Bolsonaro jura em ‘live’ que vai continuar fiel aos bancos e à TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) jurou na noite desta quinta-feira (13) que se manterá fiel aos banqueiros e à TV Globo, ou seja, não irá furar o teto dos gastos públicos. ‘De jeito nenhum’, frisou.

A emissora dos Marinho e os jornalões consorciados ao sistema financeiro —Folha, Estadão, et caterva— vem fazendo uma intensa campanha para que o governo privatize tudo, reduza salários de servidores e elimine gastos nas áreas sociais.

Na noite de hoje, Bolsonaro defendeu a necessidade da realização de investimentos públicos em áreas sociais e obras de infraestrutura, mas garantiu que não existe tentativa de “golpe” para “furar o teto”. O presidente da República deu sinais de que “afrouxou a tanga” durante sua live semanal nas redes sociais.

A volta do ex-assessor Fabrício Queiroz para a prisão ajuda na pressão midiática pelo afrouxamento de Bolsonaro.

“O pessoal vem como se tivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção é de arranjar a mais, em média, R$ 20 bilhões. É água no Nordeste, é saneamento, é revitalização de rios, é Minha Casa Minha Vida”, afirmou na defensiva.

Bolsonaro também revelou que integrantes do governo debatem mudanças na regra do teto de gastos para que seja possível ampliar recursos para conclusão de obras, qual seja, a União pode remanejar recursos do Orçamento. No entanto, o presidente não deu mais detalhes da “bruxaria” que pretende fazer para agradar a Globo e aos bancos.

“A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual é o problema? Na pandemia, temos a PEC de Guerra, nós já furamos o teto em mais ou menos R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões? Se a justificativa for para o vírus, sem problema nenhum. ‘Ah, nós entendemos que água é para essa mesma finalidade’. E a gente pergunta: ‘E daí? Já gastamos R$ 700 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bi ou não?'”, engrossou Bolsonaro.

Jair Bolsonaro afirmou ontem (12) à noite que seria a favor da emenda do teto de gastos públicos e de uma agenda de responsabilidade fiscal. Ele estava acompanhado pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também chancelaram os temas. Entretanto, na live de hoje, o discurso do presidente da República foi um tanto contraditório à pregação da noite anterior.

A Emenda Constitucional nº 95 foi aprovada em 2016. Ela ficou conhecida como PEC do Teto de Gastos, que congelou investimentos para os próximos 20 anos.

Live semanal antipresidencial

O Blog do Esmael realizou nesta quinta-feira (13/08) uma live antipresidencial, no mesmo horário que o presidente Jair Bolsonaro fez seu corriqueiro pronunciamento. A ideia é fazer um contraponto às sandices do mandatário. Abaixo, assista ao vídeo.

Os temas discutidos hoje foram:

1- Visita do presidente Jair Bolsonaro a Belém (PA);
2- Reintegração e violência contra MST em MG;
3- Covardia do governador Romeu Zema (Novo-MG);
4- Gilmar Mendes em live do MST nesta sexta-feira;
5- Covid-19;
6- Mídia (Folha, Estadão e Globo);
7- Desemprego e economia;
8- Sistema Financeiro.

Assista ao vídeo:

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Folha e Estadão defendem mais privatizações em editoriais

Se alguém tinha dúvidas acerca do papel dos jornalões como linha auxiliares dos bancos e do sistema financeiro, basta ler os editoriais desta quinta-feira (13) da Folha e do Estadão.

A Folha cravou no título “Os Debandados” para lamentar as fraquezas na agenda neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que já não convence nem enquadra mais o presidente Jair Bolsonaro.

“A esta altura, as fragilidades de Paulo Gudes já estão escancaradas. Promete de mais, entrega de menos; parece inapto às tarefas de gestão da pasta; tem baixa interlocução parlamentar; as cifras que pronuncia nem sempre encontram guarida na realidade matemática”, diz o editorial do Folha.

No mesmo diapasão, o Estadão repete a mesma cantilena em seu editorial “A debandada”. A publicação afirma que a saída de cinco membros da equipe econômica ocorreu porque a agenda de privatizações e de reforma administrativa (redução de salário de servidores) não andou.

“Paulo Guedes deixou claro que Bolsonaro tem escolha – e aparentemente já a fez, razão pela qual cinco integrantes da equipe econômica já jogaram a toalha”, explica o Estadão, citando Salim Mattar, ex-secretário de Desestatização e Privatização.

“O establishment não quer a transformação do Estado. Não deseja a reforma administrativa. Não deseja a privatização. Se tiver privatização, acaba o toma lá dá cá. Acaba o rio de corrupção. O establishment deseja segurança de que as coisas vão continuar do jeito que estão”.

Não é só Folha e Estadão que veem a “Agenda Guedes” naufragar. A Globo também enxerga “implosão” no projeto neoliberal do ministro da Economia, por isso pressiona desde a madrugada passada –como foi registrado ontem (12) aqui no Blog do Esmael.

O presidente Jair Bolsonaro sacou que a “Agenda Guedes” salva o cargo do ministro e os interesses econômicos dos banqueiros e dos barões da velha mídia, mas detonam com a possibilidade de reeleição em 2022. A abertura de espaços políticos para o Centrão, faminto por cargos e orçamento público, sinaliza que outras bocas surgiram e precisam ser alimentadas –se é que o leitor me entende.

[URGENTE] STJ manda Queiroz de volta para a cadeia junto com a esposa

O ministro Félix Fischer do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou de revogar a prisão domiciliar de Fabrício Queiroz. Márcia Aguiar, esposa de Queiroz, também será presa.

A íntegra da decisão ainda não foi divulgada.

A decisão atendeu a um pedido do subprocurador-geral da República Roberto Luís Oppermann Thomé que visava reverter a decisão liminar do presidente do STJ João Otávio Noronha concedida durante o plantão do recesso judiciário ocorrido em julho.

Com o fim do recesso, o pedido da PGR foi destinado ao relator do habeas corpus, o ministro Félix Fischer, e à Quinta Turma do STJ.

Roberto Luís Oppermann Thomé apontou a “inexistência de ilegalidade” na prisão preventiva de Queiroz, cita que a jurisprudência impede a concessão de benefícios para alvos foragidos, como era o caso de Márcia Aguiar, e solicita que seja restabelecida a prisão deles.

“Conquanto cediços cultura jurídica e espírito público do ínclito Ministro Presidente, sua v. decisão monocrática, ora agravada, merece integral reforma para que se respeite até mesmo a percuciente, abalizada e escorreita fundamentação lavrada em oito de dez laudas pela inexistência de ilegalidade alguma na necessária constrição judicial cautelar, e mesmo se resgate o respeito à iterativa jurisprudência pátria que rechaça concessão de benesses a pessoas que se encontrem foragidas da Justiça”, escreveu o subprocurador.

No pedido, o subprocurador-geral ainda solicita que Fischer conceda monocraticamente a reforma da decisão ou leve o assunto para a Quinta Turma do STJ.

“Ante o exposto, o Ministério Público Federal respeitosamente espera que seja por Vossa(s) Excelência(s), de modo monocrático pelo ínclito Ministro relator ou colegiado por esta colenda Turma, provido este agravo regimental/interno/pedido de reconsideração para resgatar a dignidade da função jurisdicional e o respeito devido às decisões prolatadas por juízos competentes e o bom nome e conceito da Justiça”, escreveu.

Será que a ida Queiroz e sua mulher para o xadrez fara que eles falem o que sabem? O clã bolsonarista deve estar em pânico.