Mourão sobre o afastamento de Witzel: “Acho difícil que ele volte”

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), disse nesta sexta-feira (28) que acha difícil o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), voltar a exercer o mandato.

“Acho difícil que ele volte”, afirmou Mourão a jornalistas.

“Eu lamento pelo povo do estado do Rio de Janeiro, viver nessa situação. Parece que a corrupção se enraizou no Rio de Janeiro. Eu lamento pelo povo do Rio de Janeiro que sofre a ausência de Estado”, completou o vice-presidente ao lembrar que o chefe Executivo fluminense também é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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Nesta sexta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento de Witzel por causa de supostos desvios na Saúde do estado do Rio. A medida tem validade inicial de 180 dias.

Com informações do G1

Afastamento de Witzel é vitória de Bolsonaro no Rio
O afastamento imediato do governador Wilson Witzel (PSC) do cargo, por irregularidades na saúde, pode ser considerado um trunfo para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua família no Rio de Janeiro.

A determinação do afastamento de Witzel foi do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta sexta-feira (28), inicialmente por seis meses, mas pode ser ad eternum. O ex-juiz também é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do estado (Alerj).

O governador afastado vinha confrontando com Bolsonaro desde o ano passado, mas a situação se agudizou com as investigações do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil do Rio acerca do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Repúblicanos) com a milícia, as rachadinhas operadas pelo ex-assessor Fabrício Queiroz e o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Neste ano, com a pandemia do novo coronavírus, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Witzel e mais oito pessoas por corrupção na área da saúde.

De acordo com a PGR, o afastamento do governador do Rio se deu por três motivos:

1. A caixinha da propina;
2. Os restos a pagar;
3. Sobras de duodécimos.

Segundo delação do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, o governador Wilson Witzel, por meio do escritório de sua mulher, Helena, recebia propinas de contratos irreguladores com a Organização social Iabas.

A PGR diz que a “caixinha de propina” abastecida um fundo de campanha pelo direcionamento de licitações de organizações sociais (OSs).

A PGR ainda suspeita que o Poder Judiciário possa ter sido utilizado para beneficiar agentes com vantagens indevidas, com as sobras dos duodécimos na Alerj, também conhecidos como “resto a pagar”.

Por lei, o duodécimo é um repasse devido e obrigatório do Executivo ao Legislativo e ao Judiciário — poderes que não têm renda própria.

Afastamento de Witelz ajuda Crivella
Analistas políticos consultados pelo Blog do Esmael são unânimes quanto ao maior beneficiário do afastamento do governador do Rio: o prefeito Marcelo Crivella (Repúblicanos), aliado de Bolsonaro, e candidato à reeleição.

Witzel era um agente imponderável que poderia desequilibrar a disputa no Rio, embora não tivesse força para eleger um candidato próprio.

O afastamento do governador Wilson Witzel funcionou para o presidente Jair Bolsonaro como mais espécie de limpeza de área no Rio.

A disputa pela prefeitura carioca tende a ser polarizada entre Crivella e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que lidera as sondagens de intenções de voto, segundo a Paraná Pesquisas.