PM de Minas responde tuíte da ex-presidente Dilma sobre ação de despejo

A Polícia Militar de Minas Gerais respondeu um tuíte da ex-presidente Dilma Rousseff sobre a violenta ação de despejo de 450 famílias vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem terra (MST) do Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, região sul do estado mineiro.

A PM mineira usou a página oficial da corporação na rede social para travar uma batalha de narrativas sobre o despejo ordenado nesta sexta-feira (14) pelo governador Romeu Zema (Novo) em pleno curso da pandemia do novo coronavírus.

“Não conseguimos entender o que a senhora quis dizer”, diz o tuíte da PM de Minas em resposta a publicação de Dilma: “A própria PM está filmando e exibindo a sua ação truculenta contra os moradores do Quilombo Campo Grande, em Minas. Isto significa, literalmente, um ato de guerra híbrida e uma ação fascista”, escreveu a ex-presidente.

Dilma ainda escreveu: “Helicóptero, tropa de choque, blindados, bombas de gás, um ato de guerra da PM de Minas para desalojar o acampamento Quilombo Campo Grande, do MST. Famílias inteiras reprimidas, incluindo mulheres, idosos e crianças”.

Dilma destacou também que a ação ocorre em meio à pandemia, como um ato “covarde” do governador. “O governador Zema, em vez de negociar uma solução pacífica, para evitar um despejo em massa e violento em meio à pandemia da Covid 19, jogou sua polícia contra o povo”, denunciou a petista.

A repercussão da ação violenta e desumana da PM de Minas gerou protestos de amplos setores democráticos do país no parlamento, de personalidade públicas e de partidos de esquerda.

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PT repudia violência policial do governo Zema contra assentamento sem terra

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nota nesta noite de sexta-feira (14) em que condena o violento despejo contra 450 famílias do assentamento Quilombo Grande, em Campo do Meio, no sul do estado de Minas Gerais.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) denunciou a ação truculenta da PM mineira ordenada pelo governador Romeu Zema (Novo).

“Não aceitamos o uso da força e a truculência policial contra os trabalhadores – inclusive com ameaçadores voos rasantes de helicópteros e o incêndio de escola e de moradias. A violência da PM-MG merece a condenação de toda a sociedade brasileira, especialmente num momento em que precisamos de união para enfrentar a Covid-19 e suas consequências na vida do povo”, diz um trecho da nota do PT.

Leia a íntegra da nota do PT:

A Direção Nacional do PT junto com suas bancadas na Câmara do Deputados e no Senado Federal repudia veementemente a violência da Polícia Militar de Minas Gerais, com a conivência covarde do governador Romeu Zema (Novo), contra as famílias do assentamento do MST Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, Sul de Minas.

A decisão de promover o despejo de 450 famílias, com base em ordem judicial desumana e arbitrária, atenta contra os direitos humanos, já que expõe centenas de crianças e adultos- entre eles dezenas de idosos – à pandemia de Covid-19.

Não aceitamos o uso da força e a truculência policial contra os trabalhadores – inclusive com ameaçadores voos rasantes de helicópteros e o incêndio de escola e de moradias. A violência da PM-MG merece a condenação de toda a sociedade brasileira, especialmente num momento em que precisamos de união para enfrentar a Covid-19 e suas consequências na vida do povo.

Nos solidarizamos com os trabalhadores do assentamento e conclamamos, mais uma vez, as autoridades do Judiciário e o governador de Minas a suspenderem a desocupação da área ocupada há mais de 20 anos pelas famílias, em projeto exemplar, na qual sobrevivem com base na produção de alimentos orgânicos.

Brasília, 14 de agosto de 2020

Comissão Executiva Nacional do PT
Enio Verri (PT-PR), líder do PT na Câmara dos Deputados
Rogério Carvalho – Líder do PT no Senado Federal