Adeus querido Moro, diz Folha

Se antes era o queridinho da velha mídia, vazando informações estratégicas da Lava Jato, agora o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro passou a ser um estorvo para a casa grande.

Em editorial desta sexta-feira (7), por exemplo, a Folha de S. Paulo pede que o ex-juiz Moro pague pelos crimes que cometeu quando comandava a Lava Jato “sob pena de estimular uma índole justiceira que ofende os princípios basilares da Justiça num Estado de Direito”.

O jornalão paulistano cospe no prato que comeu, pois, assim como os demais veículos de imprensa, como praxe, nos últimos seis anos, não questionou sequer o emprego equivocado de uma vírgula nos releases (matérias prontas) enviados pela assessoria da Lava Jato. Mas, agora, quando o ex-juiz atrapalha o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a quem está associada, pede “Justiça” ao dizer que “é forçoso reconhecer que [Sérgio Moro] cometeu excessos”. Irônico.

Irônico, mas também dissimulado. O jornal Folha de S. Paulo é um diário dissimulado porque ele ilude o leitor mais desavisado, o cidadão médio de boa-fé.

“Moro se prontificou a participar do governo Bolsonaro abalou sua credibilidade —e, por extensão, a da Lava Jato. Indicou-se que ambições políticas se misturavam ao ímpeto, não raro messiânico, da força-tarefa de combate à corrupção”, diz o editorial, apontando um dos possíveis “pecados” do ex-juiz e por isso merecedor de “julgamento” dos barões da velha mídia.

A Folha ainda se supera ao registar que “acumulam-se evidências de erros de procedimento cometidos pelo ex-juiz” Sérgio Moro no sentenciamento do ex-presidente Lula, mas, segundo o editorial do jornal, “ainda que não faça sentido atribuir o desenlace da eleição [de Jair Bolsonaro] à iniciativa de Moro”. Risos, muitos risos.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, foi mais assertivo em suas observações na Segunda Turma ao falar sobre o vazamento da delação de Antonio Palocci, na véspera da eleição de 2018: “parece ter sido cuidadosamente planejada pelo magistrado para gerar verdadeiro fato político na semana que antecedia o primeiro turno das eleições presidenciais de 2018”. Bingo!

A luta de Sérgio Moro e da Lava Jato, de acordo com as mensagens do Telegram, era para evitar a vitória do PT e do então candidato Fernando Haddad.

Nunca é demais lembrar que toda a mídia corporativa, inclusive a Folha, se somou ao esforço para fraudar a vontade do eleitor por meio de fake news, embora, habilmente, esses veículos de imprensa se arvorem “verificadores de verdades” e agentes contrários à disseminação de notícias falsas.

A Folha destalhou o roteiro da “execução sumária” do ex-ministro Sérgio Moro, como o ex-juiz gosta de ser chamado.

O distinto leitor ainda deve se perguntar ‘por que Moro não interessa mais à velha mídia se era seu principal informante durante a Lava Jato/’. Explica-se. O ex-juiz atrapalha hoje os planos dos jornalões porque esses são associados aos fundos financeiros. Boa parte dos veículos de imprensa é propriedade de um grande banco ou braço de especulação no mercado financeiro. Vide a XP Investimentos, Empiricus, BTG Pactual, et caterva.

Nunca na história deste País os banqueiros ganharam tanto dinheiro –como no governo Bolsonaro– enquanto o povo brasileiro sofre com a pandemia do novo coronavírus. Portanto, como se diz no futebol, não mexe em time que está ganhando…

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‘Micheque’ bomba no Twitter após revelação da Crusoé

Quando as peripécias financeiras de Fabrício Queiroz e do clã bolsonaro vieram à tona, uma das operações que mais chamou a atenção foram alguns cheques de Queiroz depositados na conta da Primeira-Dama Michelle Bolsonaro.

Essas operações renderam a ela o carinhoso apelido de ‘Micheque’.

Agora, a revista Crusoé afirma que teve acesso à quebra de sigilo fiscal de Queiroz e de que entre 2011 e 2018, Michelle recebeu 21 cheques de Queiroz; e não quatro, como afirmou o presidente Bolsonaro.

A revelação ressuscitou o apelido de ‘Micheque’ que já está entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira (7).

Julio Freiress escreveu: “Quer dizer que a senhora Michelle Bolsonaro, digo Micheque recebeu não só um cheque de 24 mil reais do miliciano Queiroz, Mas sim 21 cheques.”

O deputado Paulo Pimenta também compartilhou o tema:

Iuri K escreveu: “Todo dia uma notícia nova de corrupção, lavagem de dinheiro, rachadinhas e ligação com a milícia vindo da família do presidente.”

Flávio não tem mais como esconder que usava Queiroz para operar a dita “rachadinha”; mas essa revelação de que Michelle recebeu tantos cheques do ex-assessor joga o problema para a família toda. Como explicar a relação da primeira-dama com o Queiroz?

Haddad abre fogo contra Bolsonaro: ‘sua família desviava e lavava dinheiro público’

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT), pelo Twitter, disparou contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em resposta a Bolsonaro, que se referiu a ele como “o outro cara”, Haddad disse que enquanto a família do presidente da República desviada dinheiro público ele, então ministro da Educação, abrir as portas da universidade para jovens de todas as classes sociais.

“Eu fui para o segundo turno com o outro cara, disputando a Presidência”, disse Bolsonaro na live desta quinta-feira (6) à noite. “Imagina se aquele cara tive ganho. Se acha que ele estaria apoiando essas medidas ‘fecha tudo, fica em casa, multa quem tá na rua, algema quem tá na praia’ ou estaria fazendo a política semelhante a nossa?”, disse o presidente, ao tentar justificar o genocídio do governo durante a pandemia do novo coronavírus.

Aí Fernando Haddad foi didático na resposta:

“Deixa eu te explicar Jair Bolsonaro: enquanto sua família desviava e lavava dinheiro público, o outro cara abria as portas da universidade para jovens de todas as classes sociais”, detonou o petista.

Eduardo Bolsonaro e Ciro Gomes batem boca por causa da pandemia de Covid-19

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) bateu boca com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) por causa da pandemia de Covid-19. O palco foi o Twitter.

Ciro disse que a pandemia deveria ser enfrentada com isolamento social radical, opinião que as principais autoridades de saúde do mundo concordam.

Mas o clã Bolsonaro é adepto de negacionismo, e Eduardo Bolsonaro retrucou:

“Para quem não curte Bolsonaro, imagina se fosse o Coroné o presidente… ‘Pandemia deve ser enfrentada com ‘isolamento social radical’, afirma Ciro Gomes’.”
o, que não leva desaforo para casa, retrucou:

“Você e seu pai negaram a ciência e produziram quase 100 mil mortes de brasileiros. Você e seu pai abandonaram as empresas e os trabalhadores, aprofundando o desemprego. Quando eu for presidente, além de salvar vidas e gerar emprego, vou trabalhar para colocá-los na cadeia!”

Uma coisa Ciro deixou bem clara: ele deseja e tem fé de que será eleito presidente. Isso é um bom sinal. O combate ao bolsonarismo é normal e previsível. Mas se ele acalente o sonho de governar o país, deveria se esforçar para não bater portas na cara de prováveis aliados.

Robôs bolsonaristas pregam boicote ao PayPal para salvar Olavo de Carvalho

A PayPal é uma empresa de pagamentos pela internet que, após ser advertida pelo Sleeping Giants, encerrou a conta do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

Olavo usava o serviço para receber pelos “cursos” que ministra para os militantes da extrema-direita. O Sleeping Giants é uma iniciativa que visa combater as “fake news” desmonetizando os canais de gente como Olavo, Sara Winter, Allan dos Santos e assemelhados.

Ao ter sua conta fechada pelo PayPal, Olavo terá dificuldades para receber pelo seu trabalho. Este serviço não é o única forma de receber pagamentos de outros países, mas o cancelamento pode ser o primeiro de vários, dificultando a vida de Olavo.

Enfim, os bolsonaristas não gostaram da decisão e estão pregando um boicote ao serviço.

O deputado Eduardo Bolsonaro é um dos que estão puxando o boicote:

“Após pedido da esquerda, a plataforma financeira @PayPal_BR excluiu o Professor @opropriolavo alegando conteúdo inadequado. Tal ato vergonhoso acaba com a fonte de renda honesta do Professor Olavo e cala liberdade de expressão. Reveja a decisão, @PayPal.”

Outras postagens vão no mesmo sentido:

“@PayPal_BR atendeu ao pedido dos anônimos do Sleeping Giants e BLOQUEIU Olavo de Carvalho. Solicito que todos que usam o serviços da PayPal que BLOQUEIEM JÁ e mudem para PagSeguro, já que eles coloboram com boicote, vamos boicota-los.” Diz a Voz para Bernardo Kuster.

Os bolsonaristas estão levando mesmo a sério a questão. Tanto é que o exército de Robôs foi mobilizado e a hashtag #BoicotePayPal é o assunto mais comentado do Twitter nesta tarde de quinta-feira (6).

O próprio Sleeping Giants Brasil se manifestou sobre os ataques:

“Robôs estão tentando atacar a empresa que aplica os seus termos de uso (diferentemente de algumas) e ajuda a democracia. Por isso vamos ajudar a subir #ParabensPaypal?! ✊🏽#SleepingGiantsBrasil”

A iniciativa do Sleeping Giants é bacana, mas o ponto central das “fake news” que é o impulsionamento, o chamado Gabinete do Ódio. Para isso, é preciso que as redes sociais, em especial o Twitter e o Whatsapp, decidam cancelar as contas falsas, os ditos “robôs”.

Se esse exército não for combatido, as mentiras e os ataques continuarão a ser distribuídos e impulsionados como se fossem verdades.