Trump indica juíza conservadora para Suprema Corte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelará ainda neste sábado (26) o nome de quem substituirá a juíza Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte dos Estados Unidos, a cinco semanas da eleição presidencial em 3 de novembro. Segundo os principais jornais norte-americanos, a escolha do republicano seria a magistrada conservadora Amy Coney Barrett.

Se essa professora de Direito, de 48 anos, for nomeada e confirmada no cargo, isso consolidará a maioria conservadora na Suprema Corte do país, que toma decisões cruciais para a sociedade americana.

Segundo vários meios de comunicação americanos que citam fontes republicanas bem informadas, Barrett seria a substituta da progressista e ícone feminista Ruth Bader Ginsburg, conhecida como “RBG”, que faleceu de câncer aos 87 anos de idade na última semana.

“Vamos anunciar alguém extraordinário. Amanhã [sábado] vai ser um grande dia”, afirmou o presidente na Virgínia.

Questionado na sexta-feira se a escolhida seria Amy Coney Barrett, Trump, que faz viagens para sua campanha eleitoral por vários estados, respondeu: “Não disse que era ela, mas ela é extraordinária”.

A rápida nomeação de uma possível sucessora a juíza Ruth Bader Ginsburg (“RGB”), que ficou conhecida por sua posições progressistas na Suprema Corte, é uma decisão polêmica para ser tomada a menos de 40 dias antes das eleições presidenciais.

O assunto certamente será um tema presente quando Trump e seu rival democrata, Joe Biden, se enfrentarem na próxima terça, no primeiro dos três debates.

O anúncio de Trump deve ser feito oficialmente neste sábado às 17h00 (21h00 GMT).

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Democratas

Os democratas, liderados pelo candidato à Casa Branca, Joe Biden, exigiram que os republicanos não preenchessem a vaga na Suprema Corte – onde os membros são nomeados para toda a vida – até depois da eleição em 3 de novembro, quando será anunciado se Trump foi ou não reeleito para um segundo mandato.

“Considerando que esta aspirante à Suprema Corte poderia ocupar o cargo por 30 anos, é nada menos que ultrajante que eles queiram nomeá-la em menos de 30 dias”, ressaltou à CNN neste sábado o senador Dick Durbin, uma alta figura democrata.

Trump, que já indicou dois juízes para a Suprema Corte durante seu mandato, foi rápido em iniciar o processo para preencher a cadeira que era ocupada por Ginsburg.

Segundo a neta de “RBG”, o último desejo manifestado por ela antes de morrer foi que quem a substituísse fosse escolhido pelo presidente eleito, após as eleições de 3 de novembro.

Esse desejo é compartilhado pela maioria dos americanos. Segundo uma pesquisa do Washington Post/ABC, 57% dos entrevistados – frente a 38% – são contra à confirmação da nova magistrada antes das eleições.

Mas os líderes da maioria republicana no Senado, encarregados de confirmar a designação dos juízes à Suprema Corte, disseram que planejam votar o caso antes das eleições ou, o mais tardar, antes da posse do novo presidente em janeiro.

“Certamente faremos este ano”, disse o líder republicano do Senado, Mitch McConnell.

A confirmação requer maioria simples e, no Senado, os republicanos superam os democratas em 53-47.

Se Barrett for confirmada, o Supremo contaria com seis juízes conservadores entre seus nove magistrados.

A escolha dessa católica praticante, mãe de sete filhos que se opõe ao aborto por convicção pessoal, pode impulsionar o eleitorado religioso conservador do qual Trump confiou fortemente em sua eleição há quatro anos.

Fontes republicanas citadas na mídia dos EUA não descartam também uma “mudança de última hora” por parte do presidente.

A outra favorita é Bárbara Lagoa, nascida na Flórida há 52 anos e filha de pais que fugiram do regime comunista de Fidel Castro, que pode vir a ser um poderoso trunfo político naquele estado do sul, bastante decisivo para a reeleição de Trump.

Trump disse a repórteres que considera Lagoa uma mulher “maravilhosa” e “hispânica”.

Grupos liberais, temerosos de uma ofensiva judicial contra o direito ao aborto e o sistema de saúde criado por Barack Obama, se opõem ao plano de colocar apressadamente uma juíza conservadora na Suprema Corte.

“Sabemos que qualquer escolha deste presidente será um desserviço ao legado da juíza Ginsburg e sua luta para garantir que as mulheres sejam tratadas de maneira justa”, afirmou Alexis McGill, presidente da poderosa organização de planejamento familiar, Planned Parenthood, em um comunicado.

Organizações pedem adiamento da nomeação

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), a principal organização de direitos humanos nos Estados Unidos, também pediu ao Senado que adiasse a confirmação somente para depois de 3 de novembro.

Trump levantou sem provas alegações sobre uma possível fraude eleitoral por voto postal, e duas vezes nesta semana se recusou a garantir uma transição pacífica do poder caso perca a eleição, aumentando as chances de uma tensa batalha legal pós-eleitoral.

Os líderes republicanos disseram que, se o resultado da eleição ficar nas mãos da Suprema Corte, todos os nove juízes serão necessários para evitar um impasse.

*Com agências internacionais

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