Argentina congela preços de serviços essenciais e bolsonaristas ficam ensandecidos no Brasil

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou em suas redes sociais na noite desta sexta-feira (20): “O direito dos usuários e consumidores é um direito reconhecido constitucionalmente”, afirmou. “Estamos recuperando os instrumentos regulatórios que o governo anterior tirou do Estado”, estabeleceu o presidente argentino.

O governo da Argentina decidiu declarar serviços públicos essenciais de internet, TV a cabo, telefonia fixa e móvel, e congelou os preços das tarifas até 31 de dezembro deste ano. Desse modo, para ter acesso, as empresas devem solicitar autorização do Estado, após apresentarem um esquema de maior custo que o justifique. Um mecanismo de regulação de preços semelhante ao dos medicamentos pré-pagos que, neste caso, será controlado pela Enacom –a empresa autárquica de serviços nacionais de comunicações.

O presidente Alberto Fernández determinou nessa autorização, quando o decreto for regulamentado, que serão especificadas as características técnicas que os Planos Universais, as espécie de tarifa social básica que todas as empresas do setor devem ter.

O deputado Eduardo “Bananinha” Bolsonaro (PSL-SP), pelo Twitter, abriu fogo contra o governo argentino. Segundo o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a venezuelização do país vizinho continua.

“E a venezuelização da Argentina continua…”, escreveu o “Zero Três”, como lhe chama o pai. “A Argentina de Fernandez e [Cristina] Kirchner está tomando medidas semelhantes as da Venezuela de Chávez e Maduro”, disse.

Bananinha ainda em tom professoral: “Nesta thread explico parte do problema alertando, como deputado, para que o Brasil jamais trilhe o mesmo rumo.”

O decreto presidencial de Alberto Fernández congelando as tarifas ocorreu porque as companhias concessionárias de serviços essenciais reajustaram seus preços até 25% durante a pandemia do novo coronavírus, enquanto a inflação acumulada é de 20% entre dezembro de 2019 e estes últimos dias.

Resumo da ópera: Eduardo “Bananinha” Bolsonaro ficou magoado porque a Argentina tem presidente, o Brasil não tem; aqui nestas plagas quem governo são os bancos, os lobbies e algumas corporações midiáticas.

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Folha “Oficial da União” ataca PT em editorial escroto

Em um editorial no mínimo escroto, o jornal Folha de S. Paulo ataca o PT pela virtude e chama o presidente da República de “Jair Rousseff”, misturando os nomes de ambos.

A Folha “Oficial da União” aderiu ao que existe de pior do bolsonarismo, a parte econômica, que visa extrair direitos dos pobres para dar aos bancos e especuladores.

O jornalão paulistano é contra a produção e o emprego, portanto a favor do capital vadio que nada produz.

Por que a Folha “Oficial da União”, aderida ao bolsonarismo, ataca o PT, os trabalhadores e os servidores públicos, por exemplo? Porque a velha mídia foi há muito corrompida pelos fundos de investimentos. Geralmente esses veículos de comunicação pertencem aos bancos, que ganharam trilhões na pandemia do novo coronavírus enquanto a população brasileira foi jogada na miserabilidade e 80 milhões de desempregados foram gerados com a “Pauta Guedes”.

É preferível que o orçamento público seja gasto com o povo do que com gordos banqueiros e pançudos especuladores no mercado financeiro. O rentismo é um câncer para a nação. Aliás, a Folha virou há muito um braço do “PagSeguro Digital”, sistema de pagamentos eletrônicos, que lucrou R$ 356 milhões no 1º trimestre e durante a pandemia do novo coronavírus. Portanto, ela não faz jornalismo, ela faz negócios.

A Folha, na prática, quer que Bolsonaro limite os gastos e determine o fim do auxílio emergencial de R$ 600. Esta é a famigerada “Pauta Guedes”, dos bancos, do jornalão, contrária aos interesses nacionais.

Ao fazer uma crítica do que poderia ser uma virtude do governo de Jair, a Folha logo se escusa: “Bolsonaro, no entanto, tem o azar e a sorte de suceder à petista Dilma Rousseff, que levou a fórmula aos limites da capacidade do Tesouro e da lei —o que resultou na maior crise econômica em gerações e lhe custou o segundo mandato.”

A Folha “Oficial da União” também vê uma “sorte [do presidente da República] por contar com um debate mais amadurecido em torno do controle fiscal e um mecanismo de ajuste —o teto de gastos inscrito na Constituição— já em vigor.” Ela se refere elogiosamente à Emenda Constitucional 95, que, em 2016, congelou os investimentos nas áreas da saúde, educação e seguridade social pelos próximos 20 anos.

A bolsonarista Folha deixa a máscara cair quando imprime suas digitais no orçamento da União: “Mas derrubar o teto, por motivo supostamente social ou desenvolvimentista, será manobra insensata mesmo sob a lógica eleitoral mais desavergonhada.”

Caro leitor, o editorial da Folha “Oficial da União” nada mais faz do que disputar o orçamento público da sociedade em nome dos banqueiros e rentistas. É isso.

A seguir leia a íntegra o artigo bolsonarista da Folha:

Jair Rousseff

Jair Bolsonaro decerto não é o primeiro presidente a flertar com a elevação sem limites do gasto público por acreditar que, mais adiante, a gastança possa pavimentar um caminho seguro à reeleição.

Essa, de fato, tem sido a praxe nacional desde o restabelecimento da democracia, estimulada pelas normas constitucionais que fixam despesas obrigatórias e explicitada desde que o controle da inflação deu clareza ao Orçamento.

Bolsonaro, no entanto, tem o azar e a sorte de suceder à petista Dilma Rousseff, que levou a fórmula aos limites da capacidade do Tesouro e da lei —o que resultou na maior crise econômica em gerações e lhe custou o segundo mandato.

Azar por ter herdado um governo deficitário e excessivamente endividado, com poucas opções de políticas públicas à disposição; sorte por contar com um debate mais amadurecido em torno do controle fiscal e um mecanismo de ajuste —o teto de gastos inscrito na Constituição— já em vigor.

O fracasso da última administração petista deveria bastar para que ensaios de programas redentores de obras públicas e de assistência social, sempre frequentes nas especulações brasilienses, fossem deixados de lado. Infelizmente, é fantasia um Tesouro que possa financiar um déficit sem limites e permanentemente crescente.

Na ilusão de que estimularia a economia, Dilma elevou a despesa federal não financeira de 16,8% do Produto Interno Bruto, em 2011, a 19,4% em 2015. Gerou alta da inflação, do câmbio e dos juros, uma profunda crise de confiança e um desemprego recorde.

Bolsonaro, tudo indica, sonha com o propósito de driblar o teto dos gastos —que desde 2016 os mantém entre 19,4% e 19,9% do PIB, num ajuste relativamente suave.

Abriria caminho, assim, para uma ampliação dos investimentos em infraestrutura e de programas sociais para agradar o eleitorado pobre do Nordeste e de outras regiões, além dos novos aliados do centrão e da ala militar do governo.

Não se discute a importância de reforçar a seguridade, ainda mais depois do impacto devastador da pandemia. Mas derrubar o teto, por motivo supostamente social ou desenvolvimentista, será manobra insensata mesmo sob a lógica eleitoral mais desavergonhada.

A mais de dois anos da disputa presidencial, o presidente estaria contratando uma crise futura e colocando em risco até mesmo a estabilidade econômica, duramente conquistada pela sociedade brasileira nas últimas décadas.

Gastar mais, a esta altura, significa elevar uma dívida pública que ruma a mais de 90% do PIB, criar desconfiança no mercado sobre a solvência nacional, pressionar inflação e juros e solapar o tão almejado crescimento sustentável, única forma efetiva de atenuar as históricas mazelas sociais do país.

Ao final, os mais prejudicados serão, como de hábito, os pobres e miseráveis, que por inconveniência política constituem também a parcela mais decisiva do eleitorado.