Bielorrussos voltam a se manifestar contra Lukashenko em Minsk

Milhares de bielorrussos se manifestaram nesse domingo (6) em Minsk, pelo quarto fim de semana consecutivo, pedindo a demissão do presidente Alexandre Lukashenko. Os protestos aconteceram sob forte presença da polícia e do exército.

Com tambores e as cores da oposição, vermelho e branco, os manifestantes saíram, no começo da tarde, de diferentes bairros de Minsk em um cortejo e depois se reuniram progressivamente, até formar dois grandes grupos nas ruas que levavam ao centro da cidade.

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Gritando slogans como “Tribunal!” ou “Quanto eles te pagam?” para as forças de ordem, eles se dirigiram para o palácio da Independência, residência de Lukashenko, protegido por um importante dispositivo de segurança.

Mais de 100.000 pessoas desfilaram, número superior o do fim de semana anterior.

Os manifestantes contestam a reeleição de Lukashenko, em 9 de agosto. O chefe de Estado, que está no poder há 26 anos, continua a negar qualquer diálogo com a oposição.

Como na semana passada, as forças de ordem foram mobilizadas, com canhões de água e carros blindados nas proximidades de prédios estratégicos. As estações de metrô foram fechadas com barreiras e cercas de arame farpado.

A ONG de defesa dos direitos humanos Viasna registrou a detenção de 75 manifestantes. Outros protestos aconteceram em outras cidades do país, entre elas Grodno, no oeste, onde manifestantes entraram em choque com a polícia.

“Por que a presidente eleita legalmente está refugiada em outro país?”, perguntava Nokolai Diatlov, um bancário de 32 anos, se referindo à chefe da oposição Svetlana Tikhanosvskaia, que reivindica a vitória na eleição presidencial e se exilou na Lituânia sob pressão, logo após o pleito.

“Eu fiquei chocado com a detenção e espancamento de cidadãos pacíficos (…) Eu quero novas eleições, porque nenhum dos meus amigos votou por Lukashenko”, declarou Nikita Sazanovitch, de 28 anos.

Exílio na Polônia
O regime de Lukashenko não parece recuar e continua prendendo manifestantes nas mobilizações estudantis que, por sua vez, multiplicam ações e estão em greve desde o início do ano letivo no país, em 1o de setembro. Dezenas foram presos nessa semana, uma reposta repressiva que atinge também jornalistas bielorrussos e estrangeiros.

“Lembrem-se que unidos somos fortes”, declarou Svetlana Tikhanovskaia em uma mensagem. Ela também pediu sanções da comunidade internacional a Lukashenko e que uma missão da ONU seja enviada para documentar as violações dos direitos humanos no país.

A repressão foi particularmente brutal nos primeiros dias depois da eleição: ao menos três pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e mais de 7.000 formam detidas durante as primeiras manifestações. Casos de tortura e maus tratos também foram registrados.

As prisões massivas de manifestantes são menos frequentes. O regime visa agora trabalhadores em greve e membros da oposição. Muitos se refugiaram em outros países temendo serem presos. Entre eles, Olga Kovalkova declarou sábado (5) ter se refugiado na Polônia após ameaças dos serviços secretos bielorrussos.

Lukashenko, que antes da eleição denunciava as tentativas de “desestabilização” de Moscou, agora denuncia um “complô” ocidental e tenta se reaproximar da Rússia.

Moscou responde positivamente e intensificou seu apoio com a visita a Minsk na quinta-feira (3) de seu primeiro-ministro Mikhail Michoustine. Esta foi a primeira visita deste tipo depois do começo da crise, com um encontro entre os chefes de diplomacia dos dois países.

Durante o encontro com Michoustine, Loukachenko afirmou que seus serviços tinham interceptado uma comunicação entre Berlim e Varsóvia provando que o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny, hospitalizado em Berlim, era uma “falsificação” ocidental.

A tevê bielorrussa difundiu a gravação na sexta-feira (4), que foi acolhida com dúvidas pelos internautas bielorrussos e russos, enquanto Moscou não se manifestou.

Por RFI