MPF pede afastamento do ministro do Meio Ambiente, mas Paulo Guedes pode continuar passando a “boiada” na pandemia

Os 12 procuradores que assinam a ação de improbidade administrativa contra ministro Ricardo Salles querem “fechar a porteira” no Ministério do Meio Ambiente, mas, pelo visto, pretendem deixar a escancarada a do Ministério da Economia para que Paulo Guedes “passe a boiada” em plena pandemia de coronavírus.

Numa ação que tramita na 8ª Vara da Justiça Federal de Brasília, o MPF acusa Salles de “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”.

Os bravos procuradores do MPF citam como ponto de partida a reunião ministerial do dia 22 de abril deste ano, no Palácio do Planalto. No encontro, o ministro falou em “passar a boiada”, qual seja, aproveitar o período da pandemia do coronavírus para mudar atos e normas relacionados ao meio ambiente para, em português claro, facilitar a devastação de reservas florestais.

Os mesmos ínclitos membros do Ministério Público Federal não ficaram chocados com a “boiada passada” no último dia 24 de junho, no Senado, que obriga a privatização da água –um tema correlato com meio ambiente e economia.

Paulo Guedes, celebrado “Posto Ipiranga” do governo de Jair Bolsonaro, à luz do dia, tem anunciado que passará a “boiada das privatizações” de empresas e bens da União em plena pandemia da Covid-19. Ele planeja levantar até R$ 2 trilhões para repassar a bancos e especuladores a título de pagamento de juros e amortizações de dívida pública. Nada para o combate do vírus, que apenas é usado para abrir as porteiras.

Pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro elogiou o reinício da liquidação de ativos públicos pelo ministro Paulo Guedes.

“Edifício “A Noite” será leiloado, em evento virtual que ocorrerá em agosto ou setembro. Localizado no RJ, é avaliado em cerca de R$ 90 milhões. Mais uma rodada das inúmeras ações de enxugamento dos gastos públicos e desperdício de dinheiro do pagador de impostos”, escreveu o presidente, que mesmo com suspeita de estar infectado pelo Covid-19 não diminuiu seu ímpeto lesa-patrimônio.

O Ministério Público Federal pediu o afastamento do ministro do Meio Ambiente, mas Paulo Guedes pode continuar passando a “boiada” na pandemia de coronavírus.

Caros procuradores do MPF, o cidadão médio brasileiro, na sua faculdade mental plena, seria bastante prudente e não venderia [ou compraria] um patrimônio estratégico –o bem da vida—num momento tão conturbado como este da pandemia. Fumus boni juris.

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Bolsonaro sanciona redução de salário e jornada, antes de anunciar que tem sintomas de Covid-19

Publicado em 6 julho, 2020

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) novamente deu um nó no noticiário ao sancionar a Medida Provisória 936, que permite reduzir jornada e salário durante a pandemia, antes de anunciar que está com sintomas da Covid-19.

Evidentemente que a saúde do presidente da República “roubou” a cena nesta segunda-feira (6), embora a redução salarial e de jornada irão atingir alguns milhões de trabalhadores brasileiros. Nas redes sociais, há torcidas a favor do vírus e de Bolsonaro. Refletem a divisão do País.

A MP 936, na essência, coloca a conta da pandemia nas costas dos mais vulneráveis, enquanto o governo federal segue drenando dinheiro público para bancos e especuladores.

“Sancionada hoje a Lei que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (MP-936). Todos os benefícios serão custeados com recursos da União, operacionalizado e pago pelo @MinEconomia diretamente ao empregado”, tuitou o presidente Bolsonaro, antes de anunciar que pode estar com a Covid-19.

A MP 936 originalmente seria para “preservar” empregos, no entanto, o texto permite a precarização e a suspensão dos contratos de trabalho sem a presença do sindicato.

O trabalhador se ferrou mais uma vez hoje, mas, nos jornalões, o assunto principal será a infecção de Jair Bolsonaro.