À medida que mais faculdades ficam online, alunos exigem redução nas mensalidades

O drama das mensalidades escolares caras ultrapassa fronteiras. Nos Estados Unidos, alunos exigem redução à medida que as aulas migram para a plataforma online.

Reportagem da AP News conta as dificuldades dos alunos e das famílias pagarem os preços cheios durante a pandemia do novo coronavírus. Eles contestam os valores do aprendizado remoto, que as universidades insistem em cobrar no valor total.

Nos EUA, segundo a publicação, além das mensalidades, os alunos continuam pagando até estacionamento não utilizado. Lá os planos nas garagens das instituições são anuais, ou seja, quem pagou não recebe o dinheiro de volta –mesmo que não esteja utilizando o espaço.

Em petições iniciadas em dezenas de universidades, os alunos que defendem a redução das mensalidades dizem que as aulas online não proporcionam a mesma experiência que obtêm no campus. As aulas em vídeo são afetadas e estranhas, dizem eles, e há pouca conexão pessoal com professores ou colegas de classe.

Algumas faculdades reduziram as mensalidades à medida que mudaram as aulas online, muitas vezes reconhecendo as dificuldades das famílias e as diferenças nas aulas online. Outros, porém, recusaram. A Universidade de Harvard está cobrando mensalidades inteiras, cerca de US$ 50 mil por ano, embora todas as aulas de graduação estejam online neste outono.

Em algumas petições, os alunos reconhecem as dificuldades financeiras das faculdades, mas dizem que as escolas podem recorrer a doações para enfrentar a crise. Em algumas escolas, entretanto, pode não ser o caso. Especialistas do setor alertam que muitas faculdades estavam em condições financeiras precárias antes da pandemia, e alguns preveem que dezenas de faculdades poderiam ser forçadas a fechar em um ano.

Na Universidade do Novo México, os alunos enfrentam um aumento nas mensalidades, embora a escola esteja oferecendo uma combinação de aulas online e remotas. Ava Yelton, que ajudou a liderar um protesto contra o aumento, disse que não é ético cobrar mais quando os alunos estão recebendo menos.

“A questão é por que estamos pagando a mesma quantia – se não mais – por muito, muito menos?”, perguntou ela. “Sei que isso é o melhor para a segurança pública, mas não há dúvida de que o nível de aprendizado online é menor.”

No Brasil, UNE entrou com ação pedindo redução nas mensalidades

A União Nacional dos Estudantes (UNE) ingressou no Ministério Público no último dia 31 de março pedido desconto na mensalidade das universidades privadas durante o período da pandemia do novo coronavírus. Na página da entidade na internet, tem um abaixo-assinado para pressionar as autoridades judiciárias a reduzir o valor cobrado.

Na ação, a UNE afirma que os estudantes pleiteiam desconto por aulas presenciais que serão dadas online.

“Depois da pressão dos estudantes a UNICAP em Pernambuco reduziu o valor das mensalidades válido para o período de suspensão das aulas presenciais. Além disso, abriu o diálogo para renegociação de dívidas e trancamento de curso”, diz a UNE.

UNE e a Constituição Federal do Brasil dizem que educação não é mercadoria, mas sim um serviço essencial cuja regulação é competência do Estado.

Pipocam ações contra escolas e universidades privadas

O Blog do Esmael está levantando o número de ações tramitando em juizados cíveis especiais e varas cíveis contra a cobrança de mensalidade integral. Muitos estabelecimentos até reduziram os valores, mas a entrega do serviço não ocorre conforme estipulado nos contratos. Pais de alunos alegam que, nesse caso, as escolas são as inadimplentes e eles [pais] são os hipossuficientes na relação consumerista.

Escola pública volta ser opção para a classe média

Com a depressão econômica agravada pela Covid-19, a rede pública estadual de ensino voltou a ser uma opção bastante atraente para as famílias. Em Curitiba, por exemplo, o Blog do Esmael conversou com três diretoras de escolas. Elas disseram que a procura por vagas aumentou bastante e, sobretudo, de consultas acerca do currículo do estabelecimento.

Com a pandemia, diferente do ensino particular, os diretores das escolas públicas relataram alta autoestima dos educadores que se entregam no ensino online. O que é melhor: tudo gratuito.

A rede pública de ensino do Paraná, por exemplo, é composta por 2,1 mil escolas e cerca de 70 mil educadores. Com o “boom” e volta à moda, a escola pública terá de contratar mais professores, funcionários, auxiliares-administrativos e pedagogos.

Com informações da APNews.

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Covid-19 vai parar no rodapé de jornais após crescimento de Bolsonaro em pesquisas

Num momento que o Brasil atingiu 113.358 mortes e 3.532.330 casos do novo coronavírus, até as 18h30 desta sexta-feira (21), segundo o Ministério da Saúde, os jornalões da velha mídia estão relegando aos poucos as notícias sobre a Covid-19 para o rodapé. Coincidência ou não, o arrefecimento do interesse dos veículos de comunicação pela doença diminuiu com o aumento da aprovação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas pesquisas.

Levantamentos publicados ao longo da semana passada mostraram crescimento da popularidade de Bolsonaro e do governo, embora tenham disparado as mortes e os casos de coronavírus em todo o país. Datafolha e Paraná Pesquisas, dentre outros institutos de opinião, também captaram esse movimento positivo para o presidente da República.

De maneira simplista, os analistas de plantão atribuem a recuperação de Bolsonaro à concessão do auxílio emergencial de R$ 600 –uma proposta originalmente formulada pelo PT e pela oposição ao governo no Congresso Nacional.

O fato é que movida por interesses econômicos e estranhos aos da maioria da população, a velha mídia preservou Jair Bolsonaro onde ele mais pecou nesses 20 meses de governo: na economia. A gestão atual conseguiu a proeza de elevar para 80 milhões o número de desempregados no país, ou seja, 50% da população economicamente ativa (PEA), a maior taxa de desocupados em todo o planeta.

Para eles todos, o que importa é salvar a “Pauta Guedes” de privatizações, redução de salário, pagamento de juros para bancos, garantir o retinsmo.

A velha mídia, assim como Bolsonaro, nunca combateu a Covid-19. Pelo contrário. Ambos sempre utilizaram a doença para atingir seus objetivos e interesses.

Tanto para o presidente Jair Bolsonaro quanto para os jornalões da mídia corporativa, após o acordão das classes dominantes, onde [quase] todos se safam, as mortes pelo novo coronavírus são apenas dignas de nota de rodapé.

Suivre la vie, segue a vida em francês. Mas apenas para os vivos, é claro.