Bolsonarismo criou a ‘Capitã Cloroquina’ para disputar 2020 enquanto 132 mil morreram por covid

O presidente Jair Bolsonaro e o bolsonarismo criaram uma deformação política, moral e intelectual em parcela da sociedade brasileira que poderá levar décadas para ser consertada.

Enquanto o Brasil chora a morte de 132 mil pessoas por covid-19, a advogada Regina Célia Sequeira aproveitou a pandemia para encarnar uma personagem com vistas a disputar a eleição de 2020. Ela será a “Capitã Cloroquina” e tentará uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio.

A “Capitã Cloroquina” é uma cria política do bolsonarismo e do próprio Bolsonaro, que estimula movimentos negacionistas, anti-vacina e de uso da hidroxicloroquina como medicamento para combater o vírus– embora a droga tenha a eficácia contestada pelas autoridades sanitárias do país e do mundo.

Em entrevista ao jornal Extra, a advogada disse que viu na personagem uma forma de se destacar perante o eleitor. Em 2006, ela criou a “Super Zefa”, na disputa para a Câmara dos Deputados e teve 5.713 votos.

“Ninguém aguenta ficar sempre na mesma. Criei a ‘Super Zefa’ para dar um refresco na minha cabeça. Naquele momento, a política estava precisando de um super-herói. Me lancei antes do Tiririca (deputado federal). Depois dele, um monte de gente se veste de tudo”, disse.

Sobre a personagem deste ano, ela disse que só usaria cloroquina “em último caso” e explicou a escolha do nome.

“Eu busco, no momento do pleito, um assunto em evidência. Falar de cloroquina para mim é ótimo”, falou. “Sou bolsonarista de carteirinha”, acrescentou.

O Brasil teve 4,3 milhões de casos de coronavírus e 132.006 óbitos nesta terça-feira (14), segundo o Ministério da Saúde.

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Eleições 2020 sob risco

Observadores da política estão horrorizados com aglomerações em diversas regiões do País.

De aeroportos a praias, neste início de primavera, todos estão lotados.

Autoridades sanitárias brasileiras preveem uma nova onda da pandemia entre os dias 15 de outubro e 1º de novembro, nas vésperas das eleições municipais de 2020.

O primeiro turno das eleições deste ano foi adiado do início de outubro para o dia 15 de novembro, justamente em virtude da pandemia.

Dois governadores de estados, ouvidos pelo Blog do Esmael, dizem que a pandemia está “estável”, porém, alertam que as aglomerações podem ampliar o número de casos de infecções.

Entretanto, afirmam os governadores, o poder público está mais bem preparado para lidar com a doença e tem mais recursos materiais e humanos para esse enfrentamento.

Segundo esses mesmos gestores, ou haverá uma “imunização de manada” –e não precisará de vacina, como preconiza o presidente Jair Bolsonaro— ou não vai ter eleição em 2020.

“Quem vai mandar mãe votar?”, perguntou um entrevistado, que pediu para não ser identificado.

É bom que fique claro que não há nenhum comunicado oficial do TSE sobre novo adiamento das eleições. O tribunal sequer cogitou recuar na data do pleito, por ora.

Se as eleições 2020 forem mantidas com um quadro de avanço da pandemia, a tendência é que o número de abstenções sejam recordes. Nesse cenário, especula-se, os atuais prefeitos e vereadores mais que quintuplicam sua vantagem competitiva em relação aos adversários.