Greve geral contra a carestia de alimentos entra no radar da oposição ao governo Bolsonaro

Na última terça-feira (9), em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, um caminhão que tombou no km 289 da Rodovia Régis Bittencourt teve 7 toneladas de carne bovina saqueadas pela multidão.

A cena se repete em outros estados, no Rio, no Paraná, etc. Nem sempre interessa ao poder público divulgar esses eventos famélicos, por questões óbvias.

Se não fosse os olhos atentos dos brasileiros, com certeza, a velha mídia e os bolsonaristas disseminariam que esses fatos ocorreram na vizinha Venezuela de Nicolás Maduro. Mas, não. Os saques estão cada vez mais “naturalizados” diante do desemprego e da depressão econômica no Brasil.

O PT, principal partido de oposição, disse neste fim de semana que a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, somado ao desgoverno, à fome e às fake news criam um ambiente muito sinistro para o povo.

“Alta da cesta básica deixa milhões à beira da fome, mas governo Bolsonaro não identifica os verdadeiros problemas e desinformação se espalha. A cada dia uma nova mentira é inventada e propagada por seus exércitos de robôs”, alertam os petistas.

Durante alguns “apartes” virtuais que esta semana no discurso do ex-presidente Lula, proferido no 7 de Setembro, o ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) sugeriu uma campanha nacional contra o aumento de preços dos alimentos.

“Acredito que uma campanha assim, de fortíssimo apelo popular, poderia ser o ponto de partida para unificar o discurso e as ações das oposições contra o governo, que já descartou qualquer medida para impedir a alta de preços”, escreveu Requião. “Trezentos reais de ajuda emergencial ou de renda mínima… para comprar o quê? Se estávamos procurando por onde começar, que tal por aqui?”, apontou o emedebista.

Em seu portal na internet, o PT afirma que a alta nos preços da cesta básica no Brasil, com destaque para o arroz, vem acompanhada de um cenário de aumento do desemprego, elevado índice de pobreza e milhões de brasileiros encarando a fome.

“Não bastasse essa preocupante situação, a desinformação se espalha e o governo não identifica os verdadeiros problemas que levaram a isso”, afirma a página petista.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também destaca que o arroz está caro e pode subir ainda mais. A entidade representativa dos obreiros cita como fonte os próprios donos de supermercados.

“Nem patriotismo, nem lucro zero, como pediu Bolsonaro, que nada fez para segurar a disparada de preços. Supermercados dizem que tendência é de alta nos próximos 2 meses se consumo se mantiver no ritmo atual”, critica a CUT.

A Força Sindical, em seu site, igualmente menciona o preço do arroz e faz campanha pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia do novo coronavírus. “Alta do preço dos alimentos dá início a movimento político para manter auxílio em R$ 600”, reverbera.

O governo do presidente Jair Bolsonaro, no começo deste mês, anunciou a redução pela metade da ajuda. Até dezembro, o auxílio emergencial será de apenas R$ 300 por mês, enquanto os preços dos alimentos disparam.

Na próxima quarta-feira (16), todas as centrais sindicais lançam da campanha “#600 pelo Brasil, bom para o cidadão, para a economia e para o Brasil”. A tendência é que o movimento desemboque numa greve geral contra a carestia.

Para quem não está familiarizado com o termo “carestia”, bastante usado nos anos 70, 80 e 90, segundo o dicionário Aurélio significa:

  1. Falta de bens essenciais à sobrevivência; escassez de um produto em específico.
  2. [Por Extensão] Ação de encarecer o preço do custo de vida.
  3. [Figurado] Natureza daquilo que é caro.
  4. P.metonímia. Preço alto; preço que se encontra fora da realidade; preço acima do valor comum.

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O Antagonista surta com os bolsonaristas nas redes sociais; confira agora

Convertido ao lavajatismo, o site de extrema direita O Antagonista começou a provar do veneno do bolsonarismo –que apoiou contra o PT nas eleições de 2018.

Nas redes sociais, os editores do site Antagonista, que também editam a revista eletrônica Crusoé, agora chutam a boca dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o Dudu Bananinha, de acordo com a página, é associado aos “vagabundos” que retuitam a planilha mostrando O Antagonista recebendo dinheiro da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República).

“Outro vagabundo bolsonarista retuitado por Eduardo Bolsonaro, o Dudu Bananinha”, escreveu no Twitter o site de extrema direita, ao referir-se a Italo Lorenzon, fundador do site bolsonarista Terça Livre, que lembrou do passado dos “Antas”.

“A famosa planilha da Secom, usada pela Campos Mello para acusar o Terça Livre de receber dinheiro público (35 reais), mostra repasses MUITO maiores ao @o_antagonista, à @revistaforum e ao @DCM_online”, comparou Italo.

Na defensiva, o site O Antagonista prometeu devolver centavo por centavo investido pelo Palácio do Planalto em mídia programática.

“A escumalha bolsonarista está divulgando que O Antagonista recebeu dinheiro da Secom, via mídia programática (Google)”, reagiu o site lavajatista. “Não importa a quantia, ela será devolvida”, registrou a página, indicando o valor de apenas R$ 49,09. “O governo também será comunicado formalmente para que nunca mais tente anunciar no site.”

Resumo da ópera: os moços de extrema direita, lavajatistas e bolsonaristas, perderam o foco; ambos são alvos da velha mídia corporativa que quer concentrar também, além da informação, os anúncios da mídia programática digital.