Metroviários suspenderam a greve em São Paulo; trabalhadores obtém vitória mesmo na pandemia

As estações de metrô em São Paulo amanheceram esta terça-feira (28) lotadas, apesar de os metroviários terem decidido pela suspensão da greve que começaria hoje. Os trabalhadores que participavam da assembleia da categoria se atrasaram para o início da jornada esta manhã, mas, por volta das 8h, tudo se normalizou.

Segundo o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em contato com a entidade dos trabalhadores, logo após a assembleia que referendou a greve a partir desta terça, aceitou a proposta feita pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) que foi encampada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nesta segunda-feira (27).

A proposta aceita posteriormente pelo secretário foi submetida à votação na assembleia realizada das 18h às 22h30 de ontem e foi aprovada por 84% da categoria, garantindo a renovação de todas as cláusulas do Acordo Coletivo até 30 de abril de 2021.

Em função disso, uma nova assembleia foi convocada emergencialmente e contou com a participação de 1.754 metroviários. A categoria aceitou a proposta (com 79,76% dos participantes) e a greve foi suspensa. “Este resultado só foi possível por conta da grande mobilização da categoria”, diz o Sindicato.

Resumo da ópera: é possível a classe trabalhadora obter vitórias mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, pois, como dizem os gaúchos, não está morto quem peleia.

Confira abaixo a íntegra da proposta:

1- Manutenção do adicional noturno de 50%, com o pagamento de adicional noturno de 25% pelo período de 6 meses, e o adiamento da diferença de 25% do adicional noturno, que devem ser pagos integralmente nos 6 (seis) meses subsequentes;

2- Manutenção da Gratificação por Tempo de Serviço, com a garantia dos valores adquiridos até 30/04/2020, e a suspensão da aplicabilidade do percentual pelo período de 6 (seis) meses (01/05/2020 a 01/11/2020), retomando-se o pagamento do direito adquirido neste período no 7º mês, com o consequente pagamento dos respectivos valores retroativos à data de aquisição da progressão;

3- Manutenção do adicional normativo de férias, com o adiamento do pagamento da diferença entre o valor do adicional normativo e o 1/3 constitucional, pelo período de 6(seis) meses, com o consequente pagamento no 7º mês dos respectivos valores retroativos à data do gozo. Com a realização do acordo, os valores de auxílio transporte suprimidos a partir de 30/06, serão ressarcidos;

4- Renovação do ACT, em todas as suas cláusulas, por 12 meses com vigência de 01/05/2020 a 30/04/2021;

5- Manutenção do adicional de horas extras de 100%, com o pagamento de adicional de 50% pelo período de 6 meses, e o adiamento da diferença de 50% dos adicionais de horas extras, que devem ser pagos integralmente nos 6 meses subsequentes, exceto as horas extras compulsórias, que devem ser pagas integralmente (100%).

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O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), em artigo especial, lança um olhar crítico sobre o silêncio sepulcral da velha mídia acerca do “simulacro” de reforma tributária apresentada por Bolsonaro e Guedes.

Verri denuncia uma censura em “certa imprensa” contra o povo, que é impedido de saber o que acontece no Brasil, enquanto Guedes e Bolsonaro assaltam os cofres públicos e avança o genocídio com a pandemia de coronavírus.

“Enquanto a sociedade não tiver um olhar crítico sobre a imprensa, independente do grau de escolaridade de qualquer brasileiro, a classe dominante cumprirá sua agenda agenda entreguista”, afirma o líder petista, referindo-se às privatizações de empresas públicas.

Leia a íntegra do artigo:

Um olhar crítico sobre a imprensa

Enio Verri*

Há um silêncio sepulcral em meio à sociedade quanto ao simulacro de reforma tributária apresenta por Bolsonaro e Guedes. O comportamento destoa do sentimento que os brasileiros dispensam ao sistema tributário. Coincidentemente, a imprensa comercial está, também, calada, quando não tolerante ou simpática às ideias de aumentar em 22,7% a taxação sobre a classe trabalhadora e 5,9%, bancos, planos de saúde e seguradoras. A inação da sociedade faz parecer que a opinião pública é, na verdade, a publicada. Ou seja, apenas quando a imprensa mobiliza uma pauta é que a sociedade participa. A classe dominante, dona dessa imprensa, a usa, claro, segundo os seus interesses, assim como influencia centenas de parlamentares no Congresso Nacional.

Certa imprensa impede a maior parte da sociedade saber o que acontece e o que isso tem a ver com o Brasil, como uma nação com condições de superar as crises sanitária e econômica. Todos os movimentos do governo são no sentido de exterminar o maior número de pobres e privilegiar a totalidade dos ricos e super ricos. No primeiro semestre, de 2020, 42 bilionários aumentaram suas fortunas em mais de R$ 170 bilhões. Quando o general paraquedista, Pazuello, assumiu interinamente o Ministério da Saúde, o Brasil já contabilizava escandalosos 14 mil mortos. Mais de 70 dias depois sem ministro, a acelerada escalada de contaminação e mortes já passa de 2,4 milhões e 87 mil. A disseminação não é democrática, 53% das vítimas da Covid-19 são homens, pobres e pretos. A voluntariosa omissão de Bolsonaro é responsável pelo número de mortes extremamente maior do que o que se podia esperar, em caso de um governo presente e responsável.

Quando o assunto é privatização, a imprensa comercial é a mais fiel aliada de um governo ultraliberal e lacaio. Em recente decisão, a União usou o BNDES e a Caixa Econômica para perder assento no Conselho Administrativo da Petrobras, abrindo espaço para acionistas minoritários, cujo interesse na empresa é apenas o lucro que possa auferir dela. Em outra frente, prepara as condições para entregar os Correios, uma gigante e bem montada empresa de logística, cujo lucro, em 2019, foi de R$ 102 milhões. Aos arautos do liberalismo pelego, saibam que o correio dos EUA é público, desde a sua fundação, em 1775. Ao mesmo tempo, Guedes esquarteja a Petrobras, uma vez que não pode vendê-la inteira, sem a autorização do Congresso Nacional. Os movimentos de Bolsonaro e do ministro da Economia da classe dominante são transmitidos ao público, por certa imprensa, de forma estanque e confusa, para gerar desinteresse dos brasileiros sobre seu patrimônio.

Enquanto a sociedade não tiver um olhar crítico sobre a imprensa, independente do grau de escolaridade de qualquer brasileiro, a classe dominante cumprirá sua agenda agenda entreguista. Durante a pandemia, os países mais desenvolvidos investiram na proteção da população. Ao mesmo tempo em que o governo retarda o pagamento de R$ 600 provocando aglomerações em agências da Caixa, Bolsonaro e Guedes contribuíram para aumentar a fortuna de algumas dezenas de bilionários. Essa imprensa defenderá, acima de tudo e de todos, os privilégios da classe dominante. Ela se adapta às crises, como o capital. Capitaneou um golpe de Estado e tolera ser humilhada por um presidente desqualificado e genocida. O governo avança feroz sobre as empresas estratégicas e as fontes energéticas. O discurso e o posicionamento ideológico da imprensa, ainda que mal dissimulados, são alinhados a quem detrata a soberania. Nesse sentido, recomenda-se não esquecer a história. Ela nos lembra que parte da imprensa apoiou a ditadura civil-militar.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.