Bolsonaro só mantém a aprovação nas pesquisas se ‘furar o teto’ de gastos

A aprovação do governo Jair Bolsonaro (sem partido) acendeu a luz vermelha no comitê central do setor financeiro e da mídia brasileira. Esses dois últimos são aliados na disputa pelo Orçamento da União. Eis a contradição com o mandatário, que, com a popularidade alta, almeja manter os índices e isso implicar em ‘furar o teto’ de gastos. Eis a questão.

A ida do Centrão para o governo é prova inequívoca de que Bolsonaro irá não só furar o teto, mas também as paredes e o chão.

Basta o leitor lembrar que esse grupo fisiológico, o Centrão, existente desde a Assembleia Constituinte de 1986, ele sempre teve uma fome por cargos e orçamento, portanto representa uma ameaça concreta os interesses cruzados dos barões da mídia com os banqueiros e especuladores.

Apesar de jurar na live semanal na noite desta quinta que não irá ‘furar o teto’, Jair Bolsonaro é tão volátil quanto um bipolar. Ao mesmo tempo que reafirmou fidelidade aos bancos e à TV Globo, o presidente indicou que pode sim furar o teto de gastos.

Não furar teto de gastos em plena pandemia do novo coronavírus, num quadro de desemprego recorde e de depressão econômica, é o mesmo que cometer suicídio político para proteger os interesses financeiros de uma diminuta casta em detrimento da maioria da população. O teto de gastos significa engessar o governo e ferrar os mais pobres.

“O pessoal vem como se tivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção é de arranjar a mais, em média, R$ 20 bilhões. É água no Nordeste, é saneamento, é revitalização de rios, é Minha Casa Minha Vida”, afirmou Bolsonaro na live de ontem (13).

“A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual é o problema? Na pandemia, temos a PEC de Guerra, nós já furamos o teto em mais ou menos R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões? Se a justificativa for para o vírus, sem problema nenhum. ‘Ah, nós entendemos que água é para essa mesma finalidade’. E a gente pergunta: ‘E daí? Já gastamos R$ 700 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bi ou não?’”, engrossou Bolsonaro durante a transmissão online.

A Emenda Constitucional nº 95 foi aprovada em 2016. Ela ficou conhecida como PEC do Teto de Gastos, que congelou investimentos para os próximos 20 anos.

Jair Bolsonaro, Globo, bancos e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Davi Alcolumbre (DEM-AP), sabem que é impossível sustentar a Agenda Guedes –o programa neoliberal que não deu certo em nenhuma outra parte do planeta.

O presidente Jair Bolsonaro planeja aumentar o número de beneficiários de programas sociais e, por meio do Renda Brasil, a ser criado ainda, destinar mensalmente R$ 500 para cada família até 2022. Para isso, o mandatário terá de mexer no Orçamento e criar o novo imposto sobre pagamentos e transações eletrônicos –a nova “CPMF”.

São as contradições do poder, caro leitor. São desacertos na casa grande, portanto.

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Você não vai acreditar na aprovação de Bolsonaro na pesquisa Datafolha; confira

O Datafolha divulgou nesta sexta-feira (14) nova roda sobre a aprovação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o instituto, o presidente tem a melhor avaliação desde que começou o seu mandato, em 1º de janeiro de 201.

A pesquisa realizada entre 11 e 12 de julho ajuda explicar porque Bolsonaro ficou mais valente e porque a velha mídia ficou mais mansa com o presidente.

O Datafolha afirma que 37% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, ante 32% que o achavam na pesquisa anterior, feita em 23 e 24 de junho.

A rejeição de Bolsonaro também caiu de forma acentuada, de acordo com o Datafolha: caíram de 44% para 34% os que o consideravam ruim e péssimo no período. Consideram o governo regular, por sua vez, 27%, ante 23% em junho.

O instituto Datafolha entrevistou por telefone 2.065 pessoas de 11 a 12 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Os números do Datafolha corroboram os do Paraná Pesquisas, divulgados na semana passada e apresentados pelo presidente do instituto diretamente a Jair Bolsonaro.

Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, em visita ao Palácio da Alvorada, no sábado (8), recomendou três pontos a Bolsonaro: 1- viajar o país; 2- fechar a boca e não falar à imprensa; e 3- prorrogar o auxílio emergencial de R$ 600.

Some-se a isso, Jair Bolsonaro tem sido bastante poupado pela velha mídia. Os jornalões deixaram de bater no presidente numa estratégia desesperada para salvar a “Agenda Guedes” de privatizações e redução de salário dos servidores.

Os interesses da mídia corporativa se cruzam com os dos banqueiros e especuladores porque, hoje, esses veículos de comunicação, a maioria deles, são propriedades de fundos de investimentos (bancos).

Sem predador, a aprovação de Bolsonaro subiu e a rejeição desabou –segundo o Datafolha.

Bolsonaro jura em ‘live’ que vai continuar fiel aos bancos e à TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) jurou na noite desta quinta-feira (13) que se manterá fiel aos banqueiros e à TV Globo, ou seja, não irá furar o teto dos gastos públicos. ‘De jeito nenhum’, frisou.

A emissora dos Marinho e os jornalões consorciados ao sistema financeiro —Folha, Estadão, et caterva— vem fazendo uma intensa campanha para que o governo privatize tudo, reduza salários de servidores e elimine gastos nas áreas sociais.

Na noite de hoje, Bolsonaro defendeu a necessidade da realização de investimentos públicos em áreas sociais e obras de infraestrutura, mas garantiu que não existe tentativa de “golpe” para “furar o teto”. O presidente da República deu sinais de que “afrouxou a tanga” durante sua live semanal nas redes sociais.

A volta do ex-assessor Fabrício Queiroz para a prisão ajuda na pressão midiática pelo afrouxamento de Bolsonaro.

“O pessoal vem como se tivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção é de arranjar a mais, em média, R$ 20 bilhões. É água no Nordeste, é saneamento, é revitalização de rios, é Minha Casa Minha Vida”, afirmou na defensiva.

Bolsonaro também revelou que integrantes do governo debatem mudanças na regra do teto de gastos para que seja possível ampliar recursos para conclusão de obras, qual seja, a União pode remanejar recursos do Orçamento. No entanto, o presidente não deu mais detalhes da “bruxaria” que pretende fazer para agradar a Globo e aos bancos.

“A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual é o problema? Na pandemia, temos a PEC de Guerra, nós já furamos o teto em mais ou menos R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões? Se a justificativa for para o vírus, sem problema nenhum. ‘Ah, nós entendemos que água é para essa mesma finalidade’. E a gente pergunta: ‘E daí? Já gastamos R$ 700 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bi ou não?’”, engrossou Bolsonaro.

Jair Bolsonaro afirmou ontem (12) à noite que seria a favor da emenda do teto de gastos públicos e de uma agenda de responsabilidade fiscal. Ele estava acompanhado pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também chancelaram os temas. Entretanto, na live de hoje, o discurso do presidente da República foi um tanto contraditório à pregação da noite anterior.

A Emenda Constitucional nº 95 foi aprovada em 2016. Ela ficou conhecida como PEC do Teto de Gastos, que congelou investimentos para os próximos 20 anos.

Live semanal antipresidencial

O Blog do Esmael realizou nesta quinta-feira (13/08) uma live antipresidencial, no mesmo horário que o presidente Jair Bolsonaro fez seu corriqueiro pronunciamento. A ideia é fazer um contraponto às sandices do mandatário. Abaixo, assista ao vídeo.

Os temas discutidos hoje foram:

1- Visita do presidente Jair Bolsonaro a Belém (PA);
2- Reintegração e violência contra MST em MG;
3- Covardia do governador Romeu Zema (Novo-MG);
4- Gilmar Mendes em live do MST nesta sexta-feira;
5- Covid-19;
6- Mídia (Folha, Estadão e Globo);
7- Desemprego e economia;
8- Sistema Financeiro.

Assista ao vídeo: