Bachelet alerta a ONU para militarização do governo no Brasil

A ex-presidenta do Chile e Alta Comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, fez um alerta nesta segunda-feira (14) para o risco do crescente envolvimento de militares nos assuntos públicos e na aplicação da lei no Brasil. Ela também denunciou o aumento de mortes e ataques a líderes comunitários, defensores de direitos humanos e jornalistas.

A fala foi feita na abertura da 45ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Bachelet destacou o Brasil, e mais 30 países, em que as violações aos direitos humanos vêm crescendo. Entre eles, Estados Unidos, Venezuela, Colômbia, Polônia e China.

“No Brasil, México, El Salvador e outros lugares, nós estamos vendo um crescente envolvimento de militares em assuntos públicos e aplicação da lei. Apesar de reconhecer os desafios da situação de segurança, qualquer uso das Forças Armadas em segurança pública deve ser estritamente excepcional, com supervisão efetiva”, disse Bachelet.

“No Brasil, estamos recebendo relatórios de violência rural e expulsão de comunidades sem terra, assim como ataques a defensores de direitos humanos e jornalistas, com ao menos 10 mortes este ano”.

“A continuada erosão de conselhos independentes de consultas e participação das comunidades é também preocupante. Apelo às autoridades para que tomem medidas firmes que garantam decisões fundamentadas nas contribuições e necessidades do povo brasileiro.” Acrescentou ela.

Essa não é a primeira vez que Bachelet inclui o Brasil em suas críticas à situação dos direitos humanos no mundo.

Em 2019, ela citou a violência policial e os riscos à democracia, o que fez o presidente Jair Bolsonaro responder com elogios a Augusto Pinochet, ditador chileno responsável pela morte do pai de Bachelet.

Com informações da agência Reuters.

Gleisi critica proposta de financiamento do Renda Brasil: “Tirar dos pobres para dar aos pobres”

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), usou o seu perfil no Twitter, nesta segunda-feira (14), para criticar a proposta da equipe econômica do governo do presidente Jair Bolsonaro de congelar os benefícios previdenciários em dois anos para garantir o financiamento do Renda Brasil, programa que vai substituir o Bolsa Família.

“Tirar dos pobres para dar aos pobres! Está é a receita do governo agora. Para garantir o programa q quer substituir o bolsa família pretendem congelar aposentadorias por dois anos, não garantindo o pagamento de pelo menos um salário mínimo aos aposentados. Mostra bem a quem servem”, escreveu a dirigente petista na rede social.

A equipe econômica do governo defende que os benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, sejam desvinculados do reajuste do salário mínimo e congelados nos próximos dois anos.

A ideia é evitar a correção automática do piso de aposentadorias e pensões, que hoje não podem ser menores que o salário mínimo.

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Segundo os auxiliares de Bolsonaro, a economia gerada pela nova regra seria destinada ao financiamento do Renda Brasil, programa de assistência social que o governo pretende implementar a partir de 2021 em substituição ao Bolsa Família.

Atualmente, o piso da previdência não pode ser menor que o salário mínimo. As aposentadorias e pensões são reajustadas sempre que o mínimo é corrigido. Esse reajuste é anual e não pode ficar abaixo da inflação do ano anterior.

Se a proposta da equipe econômica for aprovada, todos os benefícios previdenciários ficam congelados no valor atual, independentemente da inflação ou do aumento salarial do período.

Com informações do G1