Morre Dom Pedro Casaldáliga, o ‘bispo da reforma agrária’

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, e um dos maiores defensores dos direitos humanos e da reforma agrária no país, morreu aos 92 anos, às 9h40 deste sábado (8), em Batatais (SP), onde havia sido removido para tratamento médico devido a problemas respiratórios. Ele havia testado negativo para a Covid-19.

A informação foi comunicada pela Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos).

Nascido na Catalunha (Espanha) como Pere Casaldàliga, chegou ao Brasil em 1968. Desde então, foi um ativo defensor de camponeses sem terra, ribeirinhos, indígenas, quilombolas. Casaldáliga também enfrentou a truculência da ditadura militar nos 70 e atentados organizados de bandos armados por latifundiários.

Por conta de sua atuação contra a ditadura e a violência de grileiros, madeireiros, garimpeiros e produtores rurais passou boa parte da vida marcado para morrer. Foi alvo de processos de expulsão do país.

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“Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas mãos para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos”, escreveu Dom Pedro Casaldáliga em uma das suas obras.

Casaldáliga, também poeta e escritor, despertava intenso apoio e simpatia entre as massas de camponeses pobres dos estados do centro-oeste e da região norte do país.

O bispo era uma referência internacional na luta pela reforma agrária no Brasil.