PT lança olhar crítico sobre a imprensa; leia artigo do líder na Câmara Enio Verri

Publicado em 28 julho, 2020

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), em artigo especial, lança um olhar crítico sobre o silêncio sepulcral da velha mídia acerca do “simulacro” de reforma tributária apresentada por Bolsonaro e Guedes.

Verri denuncia uma censura em “certa imprensa” contra o povo, que é impedido de saber o que acontece no Brasil, enquanto Guedes e Bolsonaro assaltam os cofres públicos e avança o genocídio com a pandemia de coronavírus.

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“Enquanto a sociedade não tiver um olhar crítico sobre a imprensa, independente do grau de escolaridade de qualquer brasileiro, a classe dominante cumprirá sua agenda agenda entreguista”, afirma o líder petista, referindo-se às privatizações de empresas públicas.

Leia a íntegra do artigo:

Um olhar crítico sobre a imprensa

Enio Verri*

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Há um silêncio sepulcral em meio à sociedade quanto ao simulacro de reforma tributária apresenta por Bolsonaro e Guedes. O comportamento destoa do sentimento que os brasileiros dispensam ao sistema tributário. Coincidentemente, a imprensa comercial está, também, calada, quando não tolerante ou simpática às ideias de aumentar em 22,7% a taxação sobre a classe trabalhadora e 5,9%, bancos, planos de saúde e seguradoras. A inação da sociedade faz parecer que a opinião pública é, na verdade, a publicada. Ou seja, apenas quando a imprensa mobiliza uma pauta é que a sociedade participa. A classe dominante, dona dessa imprensa, a usa, claro, segundo os seus interesses, assim como influencia centenas de parlamentares no Congresso Nacional.

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Certa imprensa impede a maior parte da sociedade saber o que acontece e o que isso tem a ver com o Brasil, como uma nação com condições de superar as crises sanitária e econômica. Todos os movimentos do governo são no sentido de exterminar o maior número de pobres e privilegiar a totalidade dos ricos e super ricos. No primeiro semestre, de 2020, 42 bilionários aumentaram suas fortunas em mais de R$ 170 bilhões. Quando o general paraquedista, Pazuello, assumiu interinamente o Ministério da Saúde, o Brasil já contabilizava escandalosos 14 mil mortos. Mais de 70 dias depois sem ministro, a acelerada escalada de contaminação e mortes já passa de 2,4 milhões e 87 mil. A disseminação não é democrática, 53% das vítimas da Covid-19 são homens, pobres e pretos. A voluntariosa omissão de Bolsonaro é responsável pelo número de mortes extremamente maior do que o que se podia esperar, em caso de um governo presente e responsável.

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Quando o assunto é privatização, a imprensa comercial é a mais fiel aliada de um governo ultraliberal e lacaio. Em recente decisão, a União usou o BNDES e a Caixa Econômica para perder assento no Conselho Administrativo da Petrobras, abrindo espaço para acionistas minoritários, cujo interesse na empresa é apenas o lucro que possa auferir dela. Em outra frente, prepara as condições para entregar os Correios, uma gigante e bem montada empresa de logística, cujo lucro, em 2019, foi de R$ 102 milhões. Aos arautos do liberalismo pelego, saibam que o correio dos EUA é público, desde a sua fundação, em 1775. Ao mesmo tempo, Guedes esquarteja a Petrobras, uma vez que não pode vendê-la inteira, sem a autorização do Congresso Nacional. Os movimentos de Bolsonaro e do ministro da Economia da classe dominante são transmitidos ao público, por certa imprensa, de forma estanque e confusa, para gerar desinteresse dos brasileiros sobre seu patrimônio.

Enquanto a sociedade não tiver um olhar crítico sobre a imprensa, independente do grau de escolaridade de qualquer brasileiro, a classe dominante cumprirá sua agenda agenda entreguista. Durante a pandemia, os países mais desenvolvidos investiram na proteção da população. Ao mesmo tempo em que o governo retarda o pagamento de R$ 600 provocando aglomerações em agências da Caixa, Bolsonaro e Guedes contribuíram para aumentar a fortuna de algumas dezenas de bilionários. Essa imprensa defenderá, acima de tudo e de todos, os privilégios da classe dominante. Ela se adapta às crises, como o capital. Capitaneou um golpe de Estado e tolera ser humilhada por um presidente desqualificado e genocida. O governo avança feroz sobre as empresas estratégicas e as fontes energéticas. O discurso e o posicionamento ideológico da imprensa, ainda que mal dissimulados, são alinhados a quem detrata a soberania. Nesse sentido, recomenda-se não esquecer a história. Ela nos lembra que parte da imprensa apoiou a ditadura civil-militar.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.