Propina da Odebrecht financiou campanha de Peña Nieto, acusa ex-diretor da petroleira mexicana Pemex

Acusado de corrupção, o ex-diretor da companhia nacional de petróleo do México (Pemex), Emilio Lozoya disse que o ex-presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, teria recebido mais de 100 milhões de pesos (mais de R$ 20 milhões) em forma de suborno da parte da construtora brasileira Odebrecht. O valor teria sido usado para financiar a campanha presidencial de 2012.

Emilio Lozoya confirma acusações que já haviam sido feitas por diretores da Odebrecht na justiça. O ex-diretor da estatal apresentou vários recibos e um vídeo como provas, além de indicar quatro testemunhas.

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Após as declarações de Lozoya, a Procuradoria mexicana anunciou a abertura de uma investigação para verificar a autenticidade das provas apresentadas. Se os elementos entregues forem validados, todas as pessoas envolvidas deverão comparecer diante da justiça. Essa é a primeira vez que um processo dessa envergadura é aberto no país.

Em sua denúncia, Lozoya também acusou Peña Nieto e Luis Videgaray, ex-coordenador de campanha do presidente e em seguida secretário do Tesouro, de comprar “votos para as reformas estruturais em 2013 e 2014”. O ex-chefe da Pemex disse que tinha sido incumbido de repassar o dinheiro aos parlamentares.

Uma dessas reforma é a do setor de energia, que foi aberta para capital privado após 75 anos de monopólio estatal. O Ministério Público não especificou se essas supostas propinas também foram pagas com recursos da Odebrecht.

“Testemunha colaboradora”
O ex-chefe da Pemex, a quem o Ministério Público concedeu a figura de “testemunha colaboradora”, é processado por uso de recursos de origem ilícita, associação criminosa e suborno, e responde às acusações em liberdade condicional. Ele foi extraditado para o México em meados de julho, após meses de fuga na Europa.

Em 30 de julho, a Justiça mexicana decidiu processá-lo pelos crimes ligados à Odebrecht, nos quais teria recebido US$ 10,5 milhões (mais R$ 55 milhões) em propina em troca de contratos de obras. A Promotoria sustenta que com as propinas o ex-diretor teria adquirido, por meio de familiares, imóveis para “ocultar” a origem dos recursos além de transferir parte para contas bancárias na Europa.

A Promotoria também acusou Lozoya de “ocultar várias movimentações e contas bancárias, principalmente quando era o coordenador internacional” da campanha de Peña Nieto. Advogado e economista com pós-graduação na Universidade de Harvard, Lozoya se declarou inocente de todas as acusações.

Por Alix Hardy, correspondente da RFI no México