Flordelis, como os Bolsonaros, também opera as ‘rachadinhas’ em seu gabinete

A deputada federal Flordelis dos Santos foi acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de manter um esquema de “rachadinhas em seu gabinete”, uma prática que consiste na devolução de parte dos salários dos funcionários para o detentor do mandato.

O material enviado pelo MP-RJ para a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, indica que a deputada ficaria com parte do salário de assessores parlamentares.

Procuradoria vai avaliar os documentos e decidir pela abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de apurar as suspeitas.

Flordelis também é acusada pela polícia de assassinar o marido, o pastor Anderson do Carmo. Segundo a conclusão do inquérito policial, uma disputa por poder e dinheiro foi a motivação do crime. Oito filhos e uma neta de Flordelis, entre biológicos, adotivos e afetivos, participaram do crime. Todos estão presos.

Esta semana, Flordelis apresentou sua defesa na Corregedoria da Câmara dos Deputados, no processo aberto para julgar a cassação de mandato.

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O Ministério Público Federal (MPF) fez um pedido à 3ª Vara Criminal de Niterói para que haja suspensão do exercício da função pública da deputada federal Flordelis dos Santos de Souza, acusada pela polícia de ser mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo.

A juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce havia negado os requerimentos de afastamento, mas o MP voltou a fazer acusações argumentando ter fatos novos. Um deles é o temor de uma das principais testemunhas do processo, Regiane Rabello.

Regiane afirmou que se sente insegura com a liberdade de Flordelis e também com a possibilidade de liberdade de um dos filhos biológicos da parlamentar, Adriano dos Santos.

Segundo o MP ainda segue a dificuldade de localização do paradeiro de Flordelis para ser citada no processo criminal respondido pela 3ª Vara Criminal de Niterói. A própria Câmara teve dificuldades em localizá-la para intimá-la do processo contra ela aberto no Conselho de Ética da Casa.

“A liberdade plena da ré Flordelis, somada ao exercício de posição de poder estatal e à incerteza e impossibilidade de se rastrear seu paradeiro – diretamente decorrentes do indeferimento das medidas cautelares requeridas – causam severa intranquilidade não apenas na testemunha que diretamente sofreu o atentado, como também em todas as demais testemunhas e nos corréus, atrapalhando sobremodo o andamento do feito e a instrução criminal. Por outro lado, a situação de embaraço à instrução e trâmite do feito é agravada pela disponibilização do aparato estatal para a ré, em decorrência da destacada posição de poder em que se encontra, diante do exercício do mandato eletivo de Parlamentar Federal.”, argumentou o promotor do MP, Carlos Gustavo Coelho de Andrade.

Polícia diz que deputada Flordelis mandou matar o marido

A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) é a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. Ela foi denunciada à Justiça por cinco crimes.

Nesta segunda-feira (24), equipes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) e do Ministério Público Estadual do Rio prenderam nove envolvidos no assassinato. Quatro filhos do casal foram presos em casa, em Pendotiba, Niterói, na Região Metropolitana. A ação desta segunda-feira foi chamada de Operação Lucas 12.

O delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, chefe do Departamento de Homicídios, afirmou em entrevista ao telejornal Bom Dia Rio que “a investigação chegou a esta conclusão: que ela planejou esse assassinato covarde. Motivação é porque ela estava insatisfeita com a forma que o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira da família”.

Flordelis não pôde ser presa na operação por ter foro privilegiado. Antônio Ricardo disse que encaminhou o caso para o Superior Tribunal de Justiça.

“O parlamentar tem a sua imunidade. Ele só pode ser preso em flagrante, por crime inafiançável. Então, ela responderá pelo crime, como mandante. E nós também pedimos medidas cautelares”, destacou o delegado.

O delegado frisou que não há dúvidas de que a deputada planejou o assassinato por questões financeiras.

“Ela planejou esse assassinato covarde. Motivação é porque ela estava insatisfeita com a forma que o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira da família” disse Antonio Ricardo.

Segundo a Polícia Civil, Flordelis foi indiciada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada. A DHNSGI encaminhará para a Câmara dos Deputados uma cópia do inquérito com o resultado da investigação, para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis. O procedimento poderá levar ao afastamento da parlamentar para que ela responda pelo crime na prisão.

Os agentes estão em endereços na capital do Rio, em Niterói e São Gonçalo, na região Metropolitana do Rio, e em Brasília, no Distrito Federal. Foram expedidos nove mandados de prisão e 14 de busca e apreensão contra 11 envolvidos no crime.

Sobre o assassinato

Anderson do Carmo foi assassinado dentro da própria casa no bairro Badu, em Niterói, no dia 16 de junho do ano passado. Na ocasião, Flordelis disse que o pastor teria sido morto durante um assalto.

*Com informações do O Globo

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