Moradores de rua acampam em frente à prefeitura de SP e cobram vagas em hotéis prometidas por Bruno Covas

Integrantes de movimentos da população em situação de rua estão acampados desde o fim da tarde de ontem (7) em frente à sede da prefeitura de São Paulo, no centro da cidade. Eles protestam contra as condições dos abrigos municipais e reivindicam a possibilidade de fazer isolamento social.

“Conhecemos a realidade dos centros de acolhida: há falta de estrutura dos prédios; as camas são próximas uma das outras; os ambientes são insalubres, sem ventilação, o que favorece a propagação da muquirana (piolho) e doenças como a tuberculose; falta de materiais para higienização e precarização tanto dos trabalhadores quanto na dinâmica dos serviços”, diz nota distribuída pelo movimento.

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Os manifestantes pedem ainda que sejam disponibilizados quartos em hotéis para permitir o isolamento das pessoas em situação de rua que fazem parte dos grupos de risco, conforme lei municipal aprovada no fim de abril. Eles reivindicam também a instalação de chuveiros públicos e o fim das ações de remoção de cobertores e barracas.

A Lei Municipal Lei nº 17.340, de 30 de abril de 2020, chegou a ser regulamentada por um decreto do prefeito Bruno Covas (PSDB) em maio. Porém, as vagas em hotéis nunca chegaram a ser efetivamente oferecidas às pessoas em situação de rua.

Segundo um dos coordenadores do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, Anderson Miranda, a proposta inicial era encerrar o protesto hoje (8), às 18h. Ele disse, porém, que, se não houver negociação com a prefeitura, o acampamento pode continuar por mais tempo.

Nota da prefeitura

“As pessoas em situação de rua estão sendo atendidas desde o início da pandemia com ações integradas”, diz nota divulgada pela prefeitura. Segundo a nota, são oferecidos 113 serviços para essa população na cidade, sendo 101 para acolhimento.

A nota informa que, desde o início da pandemia, abriu 1.072 vagas para acolhimento em equipamentos emergenciais ou aproveitando a estrutura de centros educacionais. Dois deles, um na zona sul e outro na leste, são destinados a pessoas com suspeita de covid-19. “Os centros de acolhida têm suas estruturas higienizadas constantemente e são mantidos com as janelas abertas. Nos quartos as camas foram colocadas em distância segura”, enfatiza o texto.

A prefeitura destaca ainda a distribuição de refeições em diversas partes da cidade, como as 200 refeições diárias oferecidas na Luz, região central da capital, além da entrega de 3,6 mil kits de higiene, em uma parceria com a empresa Colgate e a Cruz Vermelha.

Por Daniel Mello, repórter da Agência Brasil em SP.