Lava Jato ronda a campanha de Jair Bolsonaro

A revista de extrema direita Crusoé cujo principal articulista é o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro afirma que a JBS pagou R$ 9 milhões ao advogado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com a publicação, o advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef recebeu R$ 9 milhões da JBS, o frigorífico dos irmãos Joesley e Wesley Batista –ambos delatores na força-tarefa Lava Jato.

“Os registros dos pagamentos constam de documentos obtidos pelos promotores do MP-RJ que investigam a relação de Wassef com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo do presidente”, anota a revista.

A Crusoé disse que questionou a JBS sobre a que se referem os repasses, mas não a empresa não respondeu. O minipalanque de Moro também afirmou que o advogado Frederick Wassef “torceu o nariz” e não retornou as tentativas de contato.

A revista Crusoé, do mesmo grupo do site O Antagonista, torce pela candidatura do ex-juiz Sérgio Moro à Presidência da República, em 2022.

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“Irresponsável”: redes sociais detonam o presidente Jair Bolsonaro

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conseguiu mudar do patamar da piada pronta para o cinismo pronto ao afirmar, nesta quarta-feira (19), que “não ter visto no mundo” alguém que enfrentou melhor a pandemia de covid-19 do que o próprio governo brasileiro. Ao deboche, as redes sociais responderam chamando o mandatário de “irresponsável”. É pouco.

Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, apesar de a velha mídia passar o pano, cometem crime contra a humanidade e genocídio no trato da pandemia da covid-19 no Brasil. Há ao menos duas representações contra o governo no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

Voltemos ao cinismo de Bolsonaro, que ontem falou numa cerimônia de humilhação ao empresariado brasileiro.

“No meu entender, guardando-se as devidas proporções, não vi no mundo quem enfrentou melhor essa questão do que o nosso governo. Isso nos orgulha. Mostra que tem gente capacitada e preocupada, em especial, com os mais pobres, os mais humildes”, disse o presidente, mesmo colecionando mais de 78 milhões de desempregados –recorde no mundo– e milhares de portas de comércio sendo fechadas no País.

No dia que Bolsonaro fez autoelogios, o Brasil 111.100 mortes pelo novo coronavírus e somou quase 3,5 milhões de casos da doença.

“Temos dois problemas: o vírus e o desemprego. São dois assuntos que devemos tratar com responsabilidade, mas simultaneamente. A turma do ‘fica em casa’ e a turma do contra começou a dizer que eu era insensível e não estava preocupado com a vida das pessoas, e dizendo sempre ao Guedes que ‘a economia se recupera, a vida não’. Olha, uma quebradeira na economia, não precisa ser médico nem economista pra dizer isso, as causas, o efeito colateral disso é pior, mas muito pior do que o próprio vírus”, afirmou Jair Bolsonaro.

O “irresponsável” presidente da República ainda arrematou: “Hoje em dia, já se começa a notar que o governo lá atrás estava no caminho certo, enquanto se fechava quase tudo no Brasil, nós aqui não paramos, em especial com a equipe econômica, trabalhando e buscando meios para que empregos não fossem destruídos e as propostas apresentadas por nós foram excepcionais.”

Bolsonaro e Guedes participaram ontem de uma solenidade de sanção de medidas provisórias que, segundo eles, facilitam o acesso ao crédito. A cerimônia foi no Palácio do Planalto.

As redes sociais começaram o dia, nesta quinta-feira (20), cobertas de razão. Bolsonaro é um irresponsável.