anos.

Esse pedido da suspeição foi feito há quatro anos pelo ex-presidente. Ou seja, o Supremo está procrastinando na cara dura.

LEIA TAMBÉM:

Piadista, Bolsonaro diz que acabou com a Lava Jato porque não há corrupção no governo

A tropa não é a nação, por Roberto Amaral

Véio da Havan reaparece em público, ao lado de Bolsonaro, após misterioso sumiço

Moro rompe silêncio após declaração polêmica de Bolsonaro sobre a Lava Jato

Na calada da noite desta quarta (7), o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro rompeu o silêncio para fazer uma solene declaração acerca da polêmica fala do presidente Jair Bolsonaro sobre o fim da Lava Jato.

Moro disse que não tem dúvidas que as tentativas de acabar com a Lava Jato representam a volta da corrupção.

Segundo o ex-juiz, o fim da força-tarefa seria o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia.

“Esse filme é conhecido”, disse Moro. “Valerá a pena se transformar em uma criatura do pântano pelo poder?”, perguntou o há pouco ministro da Justiça.

O diabo é que Moro se entregou à velha política, em 2018, quando ele se propôs a prende Lula para facilitar a vitória de Jair Bolsonaro.

Ato contínuo, o então juiz da Lava Jato deixou a toga para se transformar nessa criatura do pântano –seduzido pela ideia de poder.

Na tarde de hoje, Bolsonaro afirmou que acabou com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo.

“Acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo”, disse o piadista dublê de presidente.

Certamente, se ainda estivesse no governo, Sérgio Moro riria da piada de mau gosto e bateria palminhas para o chefe.

Compartilhe agora