MST publica nota contra o despejo criminoso do Acampamento Campo Grande

Após 56 horas de resistência, a truculência promovida pelo governador Romeu Zema (Novo), no Acampamento Quilombo Campo Grande, teve um desfecho.

A Escola Popular Eduardo Galeano foi demolida, o barracão onde atividades da produção eram realizadas foi tomado pela Polícia. Quatorze famílias foram despejadas. Duas famílias estão no abrigo da prefeitura. As demais foram acolhidas pelo MST, no restante do Acampamento.

O MST denuncia que a área de 26 hectares do processo judicial n. 6105218 78.2015.8.13.0024, que já estavam desocupados, foi ampliada para 52 ha no último despacho da Vara Agrária e a operação policial foi além da determinada pela liminar, destruindo a casa e lavouras de sete famílias.

Segundo o movimento, a tentativa do governador de massacrar as famílias do MST virou contra ele mesmo. Graças a solidariedade da classe trabalhadora de todo o Brasil e internacional, foi denunciado o caráter covarde e criminoso de quem governa o estado de Minas Gerais.

Confira o vídeo a seguir, e a nota do MST:

MST emite nota em apoio à resistência contra os despejos

Movimento vem a público manifestar seu apoio a todas as lutas das famílias de trabalhadores e trabalhadoras das cidades por moradia digna, por água e por direitos

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público manifestar seu apoio a todas as lutas das famílias de trabalhadores e trabalhadoras das cidades por moradia digna, por água e por direitos. No dia 14 de agosto, casas de famílias acampadas e uma escola foram demolidas pela Polícia Militar, ao cumprir uma ordem de despejo ilegal no Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, Minas Gerais.

Esse dia vai ficar marcado como um dia triste em nossa história por tamanha atrocidade, mas também uma vitória da nossa unidade, que permitiu 56 horas de resistência. O governador Zema tem colocado a vida do povo mineiro em risco, ao promover uma ação dessas em plena pandemia da COVID-19 e ao negar direitos fundamentais.

Não somos a favor da promoção de aglomerações e temos nos esforçado para manter os protocolos recomendados pelas organizações internacionais da saúde. Porém, diante das violações, somos impelidos a reagir e resistir. Ressaltamos nossa preocupação com a saúde da classe trabalhadora. É dever do Estado garantir as condições para superarmos este momento, no entanto, o governo Zema foi o que menos investiu na saúde e na prevenção do vírus.

Portanto, é urgente que a unidade da classe trabalhadora, construída de forma madura e coletiva, se concretize e abra o caminho para derrotar o neofascismo dos atuais governos e defender nossos territórios diante das ameaças de despejo, das retirada dos direitos e barrar o desfacelamento da frágil democracia brasileira.

Todo apoio às lutas sociais, não aceitaremos nenhum despejo!
#DESPEJOZERO

As informações são do MST e a foto é de Leandro Taques.

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