A pedido do PSDB, Lula perde título de doutor honoris causa em Alagoas

Um juiz decidiu atender ao pedido de uma candidata a vereadora pelo PSDB, nesta segunda-feira (12), e anulou o título de doutor honoris causa da UNEAL (Universidade Estadual de Alagoas), em 23 de agosto de 2017.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o brasileiro detentor de mais títulos honoris causa, nacionais e internacionais. O Instituto Lula, na missão de preservar o legado do ex-presidente, mantem um acervo com todas elas. 

“Agora, Lula só tem 32 títulos de doutor honoris causa”, ironizou Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo.

Fernando Haddad, ironizando os tucanos e adversários de Lula.

Durante seus dois mandatos, Lula recusou-se a receber quaisquer títulos de doutor honoris causa. Não queria ver o uso político dos prêmios. Apenas após deixar a Presidência foi que Lula começou a receber as homenagens.

Em cada uma das cerimônias, o ex-presidente sempre discursou lembrando as conquistas do país nas mais diversas áreas: educação, combate à fome e à miséria, emprego, crescimento da economia. 

Nenhum título honoris causa deve ser entendido como uma mera homenagem ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Cada um deles é uma homenagem às conquistas democráticas de um país.

O título de doutor honoris causa da UNEAL foi aprovado em março de 2012, após votação autônoma do Conselho Superior da UNEAL.

O Conselho decidiu aprovar a homenagem com base “nos resultados obtidos pela universidade com as políticas públicas viabilizadas durante o governo do então presidente”.

Esses resultados não foram fruto do esforço exclusivo de Lula, mas de políticas públicas pensadas durante décadas. A anulação do ato administrativo que concedeu o título a Lula tampouco anula as conquistas da UNEAL no período. 

Em nota ao UOL, a universidade citou alguns exemplos destas conquistas: “Houve a implantação do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas, que garantiu a formação de quase 76 professores indígenas, e do Programa de Licenciatura em Educação do Campo, que graduou 54 professores que atuavam no campo, entre outras ações que resultaram em inclusão social e acesso à universidade por camadas menos favorecidas da sociedade”.

Na cerimônia de 23 de agosto de 2017, já havia pressão política sobre a universidade.

O então reitor Jairo Campos discursou a favor da autonomia universitária e contra o ódio.

“Sinto-me feliz por homenagear o senhor, o homem quem mudou a história do país, mesmo com a corrente odiosa que se espalhou. Uma história que não se apaga por uma caneta do poder judiciário”, afirmou.

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