[Íntegra vídeo] Rodrigo Maia no Roda Viva

Publicado em 29 julho, 2020

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estará no centro do programa Roda Viva na próxima segunda-feira, dia 3 de agosto. Com apresentação de Vera Magalhães, a atração irá ao ar às 22h, ao vivo, e será transmitido pelo Blog do Esmael.

.

Apelidado pela Lava Jato de “Botafogo”, o presidente da Câmara era investigado ilegalmente na força-tarefa de Curitiba e isso desencadeou uma reação do Congresso Nacional. Ato contínuo, a PGR iniciou uma devassa na República de Curitiba em busca de “segredos” nas “caixas pretas” –segundo o procurador-geral Augusto Aras.

Rodrigo Maia é ocupante do segundo cargo mais cobiçado na República [o primeiro é hoje ocupado por Jair Bolsonaro], onde não faltam problemas e desafios.

O presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória, na falta do presidente da República e do vice-presidente, por isso o Palácio do Planalto não esconde as intenções de ter o legislativo, além do judiciário, sob controle.

.

Bolsonaro sonha em eleger o presidente da Câmara e, também por isso, os constantes ataques contra parlamentares, lançados por integrantes do chamado “gabinete do ódio”, grupo radical, próximo do governo, que não tolera divergências.

Some-se a isso a fissura no Centrão, grupo que reunia mais de 220 deputados. O “racha” ocorre apenas para que os partidos se realinhem para a batalha eleitoral na Câmara.

Em meio a tudo isso, Maia ainda trata das pautas de interesse dos grupos econômicos, dos bancos e da mídia corporativa, como as reformas administrativa e tributária.

.

“Ninguém aguenta mais impostos. Vamos cuidar da simplificação e cortar distorções (…) A sociedade está cansada (…) esta proposta terá muita dificuldade de passar na Câmara”, diz Maia, sinalizando que a Casa irá aprovar mais um pacote de bondades para favorecer os mais ricos.

Por outro lado, Rodrigo Maia pautou todos os temas [já aprovados] que retiram direitos da sociedade e dos trabalhadores brasileiros, a exemplo das reformas trabalhista, previdenciária, MP 936, que reduz salários e permite a demissão na pandemia de coronavírus, dentre outras maldades.

O presidente da Câmara tem muito a explicar, porém, muito provavelmente, ele não será perguntado sobre questões espinhosas na segunda-feira.

.

O Roda Viva conta com uma bancada de entrevistadores formada por Basilia Rodrigues, analista de política da CNN Brasil; Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN; Denise Rothenburg, colunista de política do jornal Correio Braziliense; Jussara Soares, repórter do jornal O Estado de S. Paulo; Ranier Bragon, repórter especial do jornal Folha de S. Paulo e a participação remota do cartunista Paulo Caruso.

LEIA TAMBÉM

PT exige CPI já para apurar por que Lava Jato detém dados de 38 mil pessoas

O Partido dos Trabalhadores (PT) quer investigar as suspeitas levantadas de que força-tarefa faz uso político de banco de dados de milhares de pessoas, incluindo juízes e parlamentares. Os indícios de abusos e falta de transparência do grupo dirigido por Deltan Dallagnon foram levantados por ninguém menos que o chefe do Ministério Público Federal, Augusto Aras. “É uma caixa de segredos”, alerta o procurador-geral da República (PGR).

.

O Partido dos Trabalhadores quer a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a atuação dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, depois que o procurador-geral da República, Augusto Aras, revelou que o grupo investigou 38 mil pessoas, incluindo parlamentares e juízes, sem qualquer tipo de justificativa. “A Câmara precisa instalar esta CPI para que o Brasil conheça a verdade sobre uma operação que tanto prejuízo causou ao Brasil”, defendeu a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). A CPI foi solicitada pelo líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE) e tem o apoio da bancada do PT.

“A força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram escolhidos”, revelou Aras, durante uma live transmitida pelo grupo ‘Prerrogativas’, na noite de terça-feira, 28 de julho. “Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos”. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) considera muito graves as revelações de Aras: “A Câmara deve imediatamente instalar a CPI da Lava Jato, que já foi lida e aguarda decisão do Rodrigo Maia para iniciar o funcionamento”.

Pimenta anunciou que o partido vai acionar o Supremo Tribunal Federal e o próprio Ministério Público Federal para acompanhar as medidas adotadas para investigar e identificar os responsáveis. “Os 50 mil documentos que a Lava Jato possui arquivados em um sistema paralelo, sem controle da PGR ou das corregedorias, revela um Estado Policial dentro do país”, alertou o deputado petista gaúcho. “Trata-se de uma afronta ao Estado de Direito e não pode ser tolerado impunemente pelo STF e pelo Congresso”.

.

O PT avalia que a possibilidade de compartilhamento de informações pessoais entre Receita Federal, Lava Jato e PF sem autorização judicial, para criar um banco de dados sobre 38 mil pessoas é criminoso. “É uma polícia política para ser acionada contra todos que não se intimidam aos abusos”, criticou Pimenta.

Guerra no MPF
Em junho, a Procuradoria Geral da República tentou ter acesso aos dados armazenados pela investigação no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. A força-tarefa em Curitiba recebeu a visita da vice-procuradora Lindôra Araújo, uma das principais auxiliares de Aras, mas se recusou a entregar os dados, questionando a legalidade da busca e acusando o procurador-geral de “manobra ilegal”.

Augusto Aras recorreu ao Supremo Tribunal Federal e o presidente da corte, ministro Antonio Dias Toffoli, determinou o compartilhamento de dados. Ao expedir a ordem, o ministro afirmou que a posição da Lava Jato viola o princípio da unidade do Ministério Público Federal.

.

Segundo Aras, todo o Ministério Público Federal no país armazena 40 terabytes de informações. A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, sozinha, tem mais dados armazenados que todo o sistema de informações de todos os procuradores federais. Segundo Aras, o arquivo do grupo de procuradores de Curitiba tem 350 terabytes.