Péssima notícia para Deltan Dallagnol: todos se uniram contra a Lava Jato

Deu ruim, muito ruim, para o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato. Ele protagoniza a pior fase do grupo que se intitula “República de Curitiba”, criado há seis anos para supostamente combater a corrupção. Deltan é o símbolo do isolamento político e jurídico da Lava Jato.

Em vias de fechar as portas, para o bem do serviço público, a Lava Jato conseguiu unir [quase todos] contra os métodos da força-tarefa. Políticos de direita, centro e esquerda estão cada vez mais próximos de abrir uma CPI no Congresso Nacional para investigar procuradores de São Paulo, Rio e Curitiba. A banda majoritária do judiciário concorda com a investigação.

A Folha de S. Paulo, que sempre apoio a Lava Jato, parece que jogou a toalha. Na semana passada pregou o julgamento da ação que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e agora, neste domingo (9), retrata a agonia no final de feira da operação.

O Supremo Tribunal Federal (STF) parece trabalhar na retaguarda do procurador-geral, pois, no início da semana passada, a corte excluiu a delação do ex-ministro Antonio Palocci de um processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há quem sinta cheiro de “marreco assado” nas imediações da Praça dos Três Poderes, em Brasília, sede do STF.

É por isso que os defensores da CPI da Lava Jato estão animados com o pedido formulado no ano passado. É o caso do líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR):

“Nós denunciamos a maneira política como a Lava Jato opera há muito tempo. As ações do Aras mostram que estávamos certos desde o começo. Não somos nós que o estamos apoiando, é ele que nos apoia”, disse o petista à Folha.

De acordo com o parlamentar do PT, apenas uma união de esforços, inclusive com o centrão, fará a investigação sobre abusos da operação avançar no Congresso.

“Se nós queremos e o centrão também quer, a soma dos interesses pode contribuir para haver a transparência necessária sobre os abusos da Lava Jato”, raciocina Enio Verri.

Motivos não faltam para começar a investigação na Câmara. Há também a simpatia do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi alvo de investigação clandestina pela Lava Jato –sem autorização do Supremo, onde o “Botafogo” tem foro pela função que exerce.

Presidente do PT entre 2011 e 2017, o deputado federal Rui Falcão (SP) comandou o partido durante o auge da Lava Jato. Ele elogia a postura de Aras de querer ter acesso às informações da investigação.

“Ele está correto ao exigir transparência da Lava Jato. Quem tem consciência que essa operação foi parcial está a favor das ações do Aras, mesmo sabendo que ele pode estar apenas querendo ‘estancar a sangria’”, afirma Falcão, em referência à frase do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) em 2017 pedindo que a operação fosse contida.

Os petistas denunciam a Lava Jato desde que a operação começou a mirar líderes do partido, sobretudo Lula, condenado em duas ações –a do tríplex do Guarujá e a do sítio de Atibaia, ambos imóveis atribuídos sem provas ao ex-presidente.

Quanto aos representantes do centrão, bloco que reúne cerca de 200 parlamentares de partidos como PP, PTB, PL, Solidariedade, Republicanos e PSD, sempre resistiram à investigação, até porque alguns de seus líderes são alvos de processos.

O que é fato é que a operação Lava Jato não combateu a corrupção, como prometera no início, e até se envolveu em muitos ilícitos porque parte de seus integrantes se julgavam acima da lei.

Portanto, luz sobre esse período em que reinou a força-tarefa fará bem para as instituições democráticas. Como diz o velho ditado, quem não deve não teme, quem deve treme.

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Lula diz que a ‘solidariedade’ é o caminho para sair da crise

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em carta divulgada neste sábado (8), afirma que “se o coronavírus revelou e resgatou a empatia do brasileiro de se solidarizar, ele também mostrou um lado cruel do egoísmo, e uma dose de desprezo pela vida de nossos mais velhos e mais vulneráveis”.

No texto, Lula fez uma referência aos cem mil mortos pela pandemia do novo coronavírus no país. “Eram médicos, enfermeiros, agentes de saúde, motoristas de ambulância, agentes de segurança. Homens e mulheres que dedicaram a própria vida a salvar a de seus companheiros. Eram parte do povo brasileiro”.

O líder oposicionista também denunciou “a arrogância e prepotência de um presidente [Bolsonaro] que um dia escolheu chamar esse vírus cruel de gripezinha, desafiando a ciência, a lógica, e até a morte, e que carregará na alma a responsabilidade por milhares de vidas”.

Leia a íntegra da carta de Lula:

100 mil vidas. Em 144 dias, o coronavírus levou embora precocemente 100 mil pais, mães, filhos, irmãos, avós. Eram amigos, conhecidos, eram trabalhadores que se viram obrigados a deixar seus lares e lutar pelo pão de cada dia.

Eram médicos, enfermeiros, agentes de saúde, motoristas de ambulância, agentes de segurança. Homens e mulheres que dedicaram a própria vida a salvar a de seus companheiros. Eram parte do povo brasileiro.

Uma doença que paralisou o mundo, mas que no Brasil foi desprezada por quem mais deveria cuidar do povo. Pela arrogância e prepotência de um presidente que um dia escolheu chamar esse vírus cruel de gripezinha, desafiando a ciência, a lógica, e até a morte, e que carregará na alma a responsabilidade por milhares de vidas.

Se o coronavírus revelou e resgatou a empatia do brasileiro de se solidarizar, ele também mostrou um lado cruel do egoísmo, e uma dose de desprezo pela vida de nossos mais velhos e mais vulneráveis. Que hoje sofrem com o medo e o isolamento forçado, abandonados à própria sorte pela desorientação do presidente da República.

Nesta data trágica em que completamos 100 mil vidas perdidas, em um país com quase 3 milhões de infectados, me pergunto: a quantas mortes estamos dispostos a chegar? Peço ao povo brasileiro, do fundo coração, que se cuidem. Lembrem-se que a vida é o dom mais precioso do ser humano. Usem máscara, lavem as mãos, evitem aglomerações desnecessárias, ajudem aqueles que mais precisam. Cuidem dos seus.

Deixo meu abraço fraterno a todos que perderam alguém que amavam para o coronavírus. E neste dia de saudade, que honremos a vida daqueles que se foram promovendo a consciência. A solidariedade se faz obrigatória pra sairmos dessa crise.

Um abraço,
Lula

Moro responsabiliza Bolsonaro por 100 mil mortes por Covid-19

O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro, pelo Twitter, culpou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelas mais de 100 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

“Não podemos nos conformar, nem apenas dizer #CemMilEdaí”, atacou o ex-chefe, referindo-se à celebre frase de Bolsonaro quando em abril o País passava da marca de cinco mil mortes.

‘E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?’, disse Bolsonaro na época sobre as mortes pelo novo coronavírus; ‘Sou Messias, mas não faço milagre’, emendara o presidente.

“São mais de 100 mil mortos; 100 mil famílias que perderam entes para a Covid”, tripudiou o ex-mandachuva da Lava Jato.

Buscando se diferenciar de Bolsonaro, de olho em 2022, Moro desejou que a ciência aponte caminhos e que ‘a fé nos dê esperança’.

Também pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou por meio de nota da Secretaria de Comunicação da Presidência da República:

“Todas as vidas importam: as que vão e as que ficam”, resignou-se. “Lamentamos as mortes por Covid, assim como por outras doenças”.

Segundo Bolsonaro, ‘nossas orações e nossos esforços têm a força de um Governo que dá tudo para salvar vidas.’

O presidente disse ainda que ‘toda a assistência possível à saúde dos brasileiros foi dada’, embora haja forte controvérsia sobre isso.