Mortalidade por Covid-19 é maior nas favelas e entre os negros, segundo a Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz lançou o primeiro Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas. De acordo com a publicação, apesar de ser relativamente baixo o número de casos e óbitos registrados nos bairros com grande concentração de favelas; as taxas de letalidade nessas regiões chegam a ser o dobro em relação aos bairros que não têm favelas.

A publicação também aponta que a Covid-19 é mais letal nos homens do que mulheres e o maior percentual de óbitos na população negra nos territórios periféricos.

A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Jussara Angelo explica que, em decorrência da complexidade de se obter dados em uma escala mais detalhada e que dê visibilidade à magnitude da Covid-19 nas favelas cariocas, o boletim foi elaborado integrando três fontes de informação.

Foram analisados dados oficiais do Painel da Prefeitura, dados dos painéis das unidades de saúde e do Voz das Comunidades. A publicação conta também com narrativas de interlocutores do território, que, através de suas experiências de vida e trabalho em diferentes regiões da cidade, colaboraram com a produção do material.

Segundo dados do Censo 2010, estima-se que 22% dos habitantes do município do Rio de Janeiro moram em áreas de favelas. Para entender a distribuição da covid-19 na cidade, construiu-se uma tipologia urbana, cuja classificação dividiu os bairros em cinco áreas: sem favelas, concentração baixa, concentração mediana, concentração alta e concentração altíssima.

A taxa de incidência por Covid-19 mostrou que as áreas classificadas como “sem favelas” e “baixa concentração de favelas” são as que apresentaram maiores taxas de incidência da doença, respectivamente, de 115,58 por 10 mil habitantes e 74,98 por 10 mil habitantes, ambas acima da média do município do Rio de Janeiro (70,71 por 10 mil habitantes).

Os bairros classificados como “concentração altíssima de favela” apresentaram uma taxa de 23,94 por 10 mil habitantes, de acordo com o boletim.

Já a taxa de mortalidade por Covid-19 apresentou o mesmo padrão da taxa de incidência. O registro foi maior nos bairros “sem favelas” e de “concentração baixa de favelas”, com taxa, respectivamente, de 10,67 e 8,90 por 10 mil habitantes.

Porém, nos bairros Complexo do Alemão, Jacarezinho, Acari, Rocinha, Costa Barros, Vidigal e Barros Filho, considerados de “altíssima concentração de favelas”, a taxa de letalidade da doença é de 19,5%, ou seja, o dobro dos “bairros que não têm favelas” (9,2%) e muito acima da taxa do município (11,7%).

“Além da questão da baixa testagem influenciando este indicador, a alta letalidade também pode indicar uma maior gravidade por covid-19 nesses territórios, que podem ser influenciadas pela presença de doenças pré-existentes como hipertensão, ou fatores de risco como tabagismo, além da dificuldade de acesso aos serviços de saúde”, afirmou Bianca Leandro, da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e uma das autoras.

Taxa de letalidade:

O boletim revela que apesar da ausência de preenchimento da variável raça/cor em 45% das notificações (22.416), a ocorrência da covid-19 é maior na população negra nos bairros classificados como “concentração altíssima”, “concentração alta” e “concentração mediana” de áreas cobertas por favelas. Nos bairros de “concentração baixa”, o percentual da população negra (25,6%) é muito próximo a ocorrência na população branca (27,6%).

Com relação ao gênero, em todas as tipologias urbanas, as maiores taxas de mortalidade são do sexo masculino. Nos bairros com “altíssima concentração de favelas”, o valor da taxa de mortalidade entre os homens é de, aproximadamente, 6 a cada 10 mil habitantes do sexo masculino, enquanto nos “bairros sem favelas” chega a quase 14 por 10 mil habitantes.

A taxa de letalidade apresentou padrão similar, sendo maior que a do sexo feminino em todas as tipologias urbanas. “Além do fator de realização da testagem, o diferencial entre homens e mulheres pode ocorrer em virtude da maior vulnerabilidade dos homens, busca tardia dos serviços de saúde e demais quadros de comorbidades”, afirmam, os autores.

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O Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas é uma iniciativa da Sala de Situação Covid-19 nas Favelas, vinculada ao Observatório Fiocruz. O boletim foi desenvolvido pelos pesquisadores Jussara Rafael Angelo e André Périssé, da Ensp/Fiocruz, e Bianca Leandro, da EPSJV/Fiocruz. Na Fundação, tem parceria do Icict, Farmanguinhos e da Coordenação de Cooperação Social (CCS). A publicação é mensal.

Leia a íntegra do Boletim aqui.

As informações são da Fundação Oswaldo Cruz.

Brasil tem 1.300 mortes em 24 horas e se aproxima de 2 milhões de casos da Covid-19

O Brasil teve 1.300 mortes registradas nas últimas 24 horas segundo o balanço do ministério quartel da Saúde. No ritmo atual, o País chegará aos 2 milhões de casos de Covid-19 em dois dias.

Os principais números do balanço são:

  • 1.300 mortes registradas nas últimas 24 horas;
  • 74.133 mortes registradas desde o início da pandemia;
  • 41.857 novos casos registrados nas últimas 24 horas;
  • 1.926.824 total de casos desde o início da pandemia;

A média de mortes por Covid-19 está acima de mil óbitos diários já há quase dois meses e não dá sinais de que vá cair tão cedo. Algumas cidades e estados registram queda enquanto outros ainda estão na ascendente.

Os números são do ministério da Saúde.

Indenização para trabalhadores da Saúde incapacitados pela Covid vai à sanção de Bolsonaro

A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta terça-feira (14)  o projeto que garante o pagamento de uma indenização de R$ 50 mil a profissionais de saúde incapacitados pela Covid-19.

Terão direito à indenização os profissionais que trabalharam no combate à pandemia, contraíram a doença e ficaram  permanentemente incapacitados. A proposta será agora encaminhada para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O projeto havia sido aprovado pelos deputados em maio, mas, quando passou no Senado, em junho, sofreu modificações. Por isso, precisou de nova análise na Câmara.

O deputado Zeca Dirceu (PT-PT) comentou a aprovação do projeto:

“Aprovamos na Câmara, novamente, o PL 1826/2020 que garante indenização aos dependentes e familiares de profissionais de saúde vítimas da pandemia, de autoria do dep @ReginaldoLopes. O projeto traz segurança a estes profissionais e reconhece o quanto SÃO IMPORTANTES!”

Os senadores aprovaram emendas que ampliaram o rol dos contemplados pela indenização. Essas emendas acabaram acolhidas pelo relator, deputado Mauro Nazif (PSB-RO). A proposta é de autoria dos deputados federais Reginaldo Lopes (PT-MG) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Inicialmente, o texto aprovado pela Câmara contemplava profissionais da área de saúde, agentes comunitários e trabalhadores de estabelecimentos da saúde.

No Senado, o relator Otto Alencar (PSD-BA) ampliou a lista das categorias que poderão receber a compensação, como a dos trabalhadores de necrotérios, da assistência social e de coveiros.

Pela versão final do texto, poderão receber a compensação os seguintes profissionais (ou seus familiares):

  • Os profissionais de nível superior são reconhecidas pelo Conselho Nacional de Saúde, além de fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas;
  • Os profissionais de nível técnico ou auxiliar que são vinculadas às áreas de saúde, incluindo os que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas; ·
  • Os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias;
  • Os profissionais que, mesmo não exercendo atividades-fim nas áreas de saúde, auxiliam ou prestam serviço de apoio presencialmente nos estabelecimentos de saúde, no desempenho de atribuições em serviços administrativos, de copa, de lavanderia, de limpeza, de segurança e de condução de ambulâncias, entre outros, além dos trabalhadores dos necrotérios, bem como coveiros;
  • Os profissionais de nível superior, médio e fundamental que são reconhecidos pelo sistema de assistência social e que atuam no Sistema Único de Assistência Social.

Valor maior
Além da prestação única de R$ 50 mil, o projeto diz que a compensação será composta também de uma única prestação de valor variável devida a cada um dos dependentes menores de 21 anos – ou 24 anos, se estiver cursando curso superior – do profissional ou do trabalhador de saúde falecido.

O valor será calculado mediante a multiplicação da quantia de R$ 10 mil pelo número de anos inteiros e incompletos que falte para cada um dos dependentes – na data do óbito do profissional ou do trabalhador de saúde – atingir a idade de 21 anos completos, ou 24 anos se o dependente estiver na faculdade.

Outros pontos
A concessão da compensação financeira, segundo o projeto, estará sujeita à avaliação de perícia médica realizada por servidores integrantes da carreira de perito médico federal.

Pela proposta, o auxílio possui caráter indenizatório e não poderá constituir base de cálculo para incidência de imposto de renda ou de contribuição previdenciária. O recebimento da compensação não prejudicará o recebimento de benefícios previdenciários ou assistenciais.

Dispensa de atestado
O projeto também garante o afastamento de qualquer trabalhador sem atestado médico por sete dias em caso de imposição de isolamento social.

O texto diz que o profissional poderá apresentar como justificativa válida documento de unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) ou documento eletrônico regulamentado pelo Ministério da Saúde no oitavo dia de afastamento.

Câmara e Senado já haviam aprovado projeto de teor semelhante, mas que havia sido vetado pelo presidente Jair Bolsonaro sob a justificativa de falta de precisão e clareza.

Com informações do G1

Impeachment de Bolsonaro aumentaria dificuldade de enfrentar a Covid-19, diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na manhã desta terça-feira (14), em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador (BA), que iniciar um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste momento aprofundaria ainda mais a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

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Ao ser questionado na entrevista porque não pauta um dos mais de 30 pedidos de impeachment contra Bolsonaro protocolados na Câmara, Maia disse: “Essa questão, nosso papel é exatamente papel dessa construção desse diálogo, junto com poder Executivo, com poder Judiciário. O tema do impeachment é uma decisão política. E a minha avaliação é que no meio de uma pandemia, nós tratarmos desse tema, nós iríamos aprofundar ainda mais uma crise que sabemos que não é pequena. Que o vírus de fato vai, infelizmente, tirar vidas. Como já tem tirado de milhares de brasileiros. Vai derrubar a economia, tirando empregos de milhões de brasileiros. Acho que uma crise política agora mais profunda só iria aprofundar ainda mais todas as dificuldades que passamos e que ainda vamos passar nos próximos meses”.

Assista ao vídeo da entrevista: