Bolsonaro perde mais uma na Justiça para Jean Wylliys

O presidente Jair Bolsonaro terá que pagar uma multa de R$ 2,6 mil ao ex-deputado Jean Wyllys, atualmente exilado na Europa, e ao advogado Lucas Mourão. A decisão é do juiz Leonardo de Castro Gomes, da 47ª Cível do Tribunal de Justiça do Rio. Assim que for notificado, o presidente terá 15 dias de prazo para o pagamento. A informação é do colunista Ancelmo Gois, de “O Globo”.

A determinação é referente a um processo de 2017, em que Bolsonaro processou Jean Wyllys e pediu indenização de R$ 22 mil por danos morais. A alegação de Bolsonaro foi que Jean o chamou de “boquirroto”, “fascista” e “nepotista”.

Na ocasião, a Justiça negou o pedido do presidente. Com isso, ele acabou condenado a pagar multa pelos embargos apresentados e terá que repassar 10% da causa, a título de honorários, ao advogado de Jean Wyllys. Bolsonaro não pode mais recorrer da ação.

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Péssima notícia para Deltan Dallagnol: todos se uniram contra a Lava Jato

Deu ruim, muito ruim, para o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato. Ele protagoniza a pior fase do grupo que se intitula “República de Curitiba”, criado há seis anos para supostamente combater a corrupção. Deltan é o símbolo do isolamento político e jurídico da Lava Jato.

Em vias de fechar as portas, para o bem do serviço público, a Lava Jato conseguiu unir [quase todos] contra os métodos da força-tarefa. Políticos de direita, centro e esquerda estão cada vez mais próximos de abrir uma CPI no Congresso Nacional para investigar procuradores de São Paulo, Rio e Curitiba. A banda majoritária do judiciário concorda com a investigação.

A Folha de S. Paulo, que sempre apoio a Lava Jato, parece que jogou a toalha. Na semana passada pregou o julgamento da ação que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e agora, neste domingo (9), retrata a agonia no final de feira da operação.

O Supremo Tribunal Federal (STF) parece trabalhar na retaguarda do procurador-geral, pois, no início da semana passada, a corte excluiu a delação do ex-ministro Antonio Palocci de um processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há quem sinta cheiro de “marreco assado” nas imediações da Praça dos Três Poderes, em Brasília, sede do STF.

É por isso que os defensores da CPI da Lava Jato estão animados com o pedido formulado no ano passado. É o caso do líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR):

“Nós denunciamos a maneira política como a Lava Jato opera há muito tempo. As ações do Aras mostram que estávamos certos desde o começo. Não somos nós que o estamos apoiando, é ele que nos apoia”, disse o petista à Folha.

De acordo com o parlamentar do PT, apenas uma união de esforços, inclusive com o centrão, fará a investigação sobre abusos da operação avançar no Congresso.

“Se nós queremos e o centrão também quer, a soma dos interesses pode contribuir para haver a transparência necessária sobre os abusos da Lava Jato”, raciocina Enio Verri.

Motivos não faltam para começar a investigação na Câmara. Há também a simpatia do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi alvo de investigação clandestina pela Lava Jato –sem autorização do Supremo, onde o “Botafogo” tem foro pela função que exerce.

Presidente do PT entre 2011 e 2017, o deputado federal Rui Falcão (SP) comandou o partido durante o auge da Lava Jato. Ele elogia a postura de Aras de querer ter acesso às informações da investigação.

“Ele está correto ao exigir transparência da Lava Jato. Quem tem consciência que essa operação foi parcial está a favor das ações do Aras, mesmo sabendo que ele pode estar apenas querendo ‘estancar a sangria’”, afirma Falcão, em referência à frase do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) em 2017 pedindo que a operação fosse contida.

Os petistas denunciam a Lava Jato desde que a operação começou a mirar líderes do partido, sobretudo Lula, condenado em duas ações –a do tríplex do Guarujá e a do sítio de Atibaia, ambos imóveis atribuídos sem provas ao ex-presidente.

Quanto aos representantes do centrão, bloco que reúne cerca de 200 parlamentares de partidos como PP, PTB, PL, Solidariedade, Republicanos e PSD, sempre resistiram à investigação, até porque alguns de seus líderes são alvos de processos.

O que é fato é que a operação Lava Jato não combateu a corrupção, como prometera no início, e até se envolveu em muitos ilícitos porque parte de seus integrantes se julgavam acima da lei.

Portanto, luz sobre esse período em que reinou a força-tarefa fará bem para as instituições democráticas. Como diz o velho ditado, quem não deve não teme, quem deve treme.